Posts tagged ‘marina demartini’

25/11/2012

“Lava bem, lava bem a sua marreca”

Apesar de entoar músicas alemãs conhecidas, bandas germânicas não atraíram grande público no pavilhão da München Fest

Em 1989 nascia um dos mais tradicionais eventos alemães do Paraná, a Festa Nacional do Chope Escuro de Ponta Grossa (München Fest). Com atrações advindas da Alemanha, como a banda Götz Buam, o festejo possuía o caráter de reunir a população para ouvir canções germânicas e consumir pratos típicos e, é claro, o chope – tanto o claro, quanto o escuro. Contudo, com o decorrer de suas edições, esse costume alemão perdeu seu espaço para bandas que entoam músicas sertanejas, pagodes e rock. O famoso ‘Zig Zag, Zig Zag, Oi Oi Oi’ agora serve apenas como um plano de fundo da festa.

No primeiro dia (23/11) de festividades da 23ª München Fest, os foliões tiveram a oportunidade de ouvir as canções alemãs orquestradas pela banda ‘Alma Germânica’, que participou em 2012 da Oktoberfest em Blumenau (SC). No entanto, o número de pessoas era baixo em comparação com o palco principal da festa, que estava cheio à espera da dupla sertaneja Thaeme e Thiago. Com o uso de roupas alemãs, nas cores rosa e preta, e instrumentos musicais variados, o grupo conseguiu animar as poucas pessoas presentes.

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Foto: Divulgação

Se antes não tinha muitas pessoas no pavilhão, com o início da atração principal, o local ficou quase vazio – quase, pois ainda era possível observar algumas famílias. Após a apresentação de Thame e Thiago, o pavilhão voltou a ficar mais ocupado. Contudo, não devido às músicas alemãs, pois os grupos que estavam tocando escolheram canções típicas de festas universitárias, como sertanejos e pagodes. Será o fim do ‘Ein Prosit’ e até do chope, e o início da caipirinha e do ‘Ai, se eu te pego’ na München Fest?

Marina Demartini

Serviço:

Festa Nacional do Chope Escuro – München Fest

Local: Centro de Eventos de Ponta Grossa

Data: 23 de novembro até 03 de dezembro

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Podem ser adquiridos nos

Supermercados Tozetto, Shopping Antarctica, Rede de Postos BV, Shopping Palladium e Play Conveniências

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12/11/2012

“É coisa de Deus e o Diabo, lá nos confins de Ponta Grossa”

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Adaptação teatral do filme ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ utiliza sonoridade para atrair o público

O sertão virou mar na noite de domingo, do Fenata. O espetáculo Deus e o Diabo na Terra do Sol lotou as cadeiras do local e emocionou centenas de espectadores, ainda que muitos nunca tenham ouvido falar de Glauber Rocha e seu cinema novo. Com uma sonoridade em sua total amplitude, a adaptação teatral trouxe algo que faltava no longa-metragem: a melodia do maracatu, do maculelê e do afroaxé. Ao invés do filme, em que a música de Sergio Ricardoe Villa-Lobos e as letras de Rocha apenas serviam de pano de fundo para a cena, o espetáculo da Cia Provisória conseguiu utilizar o carron, o pandeiro e o violão para completar a peça, quase a transformando em musical. Porém, a batida do carron ainda não foi suficiente para marcar as cenas mais pesadas, principalmente na luta final do espetáculo.

Apesar do espetáculo possuir o nome de Deus e o Diabo na Terra do Sol, existem também cenas retiradas de outros quatro filmes de Glauber Rocha: O Dragão da Maldade Contra o Santo GuerreiroA Ira de Deus e Terra em Transe. A escolha de outros longa-metragens consegue trazer a visão do diretor Jefferson Almeida, ao invés de ser uma simples reconstrução do filme de Rocha.

Foto: André Jonsson

Poucas ressalvas podem ser feitas sobre a peça. No entanto, uma cena que marcou foi a decepação do pênis de um dos personagens. Quando o pano passa rente ao homem castrado, parecia que ele iria ser levado para fora da cena, contudo ele fica parado e minutos depois está em pé e sai do tablado. Nesse momento, faltou estética por parte do diretor, que deveria ter utilizado de estratégias como a dança – que é muito presente no espetáculo – para retirar o personagem da peça.

Além da harmonia sonora, o espetáculo também possui um cenário impecável em tons de amarelo, construindo um deserto, uma caatinga advinda do sertão nordestino. O sol pintado em cena traz uma amplitude e consegue ‘engolir’ até o espectador que está nas últimas fileiras do auditório. Apesar de ser um filme difícil de compreender, a adaptação consegue mostrar com facilidade a realidade do povo nordestino e a dualidade do ser humano, que possui o Deus e o Diabo em seu âmago.

Marina Demartini

Serviço:

Peça: Deus e o Diabo na Terra do Sol

Grupo: Cia Provisória

Diretor: Jefferson Almeida

Cidade: Rio de Janeiro – RJ

Duração: 75 minutos

Classificação: 16 anos

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28/09/2012

‘The Coffee, Burguer and Music Song’

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Como a canção de Sinatra ‘The Coffee Song’, o Grená – Boutique e Café une o bom café ao velho samba

“Estamos tal e qual, bem misturados, feito café com leite”. Ou com groselha, com suco de laranja, uísque, rum ou, até mesmo, sorvete. Simone retratou de forma analógica as paixões brasileiras: o café e o amor, algo que o ‘Grená – Boutique e Café’ conseguiu melhorar no século XXI, no primeiro caso. A quantidade de bebidas cafeinadas no cardápio do local, desde gelados, alcoólicos até quentes e naturais, adapta-se ao gosto de qualquer pessoa e também ao bolso, pois alguns são elaborados com vários ingredientes e não ultrapassam a marca dos R$ 8,00.

Além do ambiente de serenidade que o cheiro do café exala pelo estabelecimento, a música também harmoniza com melodias relacionadas ao samba, a bossa nova e o blues. Outro fator é a iluminação, feita por postes de luz antigos – que relembram tempos remotos, talvez até esquecidos.

Foto: Divulgação

Reservado, porém animado, o ‘Grená’ explora o universo dos temperos nos mais variados pratos. O Cheeseburguer Tradicional oferecido pelo estabelecimento tornar-se-ia comum, se não houvesse os condimentos inseridos na carne do hambúrguer de 200 gramas. Ao experimentar os primeiros pedaços da carne percebe-se os toques de ervas finas, bacon e canela. As sensações ao degustar o cheeseburguer são diferenciadas, talvez por isso o chefe de cozinha não divulga os condimentos utilizados na receita.

Outro atributo do lugar é a união de uma Boutique com um Café, um conceito inovador. Com bom atendimento, bebidas e pratos simples – porém elaborados – o ‘Grená – Boutique e Café’ transporta o conceito de tomar o ‘pingado’ para outro nível: o da apreciação.

Marina Demartini

Serviço:

Grená – Boutique e Café

Endereço: Rua 7 de setembro, 1232

Horário de atendimento: 08h às 18h (Boutique) e das 11h às 22h (Café)

Contato: (42) 3025-4769 ou http://www.grenaboutique.com.br

Observação: reservas podem ser feitas no local

Etiquetas:
07/09/2012

Sucesso apenas na nomenclatura

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O uso comercial da Rádio Web Sucesso tem música em demasia e quase não traz informações sobre a cidade

A rádio web surgiu como uma possibilidade de unir a internet e a comunicação em um só local. Algumas estações radiofônicas tradicionais utilizam a mesma programação na transmissão analógica por ondas e na internet. No entanto, as rádios na web têm a possibilidade de publicar fotos, anúncios e vídeos nas páginas do site, o que proporciona uma renda maior aos profissionais responsáveis. Mudando um pouco da teoria para a prática, o que realmente é transmitido nas rádios web?

Crédito: divulgação

As ondas radiofônicas foram utilizadas, primeiramente, como um meio de transmitir o aprendizado, a educação e a difusão da cultura de um povo. Já a rádio web surgiu sem um pretexto, apenas como mais um meio de comunicação. Em Ponta Grossa existem poucas e as que existem não são usadas para servir à população. Um exemplo disso é a Rádio Web Sucesso, que tem em sua programação alguns programas como o ‘Sintonia Apaixonada’, o ‘Arena Sertaneja’ e o ‘Você em Foco’. Pode parecer uma grande variedade de assuntos, porém todos mostram um únicopropósito: a transmissão de músicas populares.

A sinopse do ‘Você em Foco’ mostra um programa de humor, fofocas, comentários e sátiras. Contudo, o que roda são canções e um bloco denominado de ‘Sala de Visita’, onde ‘famosos’ são entrevistados. Parece que a Rádio Web Sucesso é utilizada como plataforma publicitária para outros veículos de comunicação. Com muitas promoções, a rádio serve mais para entreter a população e não informá-la, mesmo que um dos tópicos do site seja relacionado às notícias, o que termina em apenas autopromoção.

Marina Demartini

Serviço:

Rádio Web Sucesso

Site: http://www.radiosucessoweb.com

Programação: divulgada no site

10/08/2012

‘Quem ainda não perdeu a linha, então a hora é exatamente essa’

Com projeto paralelo ao Monobloco, Pedro Quental e Sérgio Loroza animam o público com versatilidade e harmonia

Como diz Sérgio Loroza, em uma de suas apresentações pelo Monobloco, se você ainda não se animou com nenhum show de qualquer gênero musical, então o momento é esse. O Monobloco nada mais é que um grupo de amigos que decidiu se reunir para batucar e com harmonia e baterias conseguiu unir o samba, o rock e o funk em um só lugar. Desde 2000, a banda musical é formada por cerca de 20 integrantes que animam festas e carnavais por todo o território brasileiro.

 Um dos primeiros integrantes que participaram do grupo foi Loroza que, além de cantor, também é ator e compositor. Foi com a voz grave e gutural que ‘Serjão’, como é comumente conhecido, conseguiu conquistar o público. Além do ex-vocalista, o Monobloco também tem no atual elenco o cantor, compositor e instrumentista Pedro Quental, que consegue trazer seus arranjos advindos do MPB para os palcos. Durante todas as gravações, desde o CD “Monobloco 2002” até o “Monobloco – Ao Vivo”, Quental e Loroza mostraram companheirismo e sincronia ao entoar canções como ‘Taj Mahal’, ‘Tropicana’, ‘Pro Dia nascer Feliz’ e ‘Filho Maravilha’.

Quem ainda não teve a oportunidade de ver a dupla se apresentar, então essa é a hora, pois tanto Loroza quanto Quental estarão em Ponta Grossa para participar dos Jogos Inter Atléticas (JOIA) em agosto. Talvez, esse seja o momento para os adeptos do rock, do sertanejo ou de qualquer meio musical deixar o preconceito de lado e sentir a harmonia da bateria, das vozes dos cantores e a melodia que a mistura do samba, do funk e do MPB pode proporcionar.

Marina Demartini

 

Serviço:

Show de Sérgio Loroza e Pedro Quental

Local: Centro de Eventos de Ponta Grossa

Dia: 24 de agosto de 2012

Valor dos ingressos: R$ 40,00

Horário: Não divulgado

08/06/2012

Um guia? Um portal? Uma rede social? Ou nenhum?

‘Guia dos Campos’ peca na divulgação de informações sobre Ponta Grossa e região e exagera na publicidade

Ninguém gosta de receber um folder no calçadão ou a maioria, simplesmente, ignora as pessoas que o entrega. Caso chegue a ler esses papéis, a última coisa que se espera embolsar é um site de notícias. Porém, o ‘Guia dos Campos’, recém lançado em Ponta Grossa, decidiu utilizar a antiga técnica do oferecimento de folhetos para a divulgação do portal, guia ou rede social.

A idéia de criar um portal que envolva cultura, informações sobre a cidade, uma rede social empresarial e interatividade é digna de ousadia, no entanto uma tarefa árdua que o ‘Guia dos Campos’ não conseguiu cumprir. Ao começar pela agenda, que divulga apenas shows universitários e esquece os eventos que promovem a cultura dos Campos Gerais. Outro agravante é o anúncio de notícias de empresas jornalísticas já consolidadas na região, sem ao menos investigar as informações constatadas na matéria. Parece que as notas são apenas ‘jogadas’ no site, transformando-o em algo desorganizado visualmente.

O objetivo do portal, de unir as empresas e a sociedade ponta-grossense em um só local, demonstra inovação. Os atalhos das minipages, no canto superior direito da página, relembram a necessidade da comunicação dos micro-empreendimentos da cidade com o público. Contudo, os organizadores d’O Guia dos Campos precisam ter cuidado para não tornar esse serviço em publicidade.

Desde 2012 nas ondas da web, o site ainda tem um longo caminho na sua consolidação, entretanto já precisa de uma nova repaginação com menos propaganda e mais informação.                                                                                                                                             Marina Demartini

                                                                                                                       

 Foto: Divulgação

Serviço:

Site: www.guiadoscampos.com

Contato: (42) 3025-1648 ou contato@guiadoscampos.com

18/05/2012

Pré-história atual aos olhos estrangeiros

Nascida nos Campos Gerais, autora de livro alerta população sobre a depredação de artes rupestres em Piraí do Sul

Já estava na hora de uma obra sobre as pinturas rupestres na região dos Campos Gerais. Nada mais justo que uma autora nascida em Piraí do Sul fizesse este trabalho. Cinara de Souza Gomes, desde pequena na fazenda de seus pais, interessava-se pelos desenhos ‘diferentes’ nas rochas, e adulta tornou-se historiadora. Como forma de realizar os sonhos de menina e alertar o governo sobre a depredação da arte pré-histórica estadual, ela escreveu o livro As representações geométricas e zoomorfas da tradição planalto – A arte nos Campos Gerais.

A obra é dividida em quatro capítulos que tentam, respectivamente, revisar a cronologia dos registros das pesquisas realizadas por Cinara, as tradições pré-ceramistas Umbu e Humaitá, a memória rupestre e, por último, uma avaliação dos sítios arqueológicos de Piraí do Sul. A estética do livro é bem apresentada com o uso de várias imagens e ilustrações, fazendo com que o leitor sinta-se atraído pelo texto.

Com a menção de autores da arqueologia brasileira e internacional, Cinara mostra suas ideias, porém não tira conclusões próprias sobre o assunto. Ao divagar sobre a história da pintura rupestre, a autora esquece suas pesquisas em Piraí do Sul, colocando apenas no último capítulo as observações da arte pré-histórica na região.

Apesar dessa falha, o trabalho de Cinara é valioso para a cultura dos Campos Gerais, talvez do Brasil. Na conclusão, a autora avisa: esta foi apenas ‘a ponta do iceberg’. Espera-se que, em um próximo livro, ela traga um pouco mais da história da região e não se perca em citações de outros autores.

Marina Demartini

Serviço:

Livro: As representações geométricas e zoomorfas da tradição planalto – A arte nos Campos Gerais

Autora: Cinara de Souza Gomes

Editora: Imprensa Oficial do Governo do Estado do Paraná – Secretaria da Cultura

Número de páginas: 87

Preço: Não Divulgado