Posts tagged ‘Letícia Augusta’

03/11/2013

A arte pede licença

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Intervenção cênica em ruas de Ponta Grossa marcou abertura das atividades da Virada Cultural

Calçadão de Ponta Grossa, sábado, 26/10, 11h30. Camelôs por todos os lados, locutores de ofertas nas lojas populares anunciando ao microfone. Perto dali, um ator discreto, caracterizado de guarda de trânsito, rosto pintado de palhaço – que pode ser uma crítica ou apenas fantasia – parte da esquina e cumprimenta o senhor que atravessava a rua, o qual sai sorrindo. Pára o trânsito e inicia a apresentação, mas não param os pedestres que continuam ao seu rumo.

Entra em cena um bêbado e um carro de papelão. A história cômica e educativa, sobre o motorista embriagado que é parado pelo guarda, se desenrola por 15 minutos. Um enredo clichê, produção simples, porém encenada com a perfeição que só o tom de improviso e descontração pode conter. Não feita para ser brilhante, mas para intervir e colorir a rua com a arte, para os que passam poderem entrar no clima da virada cultural em Ponta Grossa.

Porém, enquanto os atores encenavam, o locutor da loja ao lado abafava o diálogo entre os dois personagens, embora as expressões não verbais fossem mais significativas. O ponto escolhido, na rua de travessia de carros e pedestres, tornou a parada para assistir incômoda. O vendedor performático de ilusões, a poucos metros de distância, que prometia que a água suja na garrafa curava tudo, roubou a atenção de alguns pedestres e chamou mais atenção que os atores. O fato é que muitos ponta-grossensses não conseguiram ver os dois atores e parar para assistir – alguns paravam e logo seguiam caminho – a singela intervenção cênica.

Letícia Augusta

Serviço:

Intervenção Cênica – Centro de Estudos Cênicos Integrados (CECI)

Apresentado no dia 26 de outubro no Calçadão da Rua Coronel Cláudio, às 11h30.

Tempo: 15 minutos

04/10/2013

Filha da revolução

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Projeto Tela Alternativa pauta animação autobiográfica, que aborda tema histórico, marcado pela violência, em tom suave e didático

        Adaptação do HQ “Persépolis”, o longa – que leva o mesmo nome – de Marjane Satrapi e Vicent Paronnaudé, é uma animação para adultos, tanto pela crítica social, entonação política, o sentimento de repressão que acompanha os 96 minutos de filme, e o núcleo familiar fora dos estereótipos.

       O filme conta a história de Marjane Satrapi (Marji), que cresce no meio da revolução do Irã e o inicio da República Islâmica. A personagem torna-se comunista e revolucionária contra a cultura imposta pelo país. Não consegue se encaixar na sociedade iraniana e “foge” para Viena, onde carrega consigo o rótulo da nação, que vai da vergonha ao orgulho, da omissão a aceitação. E, assim, Marjane volta para o Irã viver com a família.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

          A ilustração cartunesca respeita as características originais do HQ. O preto e branco também originário dos quadrinhos deve representar o passado, e estende ao expressar a revolta, a prisão, a vida sem cor, a desesperança da nação iraniana representada pela família de Marji. As cores aparecem em flashes para mostrar o presente.

         O roteiro complexo tematiza a ideologia comunista, a situação da guerra do Irã, a repressão do Estado, a vida da família e especialmente de Marji. As cenas curtas conseguem encontrar o equilíbrio entre o didático – quando explica a revolução e a guerra – somando as conseqüências na vida da protagonista – a curiosidade na infância, a revolta na adolescência e o amadurecimento – e, por fim, os diálogos reflexivos, sem ser cansativo ou superficial.

Letícia Augusta

Serviço:
Persépolis

Direção: Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud

Duração do filme:  96 minutos/ 2007

Exibido no Projeto Tela Alternativa no dia 2 de Outubro

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31/08/2013

A praça dos passantes apressados

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Com árvores cortadas e chafariz reativado, Praça Barão de Guaraúna, no Centro de PG, está de cara nova

   Passear na praça já não é mais uma opção comum para as pessoas. Esses espaços viraram apenas um ponto de passagem, principalmente os localizados no centro da cidade. Os maiores frequentadores são idosos, pombos e cachorros de rua. Seja por causa dos animais, falta de cuidados ou a existência de outras opções, as praças se tornaram um lugar desagradável e pouco procurado para encontros.

     A Praça Barão de Guaraúna, ou ‘Praça dos Polacos’, como é conhecida, é um exemplo. Localizada no centro de Ponta Grossa, ocupa uma quadra. Igreja, bancas de jornal e revista, ponto de táxi e banheiro público estão no interior. Banco, farmácia, lotérica, academia de ginástica, ao redor. Na praça, tem quase todos os serviços básicos, o que aumenta a circulação de pessoas.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

     Em maio de 2013 ocorreu a revitalização da praça. O chafariz, que não funcionava há 50 anos, foi reativado. O calçamento e bancos foram trocados parcialmente. Além da limpeza, instalação de lixeiras – que incentivam à população o costume de não sujar a praça – e flores que foram plantados nos canteiros. A praça perdeu o aspecto de sujeira e se tornou um lugar mais agradável para frequentar.

    Com a revitalização, oito árvores foram cortadas. Os cortes foram necessários, pois as árvores estavam com doenças, pragas e parasitas e podiam contaminar outras árvores, segundo a Secretaria do Meio Ambiente. Não existe registro de plantio de novas árvores no local.

     Durante as manifestações de junho, o local ganhou novo uso. Virou ponto de concentração dos manifestantes. Acontece também em outras atividades similares, como a “Marcha das Vadias”.

Letícia Augusta

 

Serviço:

Praça Barão de Guaraúna – Centro de Ponta Grossa/PR

Entre Av. Vicente Machado e rua Paula Xavier

16/08/2013

Um canal para aprender a fazer rádio

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Web rádio é produzida por estudantes de Jornalismo da UEPG há quatro anos

     A RádioWeb é um projeto de extensão vinculado ao curso de Jornalismo da UEPG, coordenado pela professora Zeneida Assumpção, desde 2008. O conteúdo varia entre cultura, educação, saúde, assuntos e eventos que envolvem e aconteçam na Universidade.

     Os alunos que integram o grupo produzem boletins de notícias três vezes por semana. Além disso, no site da rádio estão publicações dos áudios que os demais alunos do curso de Jornalismo – não ligados diretamente ao projeto – produzem nas demais disciplinas para rádio.

     No site é possível encontrar os áudios gravados anteriormente pelos alunos, que podem ser ouvidos a qualquer hora e quantas vezes se achar necessário. A qualidade de locução e texto varia de aluno, e as técnicas adquiridas por cada ator, já que o projeto conta com acadêmicos de diferentes séries da graduação. Não existe possibilidade de transmissão ao vivo, nem há interatividade com o público. Um déficit mais relativo à elaboração do site do que da organização do projeto.

logoFoto: Divulgação

     A iniciativa não possui uma identidade própria, segmentação, nem público alvo definido. Por ser um projeto que visa o aperfeiçoamento profissional, os alunos necessitam exercitar todas as áreas do radiojornalismo. E também outros setores do rádio não jornalístico, como a produção de radionovelas e adaptação de textos literários para radiodifusão.

     A RádioWeb, mesmo sem transmissão ao vivo, tenta suprir a inexistência de uma rádio universitária na UEPG. Porém, não exige dos alunos integrantes a necessidade de uma programação periódica. A sua existência é um tanto obscura para os estudantes dos outros cursos da UEPG, talvez pela escassa divulgação.

Letícia Augusta

Serviço: http://radioweb.uepg.br/

20/06/2013

“Quem disse que você é legal?”

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No palco do FUC, um pouco mais do que você já escutou e viu por aí… em PG

        A banda Cadillac Dinossauros está habituada em se apresentar nos bares da cidade, interpretando covers, embora algumas vezes intercalam com músicas próprias. Mas o que se viu no palco do Cine-Teatro Ópera, no encerramento da primeira noite (19/06) do 26º Festival Universitário da Canção (FUC), foi o show inédito “O compositor é!”, com músicas de autoria, o que explicaria o silêncio do público. Para não perder o costume, os Cadillacs e os músicos convidados também tocaram covers.

        Baixo, guitarra, bateria e violão formam a base instrumental. Em algumas canções se introduz o clarinete ou flauta transversal, um diferencial melódico oferecido pelo grupo, que consegue atingir a proposta de ser uma banda de rock, com resquícios do samba. A experiência dos músicos contribui para a qualidade sonora.

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Foto: lente quente/João Henrique

        As letras migram de tentativa de crítica social, reflexão à contação de história e fogem de temas clichês. Percebe-se, em algumas canções, rimas pobres, aparentemente propositais. A voz do vocalista é levemente rouca, afinada, e consegue atingir notas altas, demonstrando domínio musical, talvez apenas um tanto ardida, podendo desagradar alguns ouvidos.

        Apesar da presença, o Cadillac Dinossauros não ousa e não oferece um material diferenciado. Na primeira vez que se escuta, as músicas passam a impressão de serem parecidas, principalmente no ritmo e interpretação.

        Durante a apresentação no FUC, a banda interagiu com o público e a reprodução de canções alheias contribuiu para animar. Uma encenação cômica com atores, porém desnecessária durante uma música arrancou risos da plateia, que aplaudiu de pé no final, indicando uma aceitação pública.

Letícia Augusta

Serviço:

Canção: Todo compositor é

Letra: Cadillac Dinossauros

Música: Cadillac Dinossauros

Músicos: Integrantes da Banda e convidados.

17/05/2013

A tradição do país vizinho

pratosPrimeiras empanadas argentinas a chegarem a Ponta Grossa… ‘Sabrosas, gustosas, marvillosas’

     As empanadas argentinas, apesar do nome, não foram inventadas na Argentina. No entanto, foi lá que se criou a tradição do consumo, que se compara com a da pizza no Brasil. A empadinha é a versão abrasileirada, porém a massa é mais pesada e engordurada. Carolina Silveira, ou Tia Pepa, como prefere ser chamada, trouxe o produto para Ponta Grossa há cerca de um ano e três meses.

     As mãos argentinas de Pepa preparam as empanadas artesanalmente. Desde a massa, o recheio e a formatação. O formato se assemelha a de um pastel assado e tem o tamanho de um palmo. No cardápio, existem 10 opções de sabores, entre as tradicionais, especiais e premium. A massa fina e macia não possui conservantes. A empanada de frango tem o recheio úmido e levemente picante. Leva oito minutos para assar, assim saem do forno ao ponto e douradas.

Foto divulgação

Foto: divulgação

     O Tia Pepa também produz cestinhas doces e salgadas que lembram pequenas tortas e tem a mesma massa que as empanadas. Na cestinha de chocolate e morango utiliza-se chocolate cremoso e pedaços de morango que proporcionam um sabor azedinho ao prato. Tanto nas empanadas como nas cestinhas, o recheio é volumoso e proporcional à massa, sendo que esta não fica em excesso.

     O estabelecimento não possui mesas e cadeiras para o cliente comer. O serviço funciona por entrega ou com a intenção que leve para degustar em casa. As caixinhas são higiênicas, e na embalagem das cestinhas toma-se o cuidado de um suporte para que o recheio não toque na tampa e grude.

Letícia Augusta

 

Serviço:
Tia Pepa – empanadas argentinas
AV. Bonifácio Vilela, 505, Centro de Ponta Grossa. Fone: (42) 3025 1222
O preço das empanadas argentinas varia entre R$ 4,00 a R$ 5,50

05/04/2013

Uma colcha de retalhos musical

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Do jazz ao rap, coletivo de artistas locais mistura estilos e transforma tudo em uma coisa só

Quem presencia pela primeira vez o show da banda PG Town Rap Jazz Ensemble suspeita que o palco está uma bagunça. Mas a bagunça é organizada, pois basta começar a música para constatar que o grupo sabe o que faz. Os 15 integrantes da banda dividem o palco e misturam suas formas artísticas. A proposta é simples: rap com musicalidade.

O projeto nasceu da união de alguns integrantes da banda Dr. Skrotone e a Máfia do Ska, que dão conta do instrumental com apoio do guitarrista Rodrigo Zoto e o Dj Fernando Bileski, e os MCs do Forma Única, Produto Nosso e Vigília Negra, que entram com o rap e revezam o microfone a cada canção. As letras do rap são adaptações das composições de cada grupo, que sofrem modificações para encaixar na melodia e harmonia. O rap não perde a identidade de falas retas e a musicalidade  enriquece as músicas e não apenas acompanha o rapper. Tudo se acopla e assume forma.

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 A banda sai da zona de conforto quando ultrapassa os limites de cada estilo. Tanto o rap quanto o ska possuem características peculiares e delimitadas. A união dos dois estilos quebra preconceitos, desconhecimento e a incompatibilidade de pensamentos que os adeptos de um estilo tinham em relação ao outro. Em noite de show da PG Town Rap Jazz Ensemble encontra-se o público do ska e do rap. Um público heterogêneo, ainda em fase de adaptação e aceitação da sonoridade da banda. Foram seis apresentações na cidade em um ano de formação.

A PG Town Rap Jazz Ensemble chega com uma proposta diferente e ousada no cenário pontagrossense, com expressão artística, explorando a criatividade e a vontade de fazer um trabalho de qualidade.

Letícia Augusta

 

Serviço:

Evento: Roots Party

Data: 06/04 – sábado. Horário: 20h

Local: Pousada do Lago

Ingresso: R$25 (segundo lote). R$30 (terceiro lote)