Archive for Novembro, 2015

25/11/2015

Velhos Amigos, quando o Fenata alegra o calçadão

fenata_logo_reduz_1

Uma peça de rua que mudou a rotina de quem passava pelo agitado Calçadão da Coronel Cláudio

 Todo espetáculo de rua deve ter a essência da interação com os transeuntes, não importa se é apresentado em praça, calçadão ou em uma praia. A peça “Velhos Amigos” do grupo paulistano Bolinho não fugiu dessa regra, fazendo até mesmo os lojistas rirem das encenações.

Os artistas Alexandre Ilha, Danilo Caputto, Diane Boda e Vinicius Ramos interpretavam personagens idosos, retratando suas dificuldades do cotidiano e também na vida amorosa. Com um humor leve e ao mesmo tempo irônico, a montagem agrada pessoas de qualquer faixa etária.

Foto: Victor RibasDSC_0216

A comédia traz ainda a Rádio “Guaraná Sem Rolha”. Dessa forma, a peça transitava entre momentos em que os atores tocavam, imitando um programa radiofônico e demonstrando as peripécias de velhos amigos, como o próprio nome já diz.

Mesmo com o agito do calçadão da Rua Coronel Cláudio, com vários estilos de pessoas, diferentes reações e com algumas intromissões do público, o grupo conseguiu garantir uma boa apresentação.

A dificuldade maior foi na maneira em que o cenário foi montado. Ao invés da tradicional roda, quem acompanhava ficou disperso. Isso diminuiu todo a atenção e apelo que peça merecia.

Com cerca de uma hora e meia de duração, “Velhos Amigos” teve como ponto alto a distribuição de gravatas para os homens e leques para as mulheres, envolvendo ainda mais quem passava, dando uma ideia de como é atuar em um teatro de rua e arrancando mais gargalhadas.

Foto: Victor RibasDSC_0327Foto: Victor RibasDSC_0248

Victor Ribas

Serviço

Autor: Criação Coletiva – Grupo Bolinho
Direção: Criação Coletiva – Grupo Bolinho
Grupo: Grupo Bolinho
Cidade: São Paulo – SP
Duração: 90 minutos
Classificação: Livre

Anúncios
23/11/2015

A tristeza do Jeca

fenata_logo_reduz_1

Os impactos da vida urbana na cultura caipira é tema de peça paulista que retoma o estereótipo do homem do campo

‘Os Jecas’, montagem da Cia da Palavra de São Paulo, conta a vida do caipira a partir de uma perspectiva singela. A peça começa criando laços entre os atores e a plateia. A conexão foi imediata, pois quem na região de Ponta Grossa não teve uma avó ou um avô com uma horta cheia de plantinhas com poderes curativos ou mesmo com um conselho sempre a mão?

DSC_0215 (1)

Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

Seis atores realizam essa impressionante conexão inicial que, no desenrolar da peça, interpretam clássicos como Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, Nuvem de Lágrimas, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, bem como algumas músicas de autoria de Almir Sater.

Todas as modas de viola foram interpretadas com a delicadeza própria da moda de viola. Instrumentos de percussão, violão, gaita e efeitos sonoros produzidos pelos próprios atores complementam o tom que a peça adota ao focar a cultura caipira.

Numa mescla de romantismo e nostalgia, há um esforço para que o ritmo suave se mantenha ao longo de toda a peça. O comprometimento com a sonoridade típica música de raiz dá o tom do afeto, o amor, que o jeca sente pela terra de origem que se choca à atração pela sedutora vida na cidade.

É interessante ver a transição dos Jecas em homens mais urbanos marcando as consequentes subversões resultantes da transformação pela experiência da vida urbana.

DSC_0149 (1)

Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

A peça é inspirada nos caipiras paranaenses, paulistanos e do Sul de Minas. Apesar de não existir esse determinismo quanto à localidade, é possível identificar esses três estereótipos. Além disso, existe a forte marca do Jeca Tatu, personagem do escritor Monteiro Lobato. O Jeca da peça torna-se um jeca universal levando à identificação imediata pelo público.

É interessante ver a reação positiva das crianças na plateia diante das canções e da interpretação dos atores, comprovando que a temática da peça atrai pessoas de idades muito variadas. A interação é constante, sobretudo, porque os atores se aproximam do público e incentivam o canto coletivo.

DSC_0136

Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

A peça não explora apenas o clima de felicidade. Há também muita tristeza, obscuridade e nostalgia, principalmente nos trechos narrados com os dois microfones posicionados na lateral do palco.

A iluminação é simples. No entanto, ela traz um aconchego que remete à luz do lampião. Tules, que em determinados momentos envolvem os personagens como um casulo, têm um papel determinante na peça, pois ao final alguns saem desse casulo e o verdadeiro Jeca continua envolto em seu aconchego, luta e revolta.

Anna Cuimachowicz

Serviço

Autor: Helder Mariani
Direção: Helder Mariani
Grupo: Cia da Palavra
Cidade: São Paulo – SP
Duração: 65 minutos
Classificação: 12 anos

 

23/11/2015

Uma história vinda do interior de Minas Gerais

fenata_logo_reduz_1

Última peça da mostra de rua traz questões sociais, a religião, as cantigas e o próprio sotaque da região

A última apresentação da mostra de rua do Festival Nacional de Teatro (Fenata) trouxe um espetáculo de Ouro Preto, Minas Gerais. O grupo teatral 2×2 apresentou a história de Laura, uma lavadeira que já era casada, e de Tenório, um homem simples e trabalhador, que vive sozinho há muito tempo.

O nome da personagem dá origem ao título da peça “Laura e a incrível história da porca que tinha ataques de vontade”. O texto foi baseado no conto “Laura” de Tânia Cristina Dias.

Espetáculo-Laura-e-a-incrível-história-da-porca-que-tinha-ataques-de-vontade_Foto-Bruna-Fontes-21

Foto: Divulgação

O espetáculo teve como palco a praça Barão do Rio Branco, em Ponta Grossa. O público observou o desenrolar da narrativa em uma montagem marcada pelo dinamismo teatral e pelo humor. A todo instante, os atores mudavam de figurino e conquistaram o público, adultos e crianças, embora o cenário fosse pouco sofisticado e os diálogos simples.

Tenório busca conquistar o coração de Laura. Não consegue e, então, ele compra uma porca para resolver seus problemas financeiros. Laura, mulher casada, é disputada pelo marido e pelo apaixonado rapaz.

A porca, por sua vez, só causa dor de cabeça para ambos devido ao comportamento temperamental. No decorrer da trama, Laura chega a ser negociada por Tenório, que oferece em troca, ao marido da amada, o animal. No final, a lavadeira se revolta e cansa da disputa decidindo seguir sozinha e levando com ela a porca.

Uma história que traz elementos típicos do interior de Minas, como o grupo enfatiza na hora de debate. Para os atores, a questão do machismo é ainda muito forte. Outros aspectos da região também foram apresentados, como a religião, as cantigas e próprio sotaque.

A crítica apresentada pelo grupo 2×2 foi uma grande oportunidade de conhecer outras culturas com um enredo que tem um final bem interessante. Laura se torna uma mulher totalmente independente e feliz.

André da Luz

Serviço

Autor: Tânia Cristina
Direção: Carlos Renatto
Grupo: Grupo Teatral 2×2
Cidade: Ouro Preto – MG
Local: Praça Barão do Rio Branco
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre

14/11/2015

A bizarra normalidade

fenata_logo_reduz_1

Peça “Esse Corpo Meu?” desconstrói o papel do homem e da mulher no palco do 43º Fenata.

Dois grandes biombos cobertos por um pano preto e um jogo de luzes fracas tendo ao fundo uma trilha sonora simples. Esse é o cenário que o grupo Téspis, de Santa Catarina, prepara para os dois personagens principais do espetáculo. Seres que, a princípio são um homem e uma mulher, se constroem e se desconstroem durante toda a peça.

 IMG_7203-2-1

Foto: Divulgação

Os atores provocam a reflexão do público através de uma história não linear. As cenas acontecem a partir da troca e junção dos papéis, abordando influências midiáticas impostas aos seres. Todo o espetáculo é feito com textos em off, seguidos por trilha sonora composta de música pop.

Os próprios personagens não possuem algo de fato construído. Quando não estão nos papéis de homem e mulher, comportam-se de forma inconsciente, rindo de forma exagerada e abusando de movimentos extremos do corpo. Durante toda a peça, eles se transformam e transportam o público para cenas retiradas do nosso cotidiano, mas transmitidas com um toque bizarro e perturbador.

Esse Corpo Meu - Foto Emanuele Mattiello 19

Foto: Divulgação

Ao abordar esses papéis, a peça esbarra nitidamente em um tema atual que tem gerado debate na sociedade, a ideologia de gênero. Focando não apenas o lado sexual, a montagem trata também da formação da personalidade, da possibilidade das novas experiências e da massificação do pensamento das pessoas.

No final da peça, o público pareceu tímido nas palmas. Todos aplaudiram, mas pareciam não entender de fato o que haviam assistido. Quando aqueles, que pegaram a essência reflexiva da peça, levantaram e gritaram “Bravo!”, o restante da plateia, ainda pensativa, se deixou levar.

_MG_6697-1-1

Foto: Divulgação

O debate surpreendeu. Grande parte do público esperou para ouvir a visão dos atores sobre a peça, que construíram e compartilharam grandes ideias durante o bate-papo.

Adolescentes, que atualmente são privados da discussão sobre gênero nas escolas, sentiram-se contemplados ao ter a oportunidade de ver o assunto por meio da arte, expressando alguns de seus pensamentos e ideias.

Serviço

Autor: Processo colaborativo entre a Téspis Cia. de Teatro
Direção: Diego Cazabat
Grupo: Téspis Cia. de Teatro
Cidade: Itajaí – SC
Local: Cine Teatro Ópera – A
Duração: 53 minutos
Classificação: 16 anos

Leonardo Camargo

14/11/2015

Histórias da cultura popular brasileira

fenata_logo_reduz_1

Teatro de fantoches da Cia Manipuladora, de Santa Catarina, traz boi de mamão para o Fenata

Na peça “Alevanta Boi”, o autor Cidval Batista resgata histórias e cantorias da cultura folclórica brasileira, como boi-bumbá, boi de mamão e bumba meu boi. O espetáculo, uma montagem da Cia Manipuladora, de Santa Catarina, integrou a mostra de teatro de bonecos do Fenata.

Os personagens são pequenos fantoches. O espetáculo começa com a chegada de Matheus em uma antiga carroça puxada por um boi de mamão. A carroça se transforma em palco abrindo espaço para mais uma das histórias do velho viajante.

alevanta_boi

Foto: Divulgação

Pai Chico e a esposa Catirina vivem nas terras do Coronel. Pai Chico cuida das criações do fazendeiro, mas especialmente do boi predileto do Coronel, o Mimoso.

Na fazenda, o casal participa de algumas confusões. Catirina, ao descobrir que está grávida, começa a ter alguns desejos. Para convencer seu marido a realizá-los, ela justifica que o filho nascerá com o rosto dos desejos, caso eles não sejam realizados.

Para satisfazer as vontades da esposa, Pai Chico mata, primeiramente, uma galinha e, logo após, um cabrito. Por fim, Catirina deseja a língua do boi Mimoso.

Com muito pesar, Pai Chico atende ao pedido da esposa. Mimoso morre e o Coronel, inconformado, pede ajuda ao Pajé, mas este diz que apenas uma mulher grávida poderia fazer a simpatia.

E, por fim, tudo se resolve retomando uma tradição folclórica brasileira. O espetáculo termina com a roda de boi de mamão e os cantores, bonecos mecanizados, começam a tocar para que todos entrem na dança.

O espetáculo conquista a atenção do público, em sua maior parte composto por crianças, que saem extremamente satisfeitas com a apresentação.

Serviço

Autor: Cidval Batista
Direção: Max Reinert
Local: Cine-Teatro Ópera, auditório B
Duração de 40 min
Classificação: livre

Larissa Salvi

14/11/2015

Partindo para um “novo Lá”

fenata_logo_reduz_1

Montagem de grupo teatral nordestino trata a dicotomia entre a felicidade e a tristeza

A peça ‘Esconderijo dos Gigantes’, da Inquieta Companhia de Teatro, de Fortaleza, encheu o teatro Pax. O clima era de muita expectativa entre as crianças quando o apresentador apareceu e pediu ao público: “jogue energias para o palco”. Esse já era um indicativo de que, em seguida, a apresentação prenderia a atenção de todos.

A história trata de duas personagens totalmente diferentes que se encontram e falam sobre as próprias culturas. Bonjongo, um gigante, veio de uma terra onde um gigante maior havia acabado com todas as coisas, o que o fez partir e andar sem parar.

A outra personagem, Ranabi, vive no lugar onde eles se encontram. Ela fala sobre como é a vida ali. Menciona ainda outras duas vilas que existem além daquela onde a peça acontece.

Uma delas fica para o alto. Nela, moram as pessoas que ainda não nasceram. Todas elas são felizes tocando o céu com os pés. Ranabi tenta crescer e “gigantuar” para chegar até lá.

esconderijo_gigantes

Foto: Divulgação

A outra vila fica para baixo. Nela vivem as pessoas tristes que fizeram uma grande lagoa com as próprias lágrimas. Após a peça, várias pessoas do público comentaram que o “para o alto” e o “para baixo” remetiam ao céu e ao inferno, respectivamente.

Ranabi expressa a vontade de ir para outro lugar. A personagem idealiza um “lá” onde todas as pessoas e coisas fossem do jeito que elas bem quisessem.

A personagem insiste em ensinar, durante toda a peça, a Bonjongo, uma lição: “nunca partir, sempre ficar; nunca para frente, sempre para o alto”. É isso o que os faz partir para o próprio “novo Lá”, ao fim da peça.

Com uma trilha sonora marcante e alguns movimentos de dança, Bonjongo e Ranabi contagiaram as crianças. Apesar de alguns diálogos parecerem confusos, o público, ao fim do espetáculo, demonstrou ter gostado muito do que presenciou.

Serviço

Autor: Andrei Bessa, Gyl Giffony e Andréia Pires
Direção: Andrei Bessa
Grupo: Inquieta Cia de Teatros
Cidade: Fortaleza – CE
Local: Teatro Pax
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

Thalita Mainardes

13/11/2015

Uma princesa, um piolho e um casamento indesejado

fenata_logo_reduz_1

Fenata traz peça infantil inspirada em conto de Câmara Cascudo e em versos de Sílvio Romero

Para trazer alegria à criançada, o grupo Pasárgada, de São Paulo, apresentou o espetáculo “Que bicho é esse?”. A montagem, inspirada na cultura popular brasileira, retoma o conto ‘Couro de Piolho’, do folclorista de Luís da Câmara Cascudo, e versos de Sílvio Romero.

No gênero infantil, a peça integra a categoria de mostra competitiva do festival. Com duração de 50 minutos, o teatro ficou lotado com crianças de escolas de Ponta Grossa.

10985234_1552105125044071_5661283927728779670_n

Foto: Divulgação

A história gira em torno de uma princesa que, no início da peça, acha um piolho e resolve criá-lo como animal de estimação. O pai ordena que se faça uma almofada com o couro do animal. E, mesmo contrariando o desejo da filha, o pai ordena que ela se case, para suprir a falta do estranho bicho.

O pretendente que adivinhasse do que a almofada era feita, poderia se casar com a princesa. O clímax da história é, quando o pretendente mais determinado a se casar com a princesa, faz de tudo para surpreendê-la.

Ao final do espetáculo, não acontece o casamento, mas a princesa e o pretendente vencedor seguem a vida juntos tocando e cantando essa divertida história.

A história acontece ao clima de diversão dos atores e à musicalidade presente numa mistura de instrumento que prende a atenção do público a cada nova ação.

Serviço

Autor: Angela Lyra e José Geraldo Rocha
Direção: José Geraldo Rocha
Grupo: Pasárgada
Cidade: São Paulo – SP
Local: Teatro Pax
Duração: 50 minutos
Classificação: a partir de 05 anos

Mariele Zanin

13/11/2015

A impunidade é mais dolorosa que a morte

fenata_logo_reduz_1

Grupo de teatro de rua revela passado doloroso nas terras de nosso país

Escutava-se um barulho diferente vindo da Praça do Barão de Guaraúna. Uma batida, como a de um tambor. Pessoas se aproximaram com vestimentas rústicas de costuras caseiras. Saias e calças marrons e camisetas beges.

Como num cortejo, o grupo seguia um estandarte vermelho com a foto do líder guarani assassinado nos anos 80, Marçal de Souza, e com o escrito “Tekohá – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno”. A frase é o nome da peça do grupo Teatro Imaginário.

DSC_0159

Foto: Matheus Pileggi

O público, que aguardava a apresentação, ficou surpreso quando os atores e atrizes começaram a caminhar em direção à Rua Balduíno Taques. Lentamente, o grupo se distanciava ao som das batidas de um tambor levado por um deles.

O movimento dos atores parecia uma marcha fúnebre e alguns deles traziam bambus nos ombros como se carregassem um caixão. O grupo parecia meio perdido, o que não era de se estranhar já que ele é originário de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Depois de dar uma volta pela quadra, eles retornaram ao ponto de encontro. “Bem vindos ao território livre que são as ruas”, começou um dos atores. Uma provocação talvez.

Primeiro revelaram o contexto histórico geral da peça, destacando a escravidão imposta aos índios. As pessoas ao redor, frequentadores da praça, catadores de lixo e entusiastas do Fenata, acompanhavam a encenação das mortes sem explicação e das injustiças sofridas pelos indígenas.

DSC_0204

Foto: Matheus Pileggi

“Ei, cara!”, interrompeu um dos atores. “Vai ficar reclamando? Tem que fazer alguma coisa! Igual Marçal de Souza! Esse. Sim. lutou!”. Ao mostrar a história cruel e triste do líder, a peça faz refletir sobre o poder e ganância e como eles podem destruir as pessoas.

Na praça do Barão de Guaraúna, ao lado da Igreja, os atores repetiam a frase: “a impunidade é mais dolorosa do que a morte”. Enquanto isso, uma ambulância com a sirene ligada passava à distância, como uma ironia do destino.

Terminada a apresentação, os aplausos duraram bastante tempo, mostrando que as pessoas ali reunidas se identificavam com o problema. “Abaixo o genocídio! E viva o teatro de rua!”, finalizou um dos atores.

Serviço

Autor: Fernando Cruz
Direção: Fernando Cruz
Grupo: Teatro Imaginário
Cidade: Campo Grande – MS
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

Matheus Pileggi

13/11/2015

Terra à vista!

fenata_logo_reduz_1

Grupo de teatro paulista abusa da improvisação e de linguagem ousada arrancando muita risada da plateia

A UEPG Central se encheu de luz com a apresentação da Cia de 2. O grupo formado por homens se apresentou na mostra do Fenata. E deixou aquele gostinho de quero mais.

Rodeado de pessoas e tochas acessas, os artistas encenaram uma aventura de pirata. Improvisaram, ao som ambiente, e interagiram com a plateia, praticamente, em toda a peça.

Com o humor ácido, eles cantavam e arrancavam gargalhadas. A linguagem é marcada pelo uso de dialeto diverso e de várias gírias. As piadas eram tantas que os atores gargalhavam.

10644685_488248911324601_2642986444878989943_o

Foto: Divulgação

Em alguns momentos, os atores simulavam movimentos que lembravam remadas em um barco em movimento nas ondas do mar. E o grupo acaba por atracar na ‘Ilha de Ponta Grossa’. O nome da localidade gerou piadas e muitos risos.

Dois dos cinco participantes estiveram, a maior parte do espetáculo, cuidando da trilha sonora da peça. Alguns sons vinham da caixa de som, outros, de instrumento de percussão.

Ao final, os piratas arrecadaram dinheiro e ainda participaram de uma roda de conversa.  Os atores abusam da improvisação e da interação com o público.

A peça “A nau dos desenterrados” provocou muitas palmas, durante vários momentos, do espetáculo. Afinal, como eles próprios repetiram várias vezes, ‘pirata sem país, rum e mulher nos faz feliz’.

Autor: Jonas di Paula
Direção: Marcio Douglas
Grupo: Cia de 2
Cidade: São José dos Campos – SP
Duração: 60 minutos
Classificação: 18 anos

Gabriela Bulhões

13/11/2015

E então, bom Natal

fenata_logo_reduz_1

Ao apostar em temática política, “Isso não é um grupo” rouba a cena na mostra de teatro adulto do 43º Fenata

‘Dezembro’ é a primeira adaptação brasileira da obra do dramaturgo chileno Guillermo Calderón, O texto integra uma trilogia que trata a história política do Chile.

Dirigida por Diego Moschkovich, a peça foi apresentada pela companhia  “Isso não é um grupo” de São Paulo. A trama gira em torno de Jorge, um soldado que está em dúvida se retorna ou não à guerra.

A história traz ainda as gêmeas Paula e Trinidad, irmãs mais velhas do personagem. Após retornar da guerra, Jorge é recebido, por elas, na noite de Natal,.

De forma tragicômica, vemos a divergência de opiniões desta, quase, família sobre a guerra travada entre o Chile e o Peru.

Paula se mostra uma patriota e, sendo a favor da guerra, quer ver o país vencedor e os peruanos conquistados. Desejando ver o fim da guerra, Trinidad quer ajudar o irmão a fugir e, dessa forma, a trair a pátria.

dezembro

Foto: Renato Mangolin (Divulgação)

Em cena, vemos as desavenças e percebemos questões mal resolvidas entre elas. Suas questões íntimas, seus medos e desafios sociais são aflorados em meio à guerra. Todas as questões familiares nos aproximam da história.

No final, após tantas brigas, Jorge dá um basta e temos a visão dele sobre a guerra. O personagem se opõe às posições assumidas pelas irmãs, deixando implícito que ninguém sabe como é estar no fronte da batalha até que esteja lá.

No relato sobre a experiência da guerra, Jorge descreve a união dele com os outros soldados, a solidão e da saudade, bem como a falta não somente do sexo, mas também do amor.

Com duração de uma hora e quinze minutos, a peça tem a presença de muitas metáforas e de um humor sutil, embora a linguagem seja simples e direta.

Quando o público entrou no Auditório A do Cine Teatro Ópera, os atores já estavam encenando no palco. Com isso, eles prenderam, desde o início, a atenção da plateia que, ao final do espetáculo, aplaudiu em pé.

Serviço

Autor: Guillermo Calderón
Direção: DiegoMoschkovich
Grupo: Isso não é um grupo
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine Teatro Ópera – A
Duração: 1h15
Classificação: 12 anos

Alessandra Delgobo