Posts tagged ‘Keren Bonfim’

22/11/2013

Dança de frutas e leite no liquidificador

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Suco com leite, apesar do custo, pode acompanhar refeições diárias e é uma das opções de refresco para estações quentes

        É consenso: suco é uma das bebidas ideais para matar a sede e refrescar o calor durante o verão. A tradicional mistura de água com frutas é a “queridinha” no cardápio dos brasileiros, principalmente quando se trata do suco de laranja. A inovação vem com a substituição da água pelo leite puro ou leite condensado. A bebida ganha “cores e sabores” novos e quase chega a ser um milk-shake quando alguns ingredientes passam a ‘dançar’ dentro do liquidificador.

         A polpa do morango, por exemplo, juntamente com açúcar e leite, formam uma combinação vantajosa até mesmo para ‘driblar’ a fome. Servida em copos grandes, geralmente, a bebida chega à boca do consumidor com um aspecto espumoso, o que lembra a consistência do sorvete. Mas são só as aparências. Suco com leite pode acompanhar as refeições diárias, como o almoço, sem atrapalhar. Ninguém vai dizer que é “gulodice” tomar suco com leite e comer um bife. Não seria a mesma coisa se alguém resolvesse almoçar ao mesmo tempo em que desce “goela abaixo” um copo de sorvete.

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Foto: Divulgação

        Como nem tudo nesse mundo é ‘cor-de-rosa’ igual a bebida de morango, vale acrescentar que o preço não é lá muito acessível ao bolso, afinal, um copo de aproximadamente meio litro não sai por menos que R$ 2,50. Se comparado ao valor dos refrigerantes de mesma medida, algumas vezes se torna mais econômico deixar o suco para lá. No entanto, se o indivíduo resolve prepará-lo em casa, rende para a boca e o bolso. Ele bebe mais e gasta menos. Basta, portanto, escolher uma fruta ou polpa dessas, ter leite na geladeira e, é claro, um liquidificador para o preparo.

Keren Bonfim

  Serviço: A bebida com diversos sabores pode ser encontrada em restaurantes e lanchonetes da cidade por preço que variam entre R$ 2,50 e R$ 4,00.

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11/11/2013

Criança não quer saber de ‘bolo no peito’

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“O menino detrás das nuvens”, do grupo Os Mancomunados, se arrisca em uma linguagem poética para atrair a atenção dos pequeninos

        No final da apresentação, uma mãe pergunta à filha: “Gostou do espetáculo?”. A garota, de aproximadamente sete anos, responde: “Não é feliz, é triste”. A mãe comenta: “Então você não entendeu nada”. Esse é o resultado de uma peça infantil que resolve trabalhar com uma linguagem subjetiva. “O menino detrás das nuvens” é destinado ao público acima de quatro anos. No entanto, por apostar numa linguagem poética, talvez não atinja o “olhar” dos pequenos.

            A trama gira em torno de um menino do interior que deseja saber o que existia do outro lado do morro. O garoto Zezinho vivia dizendo à mãe que estava com um “bolo no peito”. Sinhana não sabia como lidar com todos os desejos do filho, muito menos com o tal “bolo”. A esperança de Zezinho era partir com o tio, mas seu plano não se concretiza dessa forma, pois o tio morre. E cabe ao menino viajar sozinho.

         Com quatro atores, os personagens se dividem entre a atuação e a narração da história. A música cantada serve – nas palavras do próprio Zezinho – “para acabar com o vazio”. De que vazio se fala? Da utilização de um mundo abstrato para contar uma história. “Beiradinha da ilusão”, descoberta de Zezinho, por exemplo, não é lá muito acessível para uma criança de quatro anos.

Foto: Mariele Morski/ Lente Quente

Foto: Mariele Morski/ Lente Quente

            Momentos em que o personagem principal brincava na chuva e gritava, o público parecia se divertir. Não se quer dizer com isso que toda peça infantil precise ser comédia, mas que criança vai ao teatro para rir. Caso contrário, ficam irrequietas. Afinal, criança não quer saber de “bolo no peito”, quer mais é uma história recheada com bolo de verdade.

Keren Bonfim

Serviço:

Peça: O menino detrás das nuvens

Grupo: Os Mancomunados – Araçatuba-SP

Recomendação: Acima de 4 anos

Direção Geral e Artística: Alexandre Melinsky

Autor/Roteiro: Carlos Augusto Nazareth

Cenografia/ Figurinos/ Sonoplastia/ Maquiagem: Alexandre Melinsky

Iluminação: Alexandre Melinsky e Estevan Alves Gimensez

Operador Som/ Operador Luz: Estevan Alves Gimenez

Produção: Fernando Faria Prado

12/10/2013

Voz e bombardeio de reivindicações no ‘Canhão Informativo’

Jornal mensal produzido pelos servidores públicos de PG mostra a falta de estrutura no cotidiano de funcionários municipais

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Se a vida do servidor municipal de Ponta Grossa não vai bem, o Canhão Informativo denuncia. O jornal, de distribuição mensal, com tiragem de 6.000 exemplares, aborda problemas que os funcionários enfrentam nas mais diversas áreas de trabalho. Na edição de setembro de 2013, o Canhão traz como manchete o atraso no pagamento dos professores da rede municipal e diversas reivindicações referentes ao cotidiano de trabalho dos servidores.

Impresso no formato tabloide, o tom de denúncia ecoa pelas oito páginas. Por isso, o jornal se torna um dos principais meios de comunicação entre sindicato, servidores públicos municipais e governo local. No espaço denominado “Na mira do Canhão”, existem textos e fotos que mostram um exemplo real de obstáculo à vida dos servidores. O alvo do Canhão, na última tiragem, foi o banheiro feminino do 4º andar do Paço Municipal, que estava interditado.

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Foto: Keren Bonfim

Não há um jornalista responsável para as matérias publicadas. No expediente, é possível encontrar apenas os nomes dos responsáveis pela Secretaria de Imprensa e Divulgação, mas o leitor não possui certeza sobre a autoria dos textos. A falta de autoria se repete também em relação ao conteúdo fotográfico. Se por um lado isso representa um ponto negativo, por outro, demonstra um outro formato jornalístico: o sindicalismo dos jornais.

O jornal dos servidores pretende, com breves palavras, noticiar as condições de trabalho dos funcionários. Contudo, matérias mais aprofundadas a respeito do dia a dia do trabalho municipal seriam mais um estampido sonoro nos 24 anos do Canhão Informativo.

                                                                                                            Keren Bonfim

Serviço:
Tiragem: 6000 exemplares
Distribuição gratuita no SindservPG.

Rua Santos Dumont 1234, Centro – Ponta Grossa/PR

16/08/2013

Uma boa “garapada” da disposição

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Bebida extraída da cana-de-açúcar, que traz energia aos consumidores, pode ser encontrado em feiras da Cidade

     O produto tem cor e aparência de gasolina. Faz espuma ao ser despejado e, às vezes, pode adquirir a consistência de um suco de abacaxi. É apenas o líquido natural extraído da cana-de-açúcar. Com essas características e um gosto açucarado, o caldo de cana se torna uma opção de energético para o dia a dia. Diferentemente de outras bebidas, não é encontrado nas prateleiras dos supermercados.

     Embora não seja regra, as máquinas de produção de caldo de cana são instaladas em Kombis. Dar de cara com uma Kombi azul e branca, por exemplo, e esperar que lá dentro estejam várias canas prontas a serem moídas é pretensão demais. Em muitas cidades, o local ideal para encontrar a bebida açucarada são as feiras públicas, como as de terças e sextas feiras que acontecem no Jardim Carvalho, em Ponta Grossa.

DSC_0005Foto: Keren Bonfim

     Lá está a Kombi. As portas laterais abertas denunciam a presença da máquina de preparo. Ao preço de R$ 2,00, é possível adquirir a bebida. E como consumi-la? Gelada ou na temperatura ambiente, com limão ou abacaxi. Fato é que, ao primeiro gole, a garganta estranha o alto teor de açúcar, mas nada que mais dois goles não resolvam a situação. Quando se percebe, um copo de mais ou menos 200 ml foi ingerido goela abaixo. É preciso, porém, resistência para acabar com toda a “garapa”, nome dado ao líquido que resta no recipiente.

     O indivíduo que prepara a bebida é o mesmo que cobra pela venda. Se o consumidor fechar os olhos para as mãos que mexem com a cana e depois pegam no dinheiro, pode saborear um refresco no final da tarde. Se a fome bater, o bom e velho pastel de carne pode acompanhar.

Keren Bonfim

Serviço: O caldo de cana pode ser adquirido todas as terças e sextas feira no Jardim Carvalho. O preço varia de R$ 2,00 a R$ 5,00.

29/05/2013

Soube de uma poesia na calçada

livro abertoPoemas escritos e vendidos por qualquer moeda mostram a vida sob a ótica da tribo urbana dos punks

    Não é preciso ter livros publicados ou muita inspiração para fazer poesias. Basta papel, criatividade e uma motivação maior: a sobrevivência. Em Ponta Grossa, os punks, que ficam no Calçadão da Coronel Cláudio, escrevem sobre os mais variados temas e imprimem o trabalho em folhas de papel branco. Ao caminhar pelo Centro, é muito fácil encontrá-los. Com as roupas pretas características e piercings, eles tentam convencer com um “Olá, posso falar contigo um pouquinho?”.

    Os versos elaborados não pertencem a nenhuma das escolas literárias trabalhadas no Ensino Médio. São livres, às vezes apresentam rimas, outras não. O protesto, porém, está presente no assunto escolhido como o “eu-lírico” poético. O poema “Soube de um mundo”, por exemplo, demonstra a busca por um mundo “sem ódio, sem preconceito, sem rancores e cheio de valores”. A crítica fica presente no final da estrofe, quando o autor escreve que todo o sonho ficou apenas no papel.

Mariana Tozetto - Poema Punk  Keren Foto: Mariana Tozetto

    Os poemas, no entanto, nem sempre são assinados pelos autores. Podem ser escritos pelos grupos que vivem aqui ou em outra cidade, os “brothers” de Curitiba, conforme relatam. Isso, por outro lado, dificulta o reconhecimento do autor que as escreve, pois permanecem no anonimato e o que dizem talvez nunca venha a receber os créditos necessários.

    Juntamente com os poemas, são impressas ilustrações que evidenciam o estilo punk. Desenhos de pessoas com cabelos moicanos sempre aparecem nas bordas das folhas de poesias. Há a tentativa de “ocupar” o papel com a verdadeira ideologia do movimento: autonomia e subversão da cultura.

Keren Bonfim

Serviço: Os poemas podem ser adquiridos no Calçadão de Ponta Grossa por qualquer preço que o transeunte quiser pagar.

12/04/2013

Antes de ensinar, é preciso aprender

na telaPrograma destinado aos idosos apresenta falhas que vão desde a técnica aos conteúdos selecionados para matérias

Tarde de sábado, 15h. Onde as pessoas estão nesse momento? Seja como for, a TVM, canal 14 pela TV a cabo, aposta que é o melhor horário para falar com o público da terceira idade. O programa Vivendo e Aprendendo, de acordo com a descrição apresentada, leva ao público-alvo mensagens de como viver melhor através de palestras e conversas com profissionais de diversos ramos. No entanto, o amadorismo durante as entrevistas e o longo tempo destinado a falas de apenas um entrevistado tornam o programa cansativo.

Apresentado por Celia Schell, Vivendo e Aprendendo tem duração que varia de 40 minutos a 1 hora. Nesse tempo, apenas um convidado conversa e expõe as ideias sobre o tema em pauta na edição da semana. Em muitas situações, as entrevistas funcionam como uma espécie de “adoração” aos entrevistados e pecam no compromisso com o telespectador.

Divulgação

Divulgação

Percebe-se também a clara propaganda em algumas matérias, pois a forma como o conteúdo é trabalhado faz com que pareçam temas de assessorias. Além disso, Celia Schell costuma dizer, entre um programa e outro “’quem cuida do meu cabelo é o salão Record”, o que evidencia o patrocínio que poderia ficar  restrito aos horários de intervalo.

Na técnica, a falta de profissionalismo também prejudica a apresentação. É comum que, enquanto as pessoas falam, cortes abruptos aconteçam e afetem o conteúdo das conversas, sem contar a repetição excessiva de palavras que a apresentadora costuma usar. Os nomes dos entrevistados, em algumas situações, só aparecem depois de um longo tempo de conversa. Mais que ensinar a terceira idade a viver e aprender, é preciso que o programa aprenda a ocupar o espaço disponível e leve ao telespectador conteúdos de qualidade.

Keren  Bonfim

Serviço: O programa Vivendo e Aprendendo vai ao ar pela TVM, canal 14 pela TV a cabo local, sempre aos sábados, às 15h.

27/03/2013

Basta espremer o jornal para sair sangue

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Jornal com circulação nos município de Telêmaco Borba, Tibagi, Curiúva, Imbáu e Ortigueira, dá destaque às notícias mais sangrentas

“Vejam só este jornal, é o maior hospital”. A frase é da música Jornal da Morte, de Roberto Silva. O jornal Expresso se apresenta como o porta-voz das tragédias que acontecem no município de Telêmaco Borba e região. Ao preço de R$ 2,50, o consumidor descobre crimes violentos da cidade e graves acidentes. O veículo possui apenas três editorias (Cidade, Polícia e Geral).

O slogan do jornal – “Diante dos Fatos” – demonstra a intenção de transmitir notícias que acontecem no dia a dia da cidade. O propósito, no entanto, vinga apenas em relação àquilo que, literalmente, possa “derramar sangue” nas páginas do Expresso Notícias. Na edição de 9 de março de 2013, uma das matérias de capa destacou o corpo de uma jovem encontrado em estado de decomposição.

ENTRE LINHAS - DIVULGAÇÃO

Foto: divulgação

Fotos de pessoas machucadas, mortas ou em hospitais são comuns nas matérias. A capa, contudo, mistura o que há de mais sangrento com material publicitário. É possível ver numa publicação, por exemplo, o anúncio de uma empresa que promete “Domínio Visual” através painéis e impressão digital. Por outro lado, domínio visual não existe no jornal, pois é basicamente o colorido e o sangue que chamam a atenção.

Não parece haver preocupação com o limite humano e individual. Se existe morte, é notícia de primeira página. Até mesmo a editoria Geral, que poderia trazer ao público informações mais abrangentes, não foge apelo do sensacionalismo. É possível perceber que, por trás dessa exposição, há um interesse econômico. Afinal, tudo que diz respeito ao ser humano atrai outros humanos (e vende). Embora, expor sangue para conquistar lágrimas está longe da informação pública de qualidade.

Keren Bonfim

Serviço:

O jornal se encontra disponível na plataforma online:

www.expressonoticias.com.br/index2.php

08/03/2013

Causos de quem viu de tudo e criou do nada

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Livro reúne histórias de fé, tradição e criação presentes nos municípios paranaenses

Assombrações, mistérios, causos, aparições. São muitos os nomes dados aos elementos que, por um motivo ou outro, passam a fazer parte do imaginário popular. O livro Lendas e Contos Populares do Paraná, organizado pela Secretaria de Estado da Cultura, busca resgatar contos que fazem parte da história do povo paranaense e transformá-los em documentos da tradição oral. Ao todo, são catalogadas mais de 200 lendas e contos em 97 municípios do Paraná.

Entre noivas assombradas, monges maltrapilhos, santos milagreiros, pragas, milagres, heróis e bandidos, é possível perceber o quanto a cultura popular está presente na sociedade. As histórias são criadas e recriadas o tempo todo através dos relatos de quem viu ou ouviu um causo. Na obra, as versões retratadas também apresentam variações, como é o caso do Monge João Maria, que tanto pode desaparecer após a realização de um milagre ou ser encontrado morto numa certa estrada.

Sejam mitos ou não, os contos também revelam um aspecto presente na cultura brasileira: a fé. A religiosidade, associada aos santos e divindades, permite que o livro deixe de ser encarado apenas como algo fantasioso, pois lá também estão presentes histórias de vida de quem representou um papel fundamental na difusão da crença no país. O tropeiro, figura histórica, é descrito no livro como um dos responsáveis pela propagação da religiosidade.

De versões em versões, as lendas e contos vão se definindo e, diferentemente de outras obras, o livro é escrito basicamente por narrativas de moradores e pessoas dispostas a propalar as histórias dos avós, vizinhos, parentes, conhecidos. É essa coletividade que transforma o livro, de um simples relato, para um repertório de criações humanas. A importância da obra reside no fato de resgatar no cotidiano, aonde a vida pulula, um mundo paralelo, cheio de fantasias e imaginações.

                                                                                                                           Keren Bonfim

Serviço:

O Livro “Lendas e Contos Populares do Paraná” encontra-se disponível no link www.cidadao.pr.gov.br/arquivos/File/parana/livro_lendas.pdf