Posts tagged ‘Gustavo Dornelles’

23/11/2012

Faz parte do militar, mas também serve de lixeira

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Praça do Expedicionário, em Ponta Grossa, mistura skatistas com artistas de rua e dá voz à diversidade cultural

A Praça do Expedicionário, no centro da cidade princesina, faz uma homenagem aos combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O espaço público é cercado por quatro ruas de intenso movimento, sendo uma delas a Visconde de Taunay – principal ligação entre o Centro e o bairro Santa Paula, um dos maiores do município. Devido ao constante fluxo de carros, o espaço é considerado perigoso, já que não apresenta grades de proteção.

Cinco postes de luz, embora só quatro funcionando, a iluminação mantém um padrão que impõe segurança para a praça que possui pouco mais de 120m². Três bancos de madeira, já desgatados pelo sol, são os assentos dispostos na praça. Pouco, visto que cada banco comporta apenas duas pessoas.

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Foto: Alceu Bortolanza

Com a defasagem de pistas de skate pela cidade, a praça do Expedicionário tornou-se ponto dos adeptos da modalidade. Tanto no período da tarde, quanto nas madrugadas, os skatistas ocupam o local, que possui alguns “obstáculos” que permitem manobras, como degraus, guias e beirais. Artistas de semáforo também fazem da praça um local de descanso e abrigo.

Além do local apresentar diversidade cultural, também serve de depósito de lixo pelos moradores que vivem na região. No canto da praça, vindo pela rua Ayrton Playsant, o lixo fica jogado no chão, deixando a praça com mau cheiro. Os 36 nomes ponta-grossenses que estão estampados em um busto no centro da praça estão rodeados pelo fluxo de carros, a gama cultural e as sacolas de supermercados cheias de lixo, ora bem lacradas, ora furadas pelos cães.

Gustavo Dornelles

 

Serviço:

Avenida Visconde de Taunay

Centro de Ponta Grossa/PR

13/11/2012

De Curitiba para a lagoa do Fenata

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Com direção e confecção de Claudio Miiller, O patinho feio conquista o público infantil

O grupo Cia Miiller de Teatro de Bonecos apresentou, no auditório B do Cine-Teatro Ópera, um dos contos mais difundidos da história universal: O patinho feio. A trama foi contada através de fantoches presos por hastes metálicas, utilizando composição simples de cenário ao fundo. A criatividade do grupo se deu logo no início da apresentação quando, após 30 minutos de atraso, os atores movimentaram borboletas para a distração da criançada. A plateia foi conquistada e houve gargalhadas do parte das crianças.

O criador do patinho e feio e outras histórias como A Pequena Sereia e O Soldadinho de Chumbo, Hans Christian Andersen, era representado por um fantoche cômico, que aumentava a leveza da peça e dava dinamismo na sequência das cenas. A interação criada com o público, no início do espetáculo, fez com que a narrativa ganhasse o caráter de conversa, como um diálogo entre pais e filhos.

Assim que o espetáculo começou, o som emitido pelo personagem principal e a cantiga popular do alecrim dourado eram captados em um volume alto e distorcido. Porém, os efeitos sonoros utilizados contextualizavam e transmitiam emoção ao cenário. O humor da peça estava contido na voz debochada e diversificada de cada personagem. Todos os animais presentes na peça eram versões cômicas. A troca precisa de cada cenário contribuiu para que a imaginação da plateia fosse acionada.

A moral da peça foi exposta no momento onde o patinho feio conhece um sapo que o explica que cada ser tem sua diferença. O diálogo entre os dois personagens acaba sendo curto, fato que desvaloriza o sentido da peça. Ao final do espetáculo, o diretor acerta ao utilizar a canção Lago dos cisnes, de Ray Conniff, que encaixou bem fechamento da peça.

O público infantil que lotou o Cine-Teatro Ópera parece ter saído satisfeito com o resultado, tanto a parte infantil como os adultos que acompanhavam. Mesmo com alguns componentes da plateia sentados nas escadas, ao final da peça os atores foram muito aplaudidos.

 Gustavo Dornelles

 

Serviço:

Peça: O patinho feio

Autor: Livre adaptação da obra de Hans Christian Andersen por Claudio Miiler

Direção: Claudio Miiler

Grupo: Cia Miiler de Teatro de Bonecos

Cidade: Curitiba

Duração: 50 minutos

Classificação: Livre

05/10/2012

KHULULUH Mandela! KHULULUH Mandela!

Coro cidade de Ponta Grossa estreia peça “África: som, cor e movimento”, misturando teatro, cinema e música

 A libertação da África cantada por 26 vozes. Esta foi a história interpretada na apresentação do Coro Cidade de Ponta Grossa, comandada pela maestrina Carla Roggenkamp, realizada no dia 4 de outubro, no Cine Teatro Ópera, centro da Cidade. Os cantores, vestindo trajes africanos, entraram em cena segurando cartazes com mensagens de paz, liberdade, justiça, voz e respeito. Em harmonia com dois tambores e um chocalho, o cenário simples, deu clareza ao espetáculo. O coro explorou recursos de palco, em que o artista central aparece para o público enquanto os demais cantavam atrás do cenário.

Foto: Anna Flávia Maluf

Mesmo com coreografia agitada, as canções não perderam o embalo africano e a iluminação simples ajudou na leveza do espetáculo. O ritmo acompanhava o desfecho da história, em momentos de tristeza puderam-se ouvir músicas mais calmas e no auge da manifestação o agito toma conta do palco. Em cada cantor a expressão de raiva e revolta dava mais emoção e sentido à parte cênica. A dificuldade de cantar em posições desconfortáveis, deitado, por exemplo, não esteve presente, já que em vários momentos os artistas dançavam e cantavam.

Tanto no início como no fim da apresentação foram exibidos trechos do filme “Um grito de liberdade”, efeito que, utilizado em excesso, poderia comprometer a peça, mas representou criatividade. Devido ao preço acessível dos ingressos (6,00 reais a inteira e 3,00 a meia-entrada), o público jovem lotou as cadeiras do teatro e os gritos de “Freedon I’Know” emocionaram a plateia. Os aplausos em pé, no fim do espetáculo, confirmaram a surpresa e satisfação do público.

Gustavo Dornelles

Serviço:

Espetáculo: “África: som, cor e movimento.
Apresentado no Cine Teatro Ópera.
Grupo: Coro Cidade de Ponta Grossa
Duração: 80 minutos
Classificvação Etária: Livre

21/09/2012

Deuses, abandono e o bairro de Olarias

Livreto “Diário Pop”, de Adilson dos Santos, agrupa cânticos com diversidade e concisão

Com 13 cânticos em 16 páginas, “Diário Pop” possui leveza diferenciada. Ao apostar em cânticos curtos, o autor ganha espaço e facilita a leitura. A única ilustração presente no livro é a da capa e as cores utilizadas representam o que o material interno traz: diversidade de temas. No primeiro escrito, “Cântico de remissão”, o autor apresenta, com saudosismo, uma deusa chamada Tamirez, que “ilumina o coração dos homens”. A linguagem utilizada por Adilson envolve o leitor e contextualiza uma época em que os clarins soavam, os sinos tocavam e os tambores rufavam.

Foto: Gustavo Dornelles

Alguns cânticos mais curtos não possuem título. Porém, a objetividade torna-se mais perceptível. Com criatividade, o homem atual e a tecnologia se fundem no texto e resultam no “homem ciborg”. O tema abandono também é explorado pelo autor em duas partes. Na primeira, a superação em tom de lamento prevalece; e, na segunda parte, o texto alcança o objetivo de transmitir o sentimento de tristeza.

“Terra do amanhecer, ladeiras e primavera e sob os escombros dos chaminés”: é com saudosismo e exaltação do que é típico do local que Adilson escreve sobre o bairro Olarias. O autor opta por rimas ricas e a disposição dos poemas nas páginas facilita e dinamiza a leitura. “Diário Pop” pode agradar todos os públicos, sem o esforço de chamar atenção e sem exagero textual. Na maioria dos títulos, existem “palavras-chave”, fortes, de representação, que resumem o conjunto de estrofes. O livreto acertou no tamanho e a leitura tornou-se rápida e fácil.

Gustavo Dornelles

Serviço:

Livro: “Diário Pop”

Edição do autor. Ponta Grossa, 2012.

Autor: Adilson dos Santos. Páginas: 16 – Preço: R$3,00

06/07/2012

E ai…Vale a pena assistir?

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 “E ai… comeu?”, de Felipe Joffily, transforma conversa de bar em besteirol brasileiro no cinema

O filme “E ai… comeu?” é baseado em uma conversa de bar que envolve três amigos, Fernando (Bruno Mazzeo), Honório (Marcos Palmeira) e Fonsinho (Emilio Orciollo Netto). O modelo clássico de comédia apelativa no estilo americano serviu de base para o filme brasileiro, no qual a graça é sustentada por diálogos apelativos e cenas que insinuam sexo. A trama é articulada a partir da disputa de poder no relacionamento entre homens e mulheres, onde a versão masculina, por vezes machista, é mostrada.

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Foto: Divulgação

O que chama atenção no diálogo entre os personagens principais é a naturalidade com que se dá a conversa. A participação do cantor Seu Jorge, que interpreta o garçom, e o diálogo junto aos atores principais faz com que as piadas sejam direcionadas aos telespectadores. O cenário utilizado também contribui para que o filme pareça um happy hour, pelo clima descontraído do ambiente. As cenas de comédia demoram para aparecer, o que torna o início do filme um pouco cansativo.

O filme não surpreende e, no final, os personagens têm um desfecho romântico bem sucedido. A trilha sonora acerta ao trazer a musica “Sou uma criança, não entendo nada”, de Erasmo Carlos, pois o ritmo leve da canção casa com o clima de descontração do filme. A proposta do diretor, Felipe Joffily, em alcançar todos os públicos e trazer uma “verdadeira comédia romântica” não se concretiza, pois a obra acaba sendo uma cópia brasileira e adaptada de filmes como American Pie. Faltou originalidade e um melhor “desenrolar” da história.

Gustavo Dornelles

Serviço:

Filme: E ai… comeu?

Local: Cine Araújo (Shopping Palladium, Rua Ermelino Leão, 703 – Olarias)

Horário: Diariamente às 21 horas.

Classificação: 14 anos. Duração: 100 minutos

20/04/2012

Leitura feita para se reciclar

             Marcelo Vieira, o“Gari Poeta”, da continuação ao  projeto (livro) “Minha Poesias” com “O sonho continua”

Foto: Afonso Verner/Lente Quente

    A obra de Marcelo Viera, morador de Ponta Grossa, conta com poesias relacionadas ao cotidiano. O livro apresenta, de forma direta, fatos que, por vezes, o leitor não percebe. Em alguns poemas, como Bairro de Uvaranas e Homenagem ao Operário Ferroviário Esporte Clube, ele valoriza a cidade. Nota-se também que o poeta transmite sua fé para o livro, como nos versos, Obrigado Senhor, Oração rimada, Quando Deus manda e Uma conversa com Deus.

   Com a proposta de atingir todos os públicos, Marcelo utiliza uma linguagem simples e consegue alcançar todas faixas etárias. O fato de o poeta ser gari facilita tal ação, pelo contato que tem com diversas pessoas. Apesar da percepção do autor, alguns assuntos são tratados de maneira comum, como na poesia O amor existe. Nela o sentimento é idealizado e quem não o possui, segundo o escritor, não é feliz.

   O poeta valoriza sua profissão e traz textos relatando a rotina, como em Dia do Gari. Na poesia Sou um gari poeta, Marcelo chama a atenção para problemas sociais, dando ênfase ao preconceito com garis. A obra inclui poemas sobre clubes esportivos e os trata com saudosismo. Eentre eles estão Palmeiras, Grêmio, Santos e Operário. A poesia também retrata valores presentes na família e na amizade, além de datas comemorativas.

   Marcelo já escreve a terceira obra, Por gentileza, dai-me licença, a poesia pede passagem, que tem previsão de ser lançada ainda em 2012. O “Gari Poeta” tem um programa humorístico de rádio, O show do poeta, que vai ao ar todos os sábados na Rádio Central AM, das 16 às 18h.

Gustavo Dornelles

 

Serviço:

Livro “Minhas poesias: O sonho continua”.

Autores: Marcelos Vieira

Publicado em 2011

Número de páginas: 106