Archive for Setembro, 2009

26/09/2009

Quanto nos falta para uma ‘colher’?





Com uma ‘pitada’ de sarcasmo, diria o professor Sérgio Gadini: “O melhor blog de crítica de mídia dos Campos Gerais!” E existe algum outro?! Embora não tenhamos conhecimento da existência de outro blog com essa temática na região, a dualidade da palavra “melhor” usada por Gadini não está de tudo errada. Não alcançamos a perfeição, mas é possível avaliar um processo em busca dela.

A cada nova edição nota-se que os redatores estão mais atentos aos detalhes, boa escrita, novidades, entre outros pontos. Nesta é possível destacar a criatividade dos escritores. Depois de tantas postagens, a busca por um assunto novo tornou-se mais trabalhosa. Mas os alunos mostram que, “quebrando a cabeça”, assunto não falta.

Como exemplo em Projetor, muitos filmes, tanto ponta-grossenses quanto os a nível nacional, já foram criticados aqui. Nesta edição, a editoria inova partindo para as produções amadoras. Mesmo não correspondendo à qualidade dos filmes produzidos pelo mercado cinematográfico, as iniciativas amadoras fazem parte do espaço cultural da região, sendo assim podem ser discutidas e criticadas.

Abordagem por outro ângulo sobre determinado assunto também é uma sacada criativa. Na editoria Em Cena a autora utiliza uma das atividades do grupo Bando da Leitura, já criticado em edição passada – editoria Livro Aberto – como tema para sua crítica de teatro.

Mas nem sempre a repetição funciona. Embora se trate de outra obra, o texto esteja bem escrito e desperte o interesse do leitor, a atual editoria de literatura peca na escolha de um autor já criticado antes aqui. A opção da autora desmerece outros autores regionais, que poderiam ter seus trabalhos divulgados neste meio midiático, e mostra que faltou esforço na busca por novidades.

O nosso objetivo está correto. Continuemos na busca da perfeição. Mesmo que seja impossível alcançá-la, devemos buscar nos aproximarmos ao máximo dela. Assim, agarramo-nos na esperança de que um dia a ‘pitada’ de sarcasmo se torne uma ‘colher’ de verdade.

Cláudia Alenkire

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26/09/2009

Um programa jovem (até demais!)





O ‘Plug’ é um programa da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) voltado ao público jovem, apresentado por Tatielly Vaz, Janine Furtado e Sergio Tavares Filho, que vai ao todo sábado, às 11:35 horas, no Canal 7, da TV aberta no Estado do Paraná. Os assuntos variam entre comportamento, moda, trabalho, esportes radicais. Porém, acabam sendo repetitivos, com os clássicos “como não ficar estressado com o vestibular”, ou “como escolher sua profissão”, que volta e meia estão em pauta.



As matérias sobre namoro acrescentam pouco ao telespectador. O melhor desempenho do programa é quando o assunto é música. A apresentação de bandas paranaenses é um bom exemplo de divulgação da produção musical da região. No entanto, mesmo com alguns bons temas, a superficialidade ainda impera.

Outro problema visível é a utilização do “vocabulário adolescente”. Gírias como “balada” e “galera” soam forçadas quando ditas pelos repórteres. O fato de ser voltado a um público juvenil não impõe necessidade de uma linguagem tão despreocupada. Além disso, os jovens entrevistados são geralmente de classe média, o que dificulta uma abordagem mais plural dos problemas que o Plug julga ocupar a cabeça do público alvo.



Apesar de ser um dos poucos voltados ao jovem, o programa falha ao utilizar de preocupações estereotipadas dos adolescentes. Poderiam ser acrescentados assuntos que promovam debate, além de abordar diferentes temas. Por exemplo, ao invés de falar sobre como ficar calmo durante o vestibular, o Plug poderia trazer a dificuldade de se adaptar à nova rotina de universitário. Talvez o jovem de hoje esteja mais interessado em saber como organizar os horários e não se sobrecarregar na faculdade do que dicas de como convencer os pais a deixá-lo dormir na casa do namorado(a).

Giseli Barão

Serviço:

Plug- RPC: canal 7

Sábados às 11h35min

blog: http://portal.rpc.com.br/tv/paranaense/plug/blog/

site:http://portal.rpc.com.br/tv/paranaense/plug.phtml

26/09/2009

A “Operáriodependência”

Em julho deste ano, o Operário Ferroviário garantiu vaga na 1ª Divisão do futebol paranaense em 2010. Além de muita festa dos torcedores, os jornais diários de Ponta Grossa celebraram – com razão – o momento histórico do “Fantasma” e dedicaram muito espaço dos seus cadernos esportivos para a conquista.



Quase dois meses depois, o que se vê é a parte de esportes dos jornais “refém” dos assuntos relacionados ao Operário. A equipe sub-20, que disputa o paranaense da categoria, vem em fase ruim, mas continua estampando a capa dos cadernos esportivos do Diário dos Campos (DC) e Jornal da Manhã (JM) durante quase toda a semana. Talvez a questão não seja os resultados da equipe, mas a relevância do assunto para a população.

Um exemplo de tal hipótese é a veiculação da matéria que fala da criação de uma equipe do Operário no Paranaense de Futebol Society. Ao ler a nota publicada nos jornais, fica evidente que a equipe não está relacionada ao time que representa Ponta Grossa e usa o nome do “Fantasma” como uma forma de obter maior prestígio.



O contraponto positivo está na evolução da cobertura do esporte amador. Mesmo direcionada ao futebol de campo, os jornais aos poucos dão espaço aos atletas “prata da casa” e aos eventos do Município. Outro papel que imprensa escrita de Ponta Grossa parece adotar é o da cobrança. Tímida, mas ela aparece quando, por exemplo, o Jornal da Manhã revela os problemas na montagem da equipe do futsal adulto de Ponta Grossa para os Jogos Abertos do Paraná ou quando o Diário dos Campos mostra os problemas do futebol de campo amador na cidade, que por serem tantos, alguns foram parar na página policial.

Sebastião Neto

Serviço:

Caderno Bola: Jornal da Manhã

Caderno de Esportes: Diário dos Campos

R$ 1,75

De 24 de agosto a 24 de setembro de 2009

26/09/2009

Literatura em teatrinho… de geração a gerações





O Bando da Leitura já foi comentado neste blog, relevando o incentivo à leitura por parte do projeto. Porém, é interessante (re)lembrar uma das atividades que as crianças mais gostam: a dramatização.



Para quem não conhece, o Bando da Leitura é uma iniciativa da professora Lucélia Clarindo, que montou um grupo de leitura no quintal da (própria) casa, em 2007. A participação das crianças do Bairro de Oficinas, cidade de Ponta Grossa (PR), foi tão grande que o Ministério da Cultura, a partir de concurso, escolheu o grupo como Ponto de Leitura, entre um dos 114 reconhecidos no Brasil.

O motivo do sucesso é a forma que as crianças conhecem a literatura. Ao invés de ler por obrigação, teatrinhos e música estimulam a imaginação dos participantes. No grupo, já foram compostas várias canções e dramatizadas muitas estórias em forma de teatrinhos. Qualquer livro que apareça é transformado em uma divertida novelinha e o personagem que mais se destaca é o Saci Pererê.



Além de Lucélia, a parte do teatro fica por conta de Amelu e Luam, filhos da coordenadora do Bando. Luam é músico, da banda Wonderboys, e faz a trilha sonora, muitas vezes improvisada na hora da apresentação do teatrinho. Amelu contribui com a sua experiência em dança e artes cênicas. A família resolveu passar seus conhecimentos para crianças que, talvez, não teriam acesso à arte com tanta liberdade. Sem dúvida, um gesto digno de registro público!

Tuanny Honesko

Serviço

O Bando da Leitura se reúne na Rua Roberto Hauer, número 141, Bairro Oficinas, todas as quartas-feiras às 14h.

O blog do bando é: http://www.bandodaleitura.blogspot.com/

Fotos: arquivo do blog do Bando.

26/09/2009

Amadorismo e diversão em menos de 10 minutos

A dificuldade de se falar sobre cinema nos Campos Gerais é reflexo das dificuldades de produção da sétima arte na região. Isso porque não há repercussão na mídia local, ou até mesmo apoio para quem pretende produzir filmes. Neste contexto, a maioria dos trabalhos pontagrossenses é veiculada apenas pela internet, que dá suporte a diversos grupos de cineastas amadores.

É na internet, mais especificamente no site Youtube, que se pode encontrar um (razoável) acervo de curtas produzidos por dois amigos do curso de Artes Visuais da UEPG. Os filmes têm duração máxima de 10 minutos e reproduzem histórias criadas por Vilmar Doidão e Mané.

Todo o trabalho tem a participação da dupla. Produção de roteiro, edição, trilha sonora. Além disso, alguns amigos contribuem nas atuações e maquiagem na maquiagem.

Pode-se dizer que os curtas produzidos são de bastante amadores e, se não rendem histórias fantásticas, pelo menos é possível dar boas risadas. As produções caseiras não são compatíveis com as necessidades do mercado cinematográfico e, no entanto, não significa que não mereçam espaço. É a criatividade de dois amigos traduzida em diversão para quem estiver disposto a conhecer um pouco mais das produções pontagrossenses.


Vanessa Kruchelski Huk

Serviço

Fotos: Vilmar Doidão

Produção dos Filmes: Vilmar Doidão e Mané

Participação: Estudantes de Artes Visuais

Exibição: Youtube (www.youtube.com)

26/09/2009

A primeira mulher pode ser a última





“E disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só’. Cabia também a variação: ‘não é bom que a mulher esteja só’”. É dessa forma intrigante que o escritor Miguel Sanches Neto inicia seu novo livro “A Primeira Mulher”. Obra que prende a atenção do leitor pela narrativa fascinante e trama complexa. O livro aborda a temática crise existencial associada a conflitos políticos, onde um emaranhado de acontecimentos liga seus personagens, apanhando-os num enredo de dilemas e enganos.



O personagem central do romance é o professor Carlos Eduardo Pessoa. Um homem de quarenta anos que evidentemente sofre da Síndrome de Peter Pan (se recusa a crescer) – mantém casos com suas alunas da faculdade e não se envolve sentimentalmente com ninguém. Não tem amigos e cultiva uma rotina confortável e egoísta, evitando assim o convívio social. Até que uma reviravolta do destino o coloca frente a frente com a primeira mulher de sua vida. A partir de então o autor traça o amadurecimento forçado pelo qual Carlos Eduardo poderá ou não passar. Tudo depende de suas escolhas.

Miguel Sanches Neto é considerado como o melhor autor de sua geração, mora em Ponta Grossa, e é professor de Literatura Brasileira na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Já escreveu mais de vinte livros, e entre os mais conhecidos estão os romances: Chove sobre minha infância e Um amor anarquista.

Gisele Manjurma

Serviço:

Título: A Primeira Mulher

Autor: Miguel Sanches Neto

Editora: Record

Edição: 1a. edição, 2008

Idioma: Português

Número de páginas: 335 páginas

Área: Literatura Brasileira

Preço: R$ 40,00

Fotos: Divulgação

26/09/2009

Santo de casa não faz milagre!



Há 10 anos na estrada, a Interprise Banda Show, da cidade de Ponta Grossa, se apresenta fazendo covers de artistas nacionais e internacionais. Com jogos de luz, telões que transmitem clipes das músicas que são apresentadas no palco, bailarinas e com uma estrutura de som que faz o chão tremer quando a banda começa a tocar, os músicos são uma boa opção para festas de casamento e formaturas.



E é isso mesmo! Dificilmente os artistas se apresentam além das festas citadas. Um dos prováveis motivos é a falta de composições próprias. O repertório da banda conta com boleros, músicas românticas, axés, pagodes, sertanejo universitário, além de clássicos como as músicas dos Mamonas Assassinas e Village People.

O ponto forte das apresentações é a abertura dos shows. Em uma alusão ao filme Zorro, uma luta de espadas é encenada enquanto dois músicos interpretam a canção “Corazón yo te pido”. Outro destaque são as coreografias entre os músicos e os bailarinos, fazendo com que os integrantes mostrem entrosamento caracterizando o grupo como uma banda show, onde o espetáculo vem antes de tudo.



Vale ressaltar que a própria cidade não prestigia os músicos. Na agenda de setembro, por exemplo, a cidade de Curitiba recebeu os shows da Interprise por oito vezes, sendo que em Ponta Grossa a banda não se apresentou mais que três vezes. Outros estados como Santa Catarina, São Paulo já receberam a banda pontagrossense, o que assegura que “santo de casa não faz milagre”.

Daniel Petroski

Serviço

www.bandainterprise.com.br

Contatos: (42) 3025-2800

Fotos: Divulgação

26/09/2009

Uma (Ir)radiação Informativa





São poucos os noticiários das rádios de Ponta Grossa que tratam da realidade local. E dos que dão notícias da cidade, boa parte leem os jornais impressos sem ao menos adaptá-los à linguagem radiofônica. Um pouco diferente de tal perspectiva, o programa RS Notícias, da Rádio Sant’Ana, traz – de segunda a sábado – notícias de Ponta Grossa e região feitas, em sua maioria, pelos próprios profissionais da emissora. O que não quer dizer que não haja alguns problemas.



O programa apresentado pelos jornalistas Paulo Silva e Vitor Hugo Gonçalves trata dos principais fatos ocorridos na cidade de maneira clara e direta. Os dois apresentadores falam alternadamente as frases das notícias, o que dá ritmo e dinamismo.

Transmitido do meio-dia às 13h, o programa é um (bom) meio de informação no horário em que a maioria das pessoas está almoçando e ligadas ao rádio. A atração conta ainda com participações ao vivo de correspondentes espalhados pela cidade.

Porém, o mesmo aspecto que dá dinamismo ao programa também pode se tornar um problema. Em alguns momentos, as duas vozes masculinas ficam tempo demais se intercalando, o que pode fazer com que o ouvinte se sinta entediado ou se distraia. Uma voz feminina acrescentaria um ‘diferencial’ ao programa, quebrando a linearidade das vozes masculinas sem perder o dinamismo até em seqüências longas. Outro problema é o excesso de propagandas nos intervalos, o que pode fazer com que o ouvinte se canse e troque de emissora.



Mesmo com uma linha mais ‘antiga e sisuda’, o RS Notícias leva aos ouvintes de Ponta Grossa informação do jeito que poucos programas fazem na região. No entanto, uma ‘leve’ modificada em alguns aspectos do noticiário poderia fazer com que mais ouvintes se interessassem pelo programa. Afinal, modernizar-se em alguns casos se torna necessário.

José Renan Vallim

Serviço

Rádio Sant’Ana AM – 900 kHz

Programa RS Notícias

De segunda a sábado, das 12h às 13h

Apresentação: Paulo Silva e Vitor Hugo Gonçalves

www.radiosantana.com.br

Fotos: Divulgação

26/09/2009

O coração da cidade

Revitalizado em 2009, o calçadão da Rua Coronel Cláudio é o local de maior movimento de pedestres em Ponta Grossa, em média 50 mil pessoas por dia. E após as reformas, realizadas pela administração municipal entre o final de 2008 e início de 2009, o ponto passou a contar com nova iluminação, lixeiras e pavimentação.

O local pode ser considerado uma ‘via popular’, com predominância de lojas, lanchonetes e comércio ambulante de baixo custo. Devido ao grande fluxo de pedestres, a rua não apresenta bancos (ou espaço de descanso ou parada), o que transforma o lugar em ‘ponto de passagem’ e não um ponto de lazer, como ocorre em calçadões de outras cidades paranaenses, a exemplo o de Guarapuava.

Além da falta de bancos, nota-se um excesso de panfletagem quase de imediato ao entrar no calçadão. A distribuição exagerada ajuda a ‘sujar’ o local, pois muitos pedestres jogam o folheto na calçada.



Entretanto, a revitalização e a (nova) lei de modificação das fachadas dos estabelecimentos deixaram o Calçadão da Coronel Cláudio com menos poluição visual. A mudança possibilita uma valorização de elementos culturais da cidade, pois algumas construções arquitetônicas, datadas de 1950, estão escondidas atrás de fachadas e placas.

Considerado por muitos cidadãos como o ‘coração de Ponta Grossa’, o calçadão da Rua Coronel Cláudio é o local princesino por onde passa todos os dias diversas vidas pontagrossenses, tornando o lugar um misto de pressa e contato corporal.



CarlaYarin

Serviço:

Calçadão da Rua Coronel Cláudio

Ponta Grossa – PR, CEP 84010120

22/09/2009

Que a evolução continue…

O Crítica de Ponta completa quase 7 meses de postagens e o aumento da qualidade temática e textual em relação aos primeiros posts são visíveis. O curso de jornalismo dispõe de muitas matérias, teóricas e práticas, que se refletem no amadurecimento da escrita de seus acadêmicos. Pode-se notar a constante evolução em todos os aspectos das críticas, desde a escolha do tema, até a maneira de expô-las.

Nesta edição, os títulos, mais uma vez, estão criativos e atemporais. Destaque esta semana para a crítica da editoria musical, a linguagem clara e coloquial combina com o assunto pautado, bem como os argumentos expostos são muito verdadeiros. A editoria de literatura é inovadora ao escolher um aspecto econômico da literatura, pautando a popularização da leitura no país, o que é muito válido.

Sem criticar, mas apontando, na editoria de rádio a escolha de um programa interno da universidade pode parecer, aos leitores, bairrismo, apesar da boa iniciativa de mostrar os trabalhos acadêmicos à comunidade.

Por outro lado, como nem tudo são flores, ainda se encontra errinhos de digitação, puro descuido. No texto sobre teatro, a autora qualifica as peças como mais “despreocupadas” do que as apresentadas em grandes palcos a grandes audiências, porém não explica com clareza o que isso vem a ser.

O texto da editoria de impresso é basicamente descrição, deixando a crítica para o último parágrafo. O autor crítica que dois jornais locais distintos abordam visões diferentes sobre Ponta Grossa em seus especiais de aniversário da cidade. Mas, não é mesmo a pluralidade que traz o diferencial? Não há coisa mais frustrante do que se dar ao trabalho de ler um jornal com notícias das quais já se tem conhecimento? É importante que os meios forneçam opções, possibilidades de escolha. Assim, podemos nos sentir mais tranquilos quanto à democracia da informação.

Giabrielle Amaral