Posts tagged ‘Antonio Correia’

11/11/2013

Olhares atentos à cidade

           ombudsman
        Os estudantes de Jornalismo têm aplicado um olhar diferenciado sobre os produtos analisados. E, por incrível que pareça, têm prestado atenção às orientações e apontamentos feitos pelo Ombudsman.
         Na crítica Voz aos bairros Ponta-grossenses, a autora evitou o “coleguismo”, algo difícil ao criticar uma produção do próprio curso de Jornalismo UEPG. A análise reforça os aspectos positivos do Jornal Comunitário como a problematização e pluralidade de fontes. Por outro lado, critica as falhas técnicas do projeto. Merece o destaque da semana!
           Os textos demonstram que os alunos circulam cada vez mais pela cidade, observando aspectos do cotidiano que passam despercebidos pela maioria das pessoas. É o caso da crítica “As tripas e o coração de Ponta Grossa”A autora descreve o terminal central de ônibus, falando sobre as pessoas, o ambiente e interações que ocorrem ali. E para o título utilizou uma metáfora criativa.
       A observação atenta à cidade também pode ser encontrada nas editorias Pratos e Drinks Em cena. Enquanto a primeira dá visibilidade ao carrinho de espetinhos, a segunda descreve uma peça teatral realizada em pleno calçadão. Entretanto, nenhuma das críticas traz fotos ou imagens, o que poderia contribuir ainda mais com a análise.
           Novamente, a editoria Vitrola surpreende. O texto revela as influências do estilo musical, letras e até mesmo características do público da banda criticada. O autor demonstrou amplo conhecimento sobre o tema abordado.
          As editorias Livro Aberto Antena apostam na descrição dos detalhes como ferramenta principal de análise, mas não deixam bem claro o posicionamento dos autores. Ao contrário da crítica Entre Linhas, na qual foram utilizados dados para sustentar a argumentação. Já a editoria Projetor conseguiu avançar em relação aos textos anteriores, pois a autora soube equilibrar descrição e crítica, sem deixar o texto confuso ou cansativo.
           Enfim, o 41º Festival Nacional de Teatro (Fenata) está aí. É a hora dos estudantes demonstrarem tudo que aprenderam durante o ano e ousar nas críticas.
Antonio Correia
11/11/2012

Um festival paralelo que se tornou adjacente

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Entre os dias 9 e 10 de novembro, mostra paralela recebe grupos da cidade em local inadequado e com público reduzido

Ah, como é bom saber que os grupos cênicos da cidade novamente ganham espaço na 40ª edição do Fenata! Justamente foi pela iniciativa do teatro local que o festival surgiu. Mas ao se deparar com as apresentações realizadas nos dias 9 e 10 de novembro no Shopping Antarctica, centro de Ponta Grossa, percebe-se que a categoria paralela perdeu um pouco desta magia. Adjacente? Pois segue em uma direção oposta ao festival.

A primeira indagação que surge é sobre o espaço das apresentações: o Shopping Antarctica. Ficou claro que o local improvisado com uma lona preta ao redor não era adequado para as peças. Os atores tiveram que competir com ruídos da praça de alimentação e até de uma furadeira. Então, por que não realizar a mostra em um dos vários espaços culturais da cidade?

Outra falha da organização foi a ineficiente divulgação. As apresentações não constavam na programação do evento, por isso poucas pessoas souberam da mostra. Além disso, muitos sequer conseguiram chegar ao último andar onde foram exibidas, já que não havia nenhuma orientação na entrada do shopping.

No dia 9, o grupo ‘Corte Seco’ apresentou duas obras de Tenesse Willians. A estratégia utilizada foi a leitura dramática, em que os atores leem as falas dos personagens e interpretam através da oralidade, sem figurino nem cenário. Ambas as peças têm um enredo introspectivo, voltado às relações sentimentais. Os atores se esforçaram para dar vida aos personagens. A relação de proximidade com a plateia foi mal aproveitada. Uma ideia seria convidar pessoas do público para ler algumas falas. Parece ousadia, mas surpreenderia o público.

Já no dia 10 foi a vez do grupo ‘Letras cênicas’ apresentar a peça Sacerdócio. Embora também tenham utilizado a leitura dramática, o efeito foi totalmente diferente. O grupo explorou as sensações do espectador, com iluminação discreta e sinos pendurados logo na entrada. O enredo trata de monges copistas e mostra um pouco dos seus rituais nos claustros.

Tais montagens podem não ter atingido um grande público, nem surpreendido os espectadores de forma convincente. Mas revelam a iniciativa dos grupos teatrais da cidade em retomar o espaço que ficou vago por muitos anos. Quem sabe nos 50 anos de Fenata, não se pode ter esses mesmos grupos se apresentando novamente em amostras competitivas? Isso é o que os admiradores do teatro local aguardam ansiosamente.

Antonio Correia

 

Serviço:

Mostra paralela do 40º Fenata, realizada em 9 e 10 de novembro no Shopping Antarctica.

Peças: Fala comigo doce como a chuva e Esta propriedade está condenada (09/11)

Grupo: Corte Seco – Ponta Grossa

Elenco: Gabriel Vernek, Carol Oliveira e Francine Neves

Direção: Fernando Meira

Peça: Sacerdócio (10/11)

Grupo: Letras Cênicas – Ponta Grossa

Elenco: Viviane Oliveira e Heloisa Frehse

Direção: Carlos Alexandre de Andrade

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21/09/2012

Salve, salve o direito à cidadania

 

TV Educativa realiza cobertura do desfile de aniversário da cidade, com riqueza de imagens e poucas novidades

Ponta Grossa comemorou 189 anos no último dia 15 de setembro. A data é marcada pelo tradicional desfile cívico no centro da cidade. Participaram do evento em 2012 67 instituições, entre escolas, organizações militares, empresas privadas e outras entidades.

A TV Educativa (TVE PG) transmitiu o desfile ao vivo em rede aberta. Essa é uma opção para os moradores que não puderam acompanhar o evento pessoalmente. A emissora fez a cobertura do desfile em sua totalidade. Assim, todas as organizações que passaram pela Av. Vicente Machado tiveram visibilidade.

A disposição das câmeras, posicionadas próximas ao ‘palanque das autoridades’, trouxe variedade de enquadramentos. Os apresentadores forneciam informações e dados históricos sobre quem desfilava, agregando valor documental à transmissão. Por outro lado, comentários elogiosos à atual gestão municipal empobreceram o caráter objetivo a que se propuseram.

A emissora apresentou dificuldade em trazer novidades ao telespectador, pois o evento se repete todos os anos, sem muitas variações. Outra adversidade foi desviar a câmera das vorazes “formiguinhas”, que insistiam em fazer propaganda política na comemoração do aniversário da cidade. Faltou consciência a alguns candidatos que disputam a Prefeitura de Ponta Grossa, que não respeitaram o momento de civismo.

Coberturas como essa são fundamentais para democratizar as manifestações de rua. Afinal, nem todos podem acompanhar tais eventos, já que a cidade não possui um transporte público de qualidade. Vale ressaltar que a TV Educativa é uma emissora pública e apenas cumpre seu papel de informar os cidadãos princesinos.

Antonio Correia

 

Serviço:

Transmissão ao vivo do desfile de 15 de setembro

TV Educativa de Ponta Grossa: canal 58 da TV aberta

Horário: reprise no sábado dia 22, a partir das 9h

03/08/2012

Senhoras e senhores, a peça está no ar

Auditório da Rádio Clube recebe a “A Rainha do rádio” e volta a ser uma opção de espaço cultural em Ponta Grossa

     A escada com degraus íngremes. O tic-tac interminável do relógio na parede. As cadeiras estreitas de madeira. O palco e o microfone sobre a mesa. Este cenário já foi mais frequentado pelo público princesino, mas faz parte da memória de quem viveu na era de ouro do rádio.

     O auditório da Rádio Clube Pontagrossense, fundada na década de 1940, tem capacidade para aproximadamente 200 pessoas. O local já foi palco de programas ao vivo e entretenimento. Um espaço de sociabilidade que já divertiu e encantou, mas hoje amarga a decadência.

Foto: Antonio Correia

    Com o intuito de revitalizar o ambiente, bem como resgatar algumas histórias ali vividas, a casa de artes Helena Kolody promove a peça “A Rainha do rádio”, encenada por Bárbara Copque e dirigida por Emerson Rechenberg. O enredo se passa em uma época de censura. Após ser demitida, uma radialista decide falar o que pensa em uma cidade do interior onde persistem valores conservadores. Sua fala quebra a ideia do politicamente correto e faz refletir sobre o papel e repercussão do rádio nas relações sociais.

     A peça possibilita o contato com o espaço do auditório, desconhecido por muitos princesinos. O local, no entanto, revela problemas de estrutura. As cadeiras de madeira são apertadas e rangem quando o espectador se acomoda. A iluminação é precária. Quando chove, as goteiras são visíveis e causam ruídos.

    Necessidade de reforma? Talvez esses detalhes sejam o reflexo da atual situação da comunicação radiofônica e contribuam para o tom nostálgico que perpassa o auditório. A realização da peça neste espaço é uma estratégia de resgate cultural da cidade.

                                                                                                                                                                                                                       Antonio Correia

Serviço:

Local: Auditório da Rádio Clube Pontagrossense, Rua XV de Novembro, 344, Centro

Aitividade: Peça “A Rainha do rádio”, de José Saffioti Filho, promovida pela casa de artes Helena Kolody encenada por Bárbara Copque e dirigida por Emerson Rechenberg

Data: Última apresentação dia 4 de agosto, às 20h30

Ingresso: R$ 20,00 a inteira e R$ 10,00 a meia entrada

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08/06/2012

Um Arlequinal de paixões e risos

Peça do gênero Comédia Del’Arte adaptada para os palcos, valoriza  o humor e a interação com a plateia

Arlequim é um criado apaixonado por uma dama chamada Ricciolina. Ele descobre que o seu senhor Pantaleão tem o mesmo sentimento pela moça. Assim, o esperto criado, faz de tudo para conquistar Ricciolina e impedir que o senhor case-se com ela. Esse é o conflito que origina a peça ‘As espertezas de Arlequim’, apresentada no Circuito Sesi Cultural, realizado mensalmente em diversas cidades do Paraná.

Escrita por Roberto Innocencio, a produção é baseada na Comédia Del’Arte, na qual os personagens utilizam máscaras. Este gênero teatral tem como principal característica a interação com o público. Neste aspecto As espertezas de Arlequim cumpre seu papel. Antes da peça, os atores cantam e conversam com a plateia, o que serve como descontração e aquecimento de voz.

Foto: Antonio Correia

Originalmente a peça foi desenvolvida para ser encenada na rua, mas quando foi adaptada para os palcos, inevitavelmente, sofreu alterações em sua estrutura. A iluminação frontal inferior causa um exagero de brilho no rosto dos atores, o que dificulta a visualização de quem está na primeira fileira. Os diálogos são simples e de fácil assimilação, porém utilizam termos ingênuos, que tornam o enredo previsível.

Em alguns momentos da peça, um dos personagens fica esquecido. O enredo, enriquecido com piadas, cantigas e acrobacias, assemelha-se à produção circense. A peça revela o bom entrosamento entre os atores, bem como seu esforço em conquistar o espectador. O resultado são as constantes gargalhadas que soam da plateia, presenteada com um final surpreendente.

                                                                   Antonio Correia

Serviço:

Atividade: Peça ‘As espertezas de Arlequim’;

Realização: Circuito Sesi cultural, realizado mensalmente no Paraná;

Data: 18 de maio (última apresentação em Ponta Grosa);

Local: Centro de Cultural (também apresentada no Calçadão Cel. Cláudio em edições anteriores);

Classificação indicativa: Livre;

Entrada: Franca.

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18/05/2012

Vida de um gauche contada no cinema

Documentário propõe análise descritiva e pouco crítica sobre escritor do século XX

 

Retratar a vida de um ilustre poeta brasileiro. Este é o propósito do documentário Poeta de sete faces, escrito e dirigido por Paulo Thiago em 2002. Com duração de 94 minutos, a produção conta a trajetória de Carlos Drummond de Andrade, falecido em 1987. O filme foi exibido e discutido em 28 de Abril, no projeto Diálogos entre Literatura e Cinema, realizado pelo Departamento de Letras da UEPG.

A ideia do título refere-se ao Poema de sete faces publicado em 1930. Nele, Drummond faz algumas críticas sociais e se considera um gauche, uma figura ‘esquerda’, excluída da sociedade. Nesse contexto, o documentário revela a vida e obra de Drummond, desde momentos que perpassam a juventude até os instantes que antecederam sua morte. Com tantas informações, o espectador pode sentir dificuldade em compreender a obra, sobretudo aquele que não teve contato com a literatura ‘Drummondiana’.

O ator Carlos Gregório interpreta o papel principal de forma satisfatória. Além de semelhanças físicas, a interpretação traça quase fielmente o perfil do personagem, marcado pelo silêncio. No decorrer da história, pode-se observar características da personalidade de Drummond, um funcionário público e mero observador da realidade.

Foto: Divulgação

A obra é enriquecida com música, dança e teatro que dinamizam o enredo. Porém, a diversidade deixa a poesia em segundo plano. Trechos e estrofes de textos menos conhecidos poderiam ser citados e comentados no filme. Enfim, o Poeta de sete faces revela a dificuldade biográfica em resgatar a vida de um autor cuja obra é vasta, mas que não tinha interesse na fama.

Antonio Correia

Serviço:

Documentário “O poeta de sete faces” (Brasil, 2002)

Autor e direção: Paulo Thiago

Duração: 94 minutos

Classificação: livre

Como assistir: Disponível em DVD, pode ser comprado pelo site: http://www.interfilmes.com/filme_14195_poeta.de.sete.faces.html

Também está disponível no Youtube dividido em 9 partes: http://www.youtube.com/watch?v=nIaiw_ZC08k

06/04/2012

Conexão, cultura e telespectador

Programa de televisão exibido pela TVM traz curiosidades sobre a cultura da região e revela talentos

Informação, entretenimento e uma dose de cultura local. Essa é a receita para um programa televisivo regional de qualidade. Nesse aspecto, o programa ‘Conectados’ faz o seu papel. Apresentado por Igor Rosa e exibido pela TVM, canal 14 do sistema a cabo local, a produção é voltada ao público jovem e estudantil. Também já foi transmitido em rede aberta pela TV educativa de Ponta Grossa, há poucos meses atrás.

A linguagem utilizada é informal e descontraída o que facilita a identificação com o telespectador. O foco é a cultura dos Campos Gerais. São realizados concursos artísticos, gincanas entre escolas e apresentações de artistas da região. Deve-se destacar a importância do programa como meio de visibilidade aos nossos talentos, que em geral, não ganham espaço na mídia hegemônica.

Um ponto a ser melhorado é a técnica da produção. Durante a exibição aparecem alguns cortes esquisitos e erros de enquadramento. O áudio não é bem balanceado. É preciso baixar o volume do aparelho, o que poderia ser corrigido no momento da captação.

Nascido em Ponta Grossa, o apresentador Igor Rosa sempre esteve presente no meio artístico, sobretudo na área musical. Ele mostra postura e liberdade à frente das câmeras. Sua entonação de voz é forte, adequada a um locutor. É carismático e conquista o público com facilidade.

O programa Conectados ganhou o prêmio revelação da imprensa em 2011 pela Aplicef (Associação Pontagrossense de Lideranças Comunitárias e Filantrópicas). Mas é preciso expandir a abrangência para outros limites da região. Abordar características peculiares, ainda não exploradas. Assim, terá o potencial de substituir as atuais opções televisivas que a mídia oferece e cativar um público cada vez mais conectado.

Antonio Correia

Serviço:

Programa Conectados exibido ao vivo pela TVM, segunda às 20h e sábado às 14h

http://programaconectados.wordpress.com/

E-mail: igorconectados@hotmail.com

Telefone: (42) – 9930 1750