Archive for Junho, 2013

28/06/2013

‘Vem pra rua’ em varias versões musicais

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Em meio às manifestações, “um verso com coragem, que sirva de bandagem pra o que se que lutar”

          A música Vem Pra Rua, de Henrique Ruiz Nicolau, jingle de um comercial de televisão, interpretada pela banda O Rappa, é a inspiração do grito de guerra mais usual e característico das manifestações. Originalmente, a letra não tinha nenhum intuito de cunho político e pretendia aliar o produto comercializado à Copa das Confederações, que ocorre no Brasil.

          A canção exalta o patriotismo e agitação, servindo para o momento. Também foi a partir da música que o termo ‘gigante’ foi associado ao Brasil, pelas variadas dimensões do País.

          O cantor pop Latino gravou a música O Gigante, que também faz referência ao bordão que marcou as manifestações (“o gigante acordou”). A letra e música revelam uma simplicidade, com marcas de um pop-funk, comum nas canções do músico. A impressão, causada pelo fundo que lembra uma torcida de futebol, é de que a música foi escrita para os jogos da Copa do Mundo no Brasil, e foi adaptada com alguns versos para a ‘Revolta da Tarifa’.

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Foto: Divulgação

         No clima das manifestações, a banda carioca Forfun prestigia o público com Terra de Cego, uma prévia, em razão dos protestos, do EP que será lançado em breve. A música faz uma crítica à “sociedade idiotizada” brasileira, calada à espera de uma solução e à necessidade de um despertar para o poder e nos salvar da ignorância. A canção mostra um amadurecimento da banda em relação às outras composições de protesto, como Viva La Revolución, de 2005, que já exaltava a revolução a partir do individuo e a alienação social.

          A canção Reinação da banda Apanhador Só é uma paródia da letra do Hino Nacional. Embora anterior às manifestações (o álbum de que a música faz parte foi lançado em maio), a faixa se encaixa na situação. A interpretação fala do comodismo político do povo brasileiro, que se conforma a aceitar as belezas naturais do país como motivo de orgulho e qualidade. O trecho “sem bandeira e sem fuzil” critica o pacifismo e apartidarismo pregado nas manifestações. O refrão, versos de uma brincadeira infantil, remete a tudo virar reinação, superficialidade e às ideologias do movimento, talvez, ignoradas pelos manifestantes.

Letícia Augusta

Serviço:

http://www.youtube.com/watch?v=3rMX_rrv36w Vem pra rua – O Rappa

http://www.youtube.com/watch?v=CM9L4OhPHYg O gigante – Latino

http://www.youtube.com/watch?v=1Ga9t5XWznE  Terra de Cego – Forfun

http://www.youtube.com/watch?v=kt0gZI-IrAU Reinação – Apanhador Só

28/06/2013

agenda
28 de junho a 12 de julho
Atividade: 36ª EFAPI CAMPOS GERAIS – 28/06 a 12/07
– 29 de junho show com Henrique & Juliano
– 05 de julho show com Milionário & José Rico
– 06 de julho show com Henrique & Diego e Cássio & Marcos
Horário: 23:00
Entrada: 25 reais cada dia (obrigatório levar um quilo de alimento)
  Meia entrada: 20,00
29 de julho – sábado
Atividade: Show com Garimpeiros da Lua e Coveranza
Local: Bola 13
Horário: 23 horas
Entrada: 10 reais
30 de junho – domingo
Atividade: Manifesto Queremos filmes com legenda
Local: Cine Araújo – Shopping Palladiun
Horário: 17:00
Entrada: grátis
05 de julho – sexta-feira
Atividade: Show com a banda Haullys
Local: Baviera
Horário: 22 horas
Entrada: 10 reais
06 de julho – sábado
Atividade: Festa Casa da Mãe Joana
Shows com Novos Mallandros, Joãozinho e Raynner, DJ Rodrigo Lucas e Stand Up com Diego Castro
Local: Diretoria Pub
Horário: 23:00
Entrada: 20 reais (2º lote) e 30 (3º lote), na porta a entrada tem outro valor
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28/06/2013

Quando a rádio sai “protestar”

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Difusora e Santana abriram espaço para coberturas dos protestos, mas Rádio Clube apenas leu notícias dos jornais impressos

            E se, de repente, milhares de brasileiros saíssem às ruas para protestar por melhores condições de vida? Muitos imaginaram isso, só não pensaram, talvez, que esse dia estivesse tão próximo. Os protestos, que começaram em São Paulo e pediam a redução da tarifa de ônibus, se espalharam pelo País. No dia 17 de junho foi a vez de Ponta Grossa aderir ao movimento nacional. O protesto ‘Verás que um filho teu não foge à luta’ teve participação de mais de quatro mil pessoas. As emissoras locais, como veículos instantâneos e diretos, também deslocaram jornalistas para participar da cobertura.

            A rádio Difusora (AM 690 KHZ) acompanhou a primeira manifestação que aconteceu na cidade e apresentou os consequentes desdobramentos dos protestos. Os programas jornalísticos do período da manhã deram destaque maior ao que ocorria no município. Não houve, porém, a realização de matérias especiais sobre as manifestações. Os locutores e jornalistas comentavam sobre outros protestos que ocorriam no país. No momento, o tema em evidência na rádio é a greve dos motoristas do transporte coletivo da Cidade e a possível greve dos frentistas de postos de combustíveis. Os dois assuntos são tratados, pelos locutores, como reflexos das manifestações.

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Foto: Keren Bonfim

            Na rádio Santana (AM 900 KHZ), as manifestações não passaram despercebidas. Pela manhã, os jornais da rádio comentaram o caso e exibiram reportagens. Comentários sobre os protestos também foram divulgados. Já a rádio Clube (AM 1080 KHZ) praticamente se limitou em ler as manchetes e notícias divulgadas nos jornais locais.

            Além do Facebook, as emissoras funcionaram como uma espécie de “divulgador” do que ocorria na cidade. As pessoas que não estavam conectadas às redes sociais puderam acompanhar os movimentos pelo rádio. No momento em que Ponta Grossa vive um período de greves, as rádios locais, de fato, precisam estar nas ruas para acompanhar o “Inverno Brasileiro”.

 

Keren Bonfim

Colaboração: Nei Sassaki e Gabrielle Koster

Serviço:

As rádios Difusora e a Santana acompanham a greve dos motoristas do transporte coletivo nos programas jornalísticos.

Rádio Difusora 690Mhz AM. Pode ser ouvida pela internet no site http://www.difusora690.com/

Rádio Santana: 900 Mhz AM. Pode ser ouvida pela internet no site http://www.radiosantana.com.br/

28/06/2013

O gigante acordou e está na TV

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Emissoras de TV do Paraná também participam da cobertura das manifestações

            A cobertura televisiva das manifestações no Brasil trouxe imagens dos protestos e os diversos reflexos para a população brasileira. O Crítica de Ponta analisou as programações das emissoras locais de Ponta Grossa, a RPC TV (Globo), a RIC TV (Record) e a Rede Massa (SBT) no período das manifestações.

            O jornal Paraná TV – 1º Edição da RPC TV destacou o tema, colocando-o sempre na primeira reportagem do programa. O jornal, que tem duração de 45 minutos, trata as manifestações de forma superficial: todas as matérias não passam de 7 minutos, e não ocupam um bloco inteiro do programa. O jornal não aprofunda a temática e traz apenas de um relato do que aconteceu nos protestos.

            O telejornal Paraná No Ar e o programa Balanço Geral da emissora RIC TV Record também acompanharam as manifestações ocorridas no país. Os dois programas optaram por dar o enfoque no vandalismo e nas depredações feitas durante os protestos. Uma das matérias do Paraná No Ar mostra a revolta dos manifestantes contra os meios de comunicação televisivos, onde um protestante grita com o repórter e o intimida.

          No Jornal da Massa do SBT, a cobertura trouxe imagens da ação da polícia contra os manifestantes em Curitiba. Os vídeos são da internet, de cinegrafistas amadores. Esse tipo de imagem perde em qualidade diante das concorrentes. A jornalista que narra a reportagem utiliza o termo “baderneiros” para se referir aos manifestantes, o que causa uma sensação de pré-julgamento. O excesso de comentários após cada reportagem exibida é cansativo e enfadonho.

            No jornal SBT Paraná, a cobertura foi sobre uma reunião de manifestantes que ocorreu em Curitiba. Comparado ao Jornal da Massa, este tem um formato mais sóbrio, além de não exagerar nos comentários e, talvez por isso, demonstra credibilidade, por não confundir o espectador na hora de definir o que é opinião e o que é notícia. O jornal apresenta ainda uma matéria sobre a criação de uma CPI do transporte público pelos vereadores de Curitiba – tema que tem gancho a partir da matéria anterior.

            As fontes geralmente são as pessoas que participaram das marchas. Além das manifestações, os telejornais cobriram os reflexos do movimento, como a greve dos motoristas do transporte coletivo e os assuntos discutidos nas sessões da Câmara Municipal de PG. Também são abordados acontecimentos das manifestações em outras cidades do estado.

Isabela Almeida, Marcela Ferreira e Nábila Fernanda

Serviço:
Jornal Paraná TV – 1ª Edição vai ao ar de segunda a sábado às 12h

Jornal da Massa vai ao ar de segunda a sexta às 7h

SBT Paraná vai ao ar de segunda a sexta às 19h15

Paraná No Ar vai ao ar de segunda a sexta às 07h30

Balanço Geral vai ao ar de segunda a sábado ao 12h30

28/06/2013

O povo acordou e a mídia noticiou

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Jornal da Manhã e Diário dos Campos pautaram as manifestações realizadas em PG

          Durante o período entre 16 a 21 de junho de 2013, nota-se que o Jornal da Manhã (JM) publicou não somente fatos das manifestações de Ponta Grossa, mas também das principais cidades do país e, na medida do possível, buscou ser independente nas matérias publicadas. O periódico deu espaço não somente à temática ‘manifestações’, mas também ao tema do transporte, que passou a ser ainda mais pautado nas matérias após o início dos movimentos.

          O jornal pecou em um aspecto: nas matérias sobre a primeira manifestação, falava que a mobilização acontecia apenas pela tarifa do transporte público, o que não era verdade. Os cartazes dos manifestantes também tinham outras exigências. O JM só abordou as demais reivindicações a partir da segunda manifestação.

          O Diário dos Campos (DC) cobriu as manifestações como se fossem notícias cotidianas da cidade. Em nenhuma edição o fato recebeu o destaque que uma ação de tamanha proporção merecia. O enfoques dado às matérias, assim como no JM, se alterava conforme as reivindicações mais expressivas de cada uma das marchas. No pouco espaço disponível na página de Cidade, o DC trouxe informações completas sobre as manifestações.

            Em geral, os veículos mostraram pluralidade de opiniões. Em quase todas as edições do período os diários colocaram não somente a opinião de políticos sobre o tema, mas também deram espaço para artigos e opiniões de leitores. Através das agências noticiosas, trouxeram também uma visão geral sobre as manifestações não apenas em Ponta Grossa, mas no Brasil todo.

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         Foto: Crys Kühl

          Os editoriais de ambos os jornais posicionaram-se favoravelmente às reivindicações, porém com ressalvas quanto aos métodos empregados por grupos de manifestantes frente aos diferentes objetivos verificados. É perceptível, também, que a repercussão da questão do transporte público, com a greve dos funcionários da Viação dos Campos Gerais (VCG), ganhou mais espaço e destaque nos veículos. Nas edições da última semana de junho, o tema foi abordado com textos informativos e notas em colunas.

          O caso Ana Maria, assunto do momento, também foi um destaque edições dos veículos na segunda quinzena do mês. Os jornais trazem informações sobre como ocorreu e sua repercussão entre a população, expondo o fato sem manifestar opinião editorial sobre o assunto.

Bianca Machado, Crys Kühl e Leandro Oliveira

Serviço:

Foram analisadas as edições dos jornais Diário dos Campos e Jornal da Manhã, publicadas entre os dias 16 a 27 de junho.

28/06/2013

#OGiganteAcordou! E usa cartazes para se comunicar

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Mensagens (populares) carregam a ‘nova cara’ das manifestações no Brasil

          Na onda de manifestações pode-se analisar os cartazes do protesto como parte da produção literária contemporânea. Os cartazes atualmente usados em publicidade e propagandas cresceram junto com as vanguardas europeias e serviam para exposição de trabalhos. No entanto, as cartolinas apareceram também em manifestações, como a dos ‘Caras Pintadas’ (1992) e no Rio+20 (2012). Hoje, além de imagens e palavras, elas expõem sentimentos e opiniões.

          No meio da multidão de pessoas reunidas em protestos, o cartaz é uma das melhores formas de fazer um apelo e mostrar sua reinvindicação. Tendo como base as quatro manifestações ocorridas em Ponta Grossa, em junho de 2013, notam-se diferentes estilos de cartazes, alguns com palavras de ordem, outros com reclamações e ainda alguns cômicos.

          Algumas frases são originais, mas outras se popularizaram através da internet e estão presentes na maioria das manifestações. Destacam-se, por exemplo, “O gigante acordou!”, também utilizada nas marchas que aconteceram nos anos 1960, “Saímos do Facebook”, que faz uma crítica ao “protesto de sofá” e “Vem pra rua”, que funcionou como um chamado para quem ficou em casa.

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         Foto: Roseli Stepurski/Lente Quente

         A presença da linguagem vinda da internet é perceptível, principalmente pelas hashtags do Twitter (#), que são utilizadas para separar e organizar um assunto dentro da rede social. Também se verifica o uso o verbo ‘curtir’ junto com o símbolo do polegar para cima, usado no Facebook. Esse tipo de linguagem pode ser vista em cartazes como ‘#ACORDA BRASIL’, ‘Menos #IMPOSTOS, mais #RESPEITO’, e em um cartaz com o desenho do Palácio do Planalto e a expressão ‘#VERGONHA’.

          É possível perceber ainda influências de músicas, como nos cartazes “Que país é esse”, “Somos filhos da revolução, somos o futuro da nação”, e “Quem sabe faz a hora e não espera acontecer”. Os dois primeiros citam trechos de canções da banda Legião Urbana e o terceiro uma composição de Geraldo Vandré. Apesar de terem sido escritas em outras ocasiões da história brasileira, estas músicas ainda fazem referência ao período social e político que o país vive.

           Os cartazes mostram uma fragilidade das manifestações. A quantidade de reivindicações destaca a falta de um objetivo comum das marchas de jovens que caminham, empunham cartazes e gritam por todos os problemas do seu país. Mas, também indicam a pluralidade do movimento.

André Lopes, Maria Luísa Cerri, Rafaella Feola

Serviço:

As cartolinas podem ser encontradas em papelarias pelo preço médio de 50 centavos.

28/06/2013

Humor questiona mídia e política nas manifestações

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No YouTube, canal humorístico Parafernalha aposta na comédia para falar sobre protestos no país

          O contexto de manifestações no Brasil ganhou relevância na mídia, que passou a realizar uma cobertura intensa dos fatos. Pegando o gancho do assunto, o canal de humor Parafernalha, um dos maiores do gênero no YouTube, lançou na última semana dois vídeos satirizando a cobertura midiática do assunto e as reações de políticos após o movimento ganhar força.

          No primeiro, intitulado “Político Oportunista”, o ator Otavio Ugá encena um político do fictício, mas sugestivo, Partido Reacionário Nacional. A frase inicial do personagem, afirmando ser contra o progresso e revoluções, mas a favor da atual revolução progressista, já cria expectativa para as críticas e ironias voltadas aos políticos e até mesmo a pessoas que se enquadram na categoria “reacionários”.

           O canal não decepciona: são inúmeros blocos de falas em que o personagem contradiz seus princípios políticos, aplicados até o momento em que o movimento ganhou força, para obter a simpatia dos eleitores no melhor estilo oportunista. Em certo momento da encenação, é possível perceber semelhanças com o candidato derrotado no segundo turno das últimas eleições presidenciais no Brasil.

           Os cortes entre as cenas colocam as falas muito próximas, o que atrapalha no entendimento em determinados momentos. O cenário estático do vídeo não é comum no canal, e acaba cansando o espectador que busca apenas o humor. O uso de palavrões, algo frequente no Parafernalha, distancia o discurso da realidade ao mesmo tempo em que reforça a sátira.

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Foto: Divulgação

          O segundo vídeo é intitulado “Telejornal Imparcial” e faz uma sátira às coberturas televisivas das manifestações. O canal busca simular um telejornal preocupado apenas em promover o sensacionalismo sobre as cenas de vandalismo. O clímax humorístico é a participação do ator André Navarro, interpretando Dr. Rogério Coelho, remetendo ao comentarista de segurança da Rede Globo, Rodrigo Pimentel.

          As interpretações dos atores criam uma semelhança com um telejornal das grandes emissoras de televisão, amparados na qualidade sonora e visual dos vídeos que tornaram o canal conhecido.

           O Parafernalha soube explorar o assunto sem abdicar do bom-senso, algo que falta a alguns profissionais e denigre a prática humorística. Além disso, o canal possui vídeos que atingem um grande público ao mesmo tempo em que enfatizam o momento histórico de manifestações.

Rodrigo Huk

Serviço:

Canal Parafernalha (YouTube) http://www.youtube.com/user/canalparafernalha

Político Oportunista – http://www.youtube.com/watch?v=dDv6LaUvRRI

Telejornal Imparcial – http://www.youtube.com/watch?v=6jCrdeDAIdk

28/06/2013

Brasil, qual que é o teu negócio?

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Um dia em que Ponta Grossa parou… e milhares de pessoas foram às ruas e as bandeiras saíram do armário

          Nos dias 17 e 20 de junho de 2013 as ruas de Ponta Grossa pararam. Assim como em várias regiões do país, milhares de pessoas reuniram-se no centro da cidade para protestar. A DB Cinematografia, uma produtora dedicada à experimentação audiovisual, aproveitou a situação e resolveu gravar as manifestações Verás que um filho teu não foge a luta, lançando dois clipes: ‘#VEMPRARUA PG’ e ‘#VEMPRACHUVA PG’.

          O vídeo ‘#VEMPRACHUVA PG’, que teve 207 visualizações, retrata a questão de que mesmo com a chuva as pessoas foram ao protesto. A escolha pela versão remixada da música Singin’ In The Rain, do filme ‘Cantando na Chuva’ dinamizou o vídeo, mostrando o clima de agitação pela avenida.

          Já no vídeo ‘#VEMPRARUA PG’ a intenção é passar diretamente a mensagem de que Ponta Grossa também foi para as ruas. Cartazes   com frases de reivindicações aparecem no vídeo, como “A gente não quer copa, quer educação”, “Desliga a TV e pensa”, “Ana Maria vergonha de PG”.

          A música tema do vídeo “#VEMPRARUA PG”, que impulsionou milhares de pessoas a gritar os versos da banda O Rappa pela cidade foi produzida inicialmente para uma campanha publicitária destinada à Copa do Mundo, encomendada pela multinacional Fiat. O equívoco foi que os manifestantes usaram com cunho de protesto, ainda que uma das pautas era criticar o investimento do governo na copa em que o Brasil irá sediar.

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Foto: Divulgação

          Ao assistir o vídeo “#VEMPRARUA PG”, o que mais teve acessos (7880 visualizações) no YouTube, a sensação que se tem é de estar em época de Copa do Mundo. Muitas pessoas aparecem pelas ruas da cidade, com máscaras em meio a bandeiras do Brasil. O batuque da música ao fundo instiga. Também há um sentimento de patriotismo pela bandeira do Brasil.

         A maneira em que os vídeos foram editados chama a atenção. Até mesmo quem não participou pode notar vários ângulos das manifestações. O vídeo ‘#VEMPRACHUVAPG’ registra, ainda, o momento em que os manifestantes entraram no Terminal Central para protestar contra o atual funcionamento do transporte público da cidade.

Mariana Tozetto, Mariele Morski, Larissa Rosa

 Serviço:

Os vídeos podem ser assistidos no canal do DB Cinematografia: http://www.youtube.com/user/danielbalanfilmes?feature=watch

 

 

28/06/2013

Verás que um filho teu não foge a luta

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Moradores de PG foram para as ruas, praças, terminais e Câmara de Vereadores em uma série de protestos sociais

            As manifestações registradas no mês de junho em todo o país mostraram a força do povo brasileiro perante as precariedades de alguns sistemas no Brasil, como saúde, educação e transporte, além da falta de transparência nos gastos com a Copa do Mundo.

            Em meio aos protestos, locais com muita circulação de pessoas e grandes centros urbanos foram tomados por centenas ou até milhares de manifestantes. Em Ponta Grossa não foi diferente. A Avenida Vicente Machado, ponto de trânsito constante, foi tomada por manifestantes em seu primeiro ato intitulado “Verás que um filho teu não foge a luta”. A reivindicação que mais tomou força nos cantos e gritos foi por melhorias no transporte público. O ato realizado na segunda-feira, 17 de junho de 2013, teve como ponto de parada o Terminal Central. O horário escolhido, entre 18h e 20h, mostrava que a população queria ser ouvida.

          A segunda noite de protesto foi no dia 20 de junho. Os ponta-grossenses não se intimidaram com a chuva e foram às ruas. Aproximadamente 1500 pessoas participaram da manifestação. Se não fosse a chuva, certamente iria mais gente. O trajeto foi o mesmo do dia 17 de junho, e o que era pra ser apenas um protesto contra o monopólio da Viação Campos Geral (VCG), ganhou alguns momentos de descontrole, quando parte dos manifestantes resolveu ocupar o Terminal Central.

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Foto: André Jonsson

          Alguns funcionários da viação alegam que teriam sofrido lesões físicas. No entanto, o lado positivo do protesto foi o momento em que alguns dos manifestantes perceberam o erro e tentaram voltar à rua. Outro ponto a ser comemorado é que o povo compareceu em massa, mesmo com o tempo ruim.

          ‘Fora Ana Maria!’: era a pressão popular ocupando a câmara municipal no dia 24 de junho. Os manifestantes reivindicavam a cassação da vereadora Ana Maria de Holleben que, segundo investigações policiais, forjou o próprio sequestro.

          Os cartazes e gritos da multidão não deixavam dúvidas: ‘Até o papa renunciou/ Ana Maria, a sua hora já chegou!’. O isolamento providenciado pela polícia indicava que um número maior de pessoas era esperado, porém a chuva prejudicou o movimento.

André Bida, Hellen Gerhards e Julian Vieira

Serviço:

Pontos de concentração: Igreja dos Polacos, dia 17; Parque Ambiental dia 20 e Câmara dos Vereadores dia 24.

Ruas em que os protestos passaram: Avenidas Dr Vicente Machado e Visconde de Taunay

Pontos de encerramento: Terminal Central de ônibus, nos dias 17 e 20; Câmara dos Vereadores dia 24.

28/06/2013

O sorriso sarcástico do anonimato

moda-e-estilo1Máscara de atentado, filme e grupo de hackers viram moda durante as manifestações

          Com o bigode característico em cima de um sorriso sarcástico, um grupo ativista que não tem ‘rosto’ fala sobre a política brasileira, contesta o conservadorismo e chama o povo para a reforma política, mas ninguém sabe sua verdadeira identidade.

          A máscara Anonymous – popularizada pelo filme V de Vingança e conhecida pela semelhança com o rosto de Guy Fawkes, soldado católico inglês que tentou um frustrado atentado explosivo contra o parlamento protestante no século XVII – hoje propõe um modismo sobre a figura que tem desejo de reformular a sociedade. O adorno está presente nos rostos dos indivíduos que não querem se identificar, mas apenas manifestar uma insatisfação com a situação (política) do país.

          Para alguns, usar a máscara Anonymous representa anarquismo e caos, mas o que se vê nas ruas são pessoas de todas as idades que desfilam com o adereço reivindicando seus direitos. A figura não é inofensiva. A organização surgiu na internet com hackers de máscara, conhecidos por revelarem segredos de políticos e outras personalidades públicas. O grupo se pauta por um objetivo simples: “acabar com a farra de imoralidade registrada no país e em outras partes do mundo”.

ImagemFoto: Roseli Stepurski/Lente Quente

          Com a moda do Anonymous, o lucro é garantido para quem vende o produto. Basta realizar uma busca na internet para encontrar as promoções. Um anunciante de São Paulo vendeu, no início de junho, 790 máscaras pelo preço de R$ 16 a unidade, com nota fiscal e garantia de 90 dias. Vídeos no YouTube fazem o passo a passo para a confecção do acessório, desde colagens ao uso do ‘papercraft’, método de produção  tridimensional a partir de papel.

           Além de ‘vestir’, ser um anônimo na multidão implica propagar e defender indiretamente os ideais do Anonymous Brasil. Recentemente, o site oficial do movimento sem ‘rosto’ divulgou dados privados de políticos, pastores e jogadores de futebol, além de publicar relatórios confidenciais da Polícia Militar. “O gigante acordou”, mas antes de vestir a máscara, pergunte-se o que é o Anonymous?

           Parece que usar o acessório, o que antes era influência do filme ou um ato do movimento Anonymous, acabou tornando-se uma arma para aqueles que querem se desqualificar como vândalos e rebeldes. A cobertura do rosto acabou permitindo a liberdade de descontrole por parte de uma minoria e dificulta o reconhecimento por parte da polícia, perdendo o caráter idealizado e fundamentado por trás de todo contexto daquele rosto.

André Jonsson, Jéssica Santos e Mariana Okita

Serviço:

Preço na internet: R$ 9,90 à R$ 139,90 dependendo da originalidade e do material.