Posts tagged ‘Ombudsman’

17/09/2013

Voltei ao Flicampos, sem ler o Ombudsman

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     Na semana em que ocorreu o Flicampos, entre 7 e 15 de setembro, o Crítica de Ponta continuou pautando o evento. Agora, cobrindo as atividades. No texto ombudsman da semana passada foram dadas algumas indicações para a construção e edição do texto. Porém, baseada na nova remessa de críticas, alguns autores não as leram antes de partir novamente para a cobertura.

     Um indicativo dessa falta de leitura prévia foi a repetição da palavra Flicampos no tíitulo “Diferentes temas atraem público para Flicampos”, “A beleza que tem um samba’ na manhã da Flicampos”, “apesar das melhorias, Flicampos precisa de ajustes”. As demais titulações estavam mais soltas e extrovertidas. Nos outros sete textos, a crítica ficou melhor construída, além de, como já dito antes, deixou a leitura do blog como um todo menos cansativa. Um ponto positivo para a equipe do Crítica de Ponta, que lê o ombudsman.

     O que se notou, também, foram melhoras no que se diz respeito às longas descrições: há mais crítica do que nas duas semanas anteriores. A descrição entrou para complementar e dar base aos apontamentos, e não como instrumento único nas produções.

     Algumas críticas merecem comentários a parte, como é o caso de “Criatividade e inovação versus parcialidade”, que acertou tanto na escolha do tema, quanto no uso direto e simples de recursos que contextualizavam para depois criticar. Usar linguagem muito rebuscada pode desconstruir uma crítica, como acontece no texto “existe competência, falta inovação”, que abordou as músicas que embalaram a FIicampos com riqueza de pauta, porém, deixou o texto confuso.

     Um momento que exemplifica essa confusão é quando o autor diz “uma grande salada musical marcava presença nos autofalantes”, e logo em seguida afirma que “…foi apenas uma engraçada amostra da ortodoxa sonorização do evento”. Ortodoxa, segundo os dicionários da língua portuguesa, significa algo rígido, sem modificações, permanente, que não admite o novo. Como algo que se denomina ortodoxo pode ser “uma salada”? É válido utilizar palavras mais rebuscadas na crítica, porém é preciso ficar atento aos significados.

     Errar faz parte do aprendizado. Cabe, agora, refletir sobre as produções já realizadas para, na próxima oportunidade, ajustar as (singelas) pendências que ainda rondam a equipe. Não a desperdicem, e, leiam o ombudsman.

Angélica Szeremeta

 

 

10/09/2013

Onde estas tu, organização?

ombudsman12-112            Realizar cobertura de evento em forma de crítica, que aborda diferentes angulações da atividade em questão é uma ideia louvável. Porém, se mal organizado, o tiro acaba saindo pela culatra. O Crítica de Ponta mirou no alvo certo: a realização do II Festival Literário dos Campos Gerais (Flicampos). Mas, em alguns momentos, a bala acertou no pé.

Dos nove textos elaborados, sete trouxeram o evento como tema, exceto as editorias ‘Pratos & Drinks’ e ‘Moda e Estilo’. Apesar de não seguir a linha editorial da semana, por motivos compreensíveis de falta de pauta correspondente à proposta, foram as que mais acertaram na hora de criticar: trouxeram títulos criativos, contextualizaram o tema e principalmente trouxeram serviços. De que adianta uma crítica sem serviço, já que a função da mesma é orientar o leitor para o consumo ou não do material?

Além da falta de serviços em alguns textos, a titulação deixou a desejar. A crítica permite brincar mais com o jogo das palavras na formação do título. “Jornais de PG pouco divulgam II° Flicampos”, “Cinema e literatura na 2ª edição do Flicampos” “Imaginação presente no II Flicampos” são repetitivos em excesso, quando se pensa a leitura do site como um todo.

A edição deveria ter reformulado a titulação ou então uma reunião a priori que organizasse o formato dos textos (já que é uma cobertura especial) resolveria o problema. Faltou planejamento.

Já que se fala em edição e serviço, a postagem tardia do texto ombudsman semana passada ficou atrasada, quase uma semana após as publicações dos textos. É importante saber que o ombudsman deve ser lido e disponibilizado ao leitor, não somente para consumo interno dos acadêmicos, pois, se fosse assim, não seria necessário a postagem do mesmo.

É preciso que equipe (editorial) do Crítica de Ponta visualize o site como um projeto integrado e não somente os textos isolados. A falta de uma logística adequada acarreta o que se vê nesta edição: repetições, atrasos nas publicações e falta de criatividade para redigir o texto, além da falta de informações de serviço. A cobertura de eventos é efêmera e se esvai com o passar das horas. Deve ser um trabalho rápido e planejado. O tempo é escasso para todos e é preciso lidar com esta limitação.

Angélica Szeremeta

14/08/2013

Lembrem-se, o leitor é um cara curioso

ombudsman12-11

 

     Vocês já pararam para pensar quem é o leitor de suas críticas? Talvez vocês nunca descubram o perfil desses leitores, mas uma coisa é certa: quem lê uma crítica quer esclarecimentos, informações completas, não quer sair com dúvidas.
Na edição (produzida na primeira semana de agosto/13) do Crítica de Ponta, o que se observa é que muitos textos deixam de dar informações básicas, que tornam os textos incompletos e não desvenda as curiosidades dos leitores.
     Nas editorias Vitrola e Antena as autoras trazem históricos que enriquecem a construção da crítica. Mas, na primeira, o leitor poderia gostar de saber onde os músicos estavam ensaiando, era num estúdio ou ao ar livre? E como foi citado que as redes sociais ajudam na divulgação, poderia ter indicado uma página online da banda, para quem tivesse interesse em conhecer.
     Outra questão a ser lembrada é que a crítica, assim como outros textos jornalísticos, tem de ter um fio condutor com título e linha de apoio que devem ter total relação com o texto. Em Moda & Estilo, as blusas de renda, objeto da crítica, foram bem descritas e criticadas, porém, o foco não era o preço? O que é um preço acessível? Acessível para quem? “A partir de R$ 19,00” só aparece no serviço de forma vaga. E se há a afirmação de que as vendas aumentaram, quem disse isso, algum lojista, alguma pesquisa? O público quer dados que o crítico deve comprovar.
     Situação semelhante acontece em Pratos & Drinks, o título parece focar no chopp com vinho. Então por que no serviço só aparece o preço do chopp claro e escuro? Apesar disso, a autora consegue trazer elementos sensoriais para conduzir a crítica. Destaque para Em Cena, onde a autora também explora os sentidos e o leitor pode ter um gostinho de como foi o espetáculo de teatro.
     Tanto Entre Linhas como Na Tela trazem excesso de descrição. Mas em Na Tela, o autor consegue ao longo do texto argumentar e construir uma boa crítica. Em Projetor, quem não assistiu ao filme, não consegue entender do que se trata a história, pois apesar dos exemplos que o autor usa para enfatizar as críticas, não explorou o roteiro.
     A crítica de Outros Giros mescla bem descrição com crítica, mas a linha de apoio ficou confusa, é o grupo que está pela primeira vez em Ponta Grossa, ou é a primeira vez que algum grupo faz três apresentações diárias? Em Livro Aberto, o serviço está incompleto, não tem número de páginas, preço ou informações sobre o autor, se o leitor estiver interessado no objeto criticado, não é ali que ele encontrará as informações.
     Fica como orientação que o crítico deve se colocar no lugar do leitor, que busca uma linguagem clara, ter suas dúvidas esclarecidas e conhecer um pouco sobre o objeto criticado.
Nicoly França
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11/06/2013

Atenção nunca é demais

ombudsman12-11

     O último texto do ombudsman aponta que – e aqui a frase na íntegra – “quase todas as editorias fazem bem o balanço entre descrição, informação e crítica”. Pois bem, nesta semana as críticas, em sua maioria, continuam a cumprir com o esperado, algumas até conseguem instigar no leitor a curiosidade de conhecer (quando não o feito) o objeto da crítica, como é o caso das editorias Entre linhas, Vitrola e Pratos e Drinks. Embora na última fosse interessante informar o preço com maior exatidão – no espaço do serviço mesmo – dizer que o preço varia é quase óbvio, quem lê quer saber quanto tem que desembolsar para provar a ‘pizza frita’.

     Erros de incoerência nas construções frasais continuam aparecendo (uma edição atenta resolveria o problema). Na crítica da editoria Antena, durante todo o texto a autora deixa claro que as músicas tocadas no programa Arquivo T são antigas, mas ao dizer que “o programa tem um público significativo de 11 e 12 anos”, faz com que a interpretação se torne ambígua, os ouvintes escutam o programa há 11 e 12 anos ou tem essa idade?

     O mesmo acontece com a editoria Na tela, onde o título da crítica indica a diversidade do conteúdo no programa criticado, mas durante o texto afirma-se que “a pluralidade de assuntos no programa, basicamente, é dividida em dois assuntos”. Como assim? Como pode ser plural e tratar apenas de dois assuntos? Precisa existir maior atenção do autor e da edição.

     Rápidos apontamentos sobre as demais críticas. Na editoria Em cena, a iluminação e a acústica do local ajudavam na peça? A crítica do Terminal Rodoviário da cidade cumpre sua função, na editoria Outros Giros. O mesmo acontece na editoria Livro Aberto, que atenta para pontos característicos do autor. Na editoria Projetor, a autora consegue, através de uma boa crítica, apontar onde o filme ‘Django livre’ peca. Percebe-se que na editoria Moda e Estilo sempre há muita descrição e histórico, e no texto dessa semana não foi diferente.

     Como dica, lembrem-se que é preciso atentar também aos detalhes, que podem confundir o leitor, mas quando apontados de maneira sensata ajudam no entendimento e enriquecem a crítica.

Caroline Belini

22/05/2013

Sem medo de criticar!

     Em 2012, na passagem pelo Crítica de Ponta, geralmente havia alguma decepção quando o ombudsman não falava da crítica (autoral). Daí, a proposta de tentar falar de todas, um pouco pelo menos, para o bem ou para o mal.

     Alô-alô, edição! Não se pode apenas pegar as críticas e postá-las direto. É necessário um cuidado a mais. Não se pode deixar passar, por exemplo, um “fez com que elas deixassem de serem restritas”, na editoria de Moda (onde falta referência das camisas retrô), além de alguns pontos finais no lugar de vírgulas, sob risco de deixar o texto muito truncado, como acontece no segundo parágrafo da editoria Antena – onde aparenta um texto que teve que ser diminuído.

     Destaque para Vitrola, que já começa com bom título e linha de apoio, fundamentais para textos na web, e consegue prender o leitor com a descrição e contextualização. A crítica é presente, com o único defeito de só aparecer no terceiro parágrafo. Valeria misturar isso aí! Passe livre também Na Tela, que começa muito bem, mas perde o leitor, conforme avança e entra em contradição ao criticar os comentários na notícia e depois dizer que Pasetti “apenas” deixa as matérias rodarem, terminando sem uma conclusão de fato.

     Projetor não cativa o leitor com título e linha de apoio ruins, porém é rica em crítica e pobre em descrição. “Mas ombudsman não é isso que vocês pedem? Critica-critica-critica?”. Não, deve haver uma mescla, após a leitura deve-se saber não só que o filme é ruim, mas também o porquê é. Em cena, Pratos e Drinks e Entre Linhas repetem o mesmo erro da acentuada descrição, sendo que a primeira parece ficar um pouco sem conexão, a segunda vai bem no título e mal na linha de apoio, e a terceira se perde ao tentar falar também da emissora, ao invés de se focar no site apenas.

     A editoria Outros Giros começa errado desde a pauta: a Faculdade do Lanche caberia muito melhor em Pratos e Drinks, até porque o autor fala de um cardápio variado (para depois dizer que se restringe a sanduíche, sucos e refrigerantes?). Atenção para a editoria Antena, que tem uma descrição exaustiva no segundo parágrafo e a crítica aparece a partir do terceiro, uma mescla dos dois seria o ideal, mas falta um pouco de ligação no segundo parágrafo. Talvez, um enter a cada ponto final, ficaria com um texto em tópicos sem nenhuma perda de sentido.

     Não basta criticar, é preciso usar a descrição para mostrar ao leitor que aquilo não está funcionando, de forma a, quando se utilizar da crítica, o leitor compreenda melhor e, talvez, até concorde com a abordagem do texto.

Eder Traskini

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01/05/2013

Patinação entre fantasmas

Como já sugerido, aqui neste espaço, só mesmo a prática pode resolver alguns problemas apresentados pela turma produtora do Crítica de Ponta 2013, posto que o projeto é uma produção laboratorial, focado na aprendizagem. Contudo, já seria de se esperar que, depois de dois meses e sete edições do blog, alguns ‘fantasmas’ já tivessem sido superados.

O fantasma da edição incompetente, apontado pelo último Ombudsman, não foi deixado para trás. O problema aparece em diversas críticas e se evidencia no excesso de vírgulas inadequadas no texto “Aposta excelente, estrutura precária”, no uso dispensável de gerúndios na postagem”Para rever a cultura da Princesa dos Campos” e no mau uso do plural nas frases “O trio de música caipira Zé Garcia, Sereninho e André da Sanfona se apresentaram(…)” e “A última apresentação foi do Coro Cidade de Ponta Grossa, que apresentaram(…)” do texto “Música para todos os gostos e estilos”.

Outro problema é a adjetivação. Na maioria dos casos, os adjetivos são dispensáveis e acabam enfraquecendo os argumentos da crítica. O texto “Aposta excelente, estrutura precária” traz dois adjetivos no título e continua a usá-los no texto inteiro, o “Prato oriental conquista adeptos no Brasil” afirma que o yakissoba é “muito saboroso” e o “E se ficar insosso, vai servir para variar o gosto” afirma que sertanejo universitário é “modinha”. Sem entrar em discussão de valor aqui, mas a afirmação é, além de adjetivação, um clichê dispensável para a construção da crítica.

Quanto às pautas, essa edição pode se orgulhar da seleção. As editorias de Vitrola Em Cena tratam de eventos culturais importantes para a cidade. Outros Giros fala de um espaço de relevância nos arredores da UEPG Central, Entre Linhas Livro Aberto comentam um material cultural geralmente esquecido pela grande mídia, e Pratos e Drinks consegue fugir do estigma de descrever espaços e trata realmente de um prato. Entretanto, os textos “Prato oriental conquista adeptos no Brasil”, “Notícias literárias em rascunho” e “Histórias de sexo e violência”, apesar de claros e coesos, fizeram críticas rasas e primam pela descrição. Além disso, a maioria dos ‘serviços” fica superficial e alguns falham em divulgar preços.

Alguns textos merecem destaque, como o “Jaqueta de couro não é mais ‘o bicho’”, que faz uma retomada histórica, debate com argumentos a ‘migração’ para o couro sintético e faz um trocadilho relacionado com o tema no título. O texto “Sucesso com pouco conteúdo” acaba não criticando com propriedade o filme G.I. Joe: Retaliação, por dar atenção demais ao modelo hollywoodiano em que ele se insere. A produção mereceria uma citação ao primeiro filme, G.I. Joe: A Origem do Cobra, e ao conceito que deu a ideia para o filme, os bonecos Comandos em Ação, que fizeram parte da infância de muita gente.

A editoria Em Cena trata da Conferência de Cultura, mas de uma maneira confusa. Não dá para entender se o foco é a Conferência como um todo ou a reunião setorial das artes cênicas, e a construção do texto embaralha a cabeça do leitor, de modo que fica difícil entender o que se está lendo. Além disso, o título “Para rever a cultura da Princesa dos Campos” remete inapropriadamente a uma certa companhia de viação da região. Por fim, o texto “Música para todos os gostos e estilos” afirma que o Coro Cidade de Ponta Grossa apresenta música celta, enquanto a apresentação era de músicas africanas.

Rubens Anater

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23/04/2013

Frases sem lógica e pontuação ‘criminosa’

ombudsman12-1

Depois de duas semanas sem aparecer, voltou a dar o ar da graça no Crítica de Ponta o fantasma da edição incompetente. Utiliza-se, aqui, este espaço de exame de consciência e de prática (às vezes traumático, mas com frequência esclarecedor) para repensar e avaliar algumas pataquadas da edição da semana.

As (sérias) falhas na edição colocaram em xeque muito da credibilidade que o Crítica de Ponta começa a construir em 2013. Com construções ambíguas e uma boa abstenção de coesão dentro dos textos, as críticas, de modo geral, conseguiram irritar o leitor. Na crítica de ‘Em Cena’, por exemplo, a falha na edição, ao deixar de corrigir pontuação básica, deixou o texto truncado: “A peça á baseada no multimídia, enquanto a peça acontece, você, você vê a peça projetada na parede, o que reforça q ideia de documentário e pode sugerir uma contemporaneidade, tanto no modo de apresentar a peça quanto na questão tratada, que ainda é uma discussão muito atual”.

Isso sem falar da repetição de palavras. Só no trecho acima tem-se “peça” repetida quatro vezes. Isso distrai o leitor, e acaba atrapalhando o andamento da leitura e das ideias, que é o que acontece neste exemplo, retirado do texto de “Antena”: “O radialista consegue trazer o público para perto do programa ao falar dos temas abordados no programa”.

É falha da edição também a ambiguidade no início da previsível e superficial crítica de “Entrelinhas”, quando o texto não esclarece se o que funciona como “um espaço destinado à literatura, principalmente paranaense” é o jornal ou a biblioteca. É falha da edição deixar passar erros infantis como em “Moda & Estilo”: “Diversos regimes políticos fizeram adotaram as tatuagens”.

E é falha da edição também as mentiras dos títulos. Nessa semana, por exemplo, a crítica de “Vitrola” não corresponde ao que o título apresenta. Muito bem focado, o comentário não dedica mais que algumas palavras para o contexto ponta-grossense das bandas independentes, e se a edição não percebeu isso na hora de mandar o texto pro blog, não cabe ao leitor adivinhar que vai ler uma coisa ao invés do que foi anunciado.

Esses erros, – alguns bobos, outros facilmente justificáveis no plano das distrações – , se mostram perigosos na medida em que comprometem a leitura e a seriedade do blog. Ao se deparar com tanta “bobeira” ou tanta “falha”, um leitor razoavelmente exigente desiste da leitura na metade do caminho, e sequer chega a ler boas críticas que por algum motivo escapam da maldição do fantasma intermitente da edição pecaminosa, que foi o que aconteceu com “Projetor” e “Outros Giros” dessa semana.

Matheus Lara

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09/04/2013

Ousadia do bem e do mal

ImagemA quinta edição do Crítica de Ponta em 2013 ganhou em petulância, no melhor e no pior que isso possa significar. Boas críticas que mesclam descrição, informação, criatividade e análise, e textos em que a ousadia se revelou uma péssima estratégia. Confira!

Por pouco: ‘Projetor’, ‘Moda & Estilo’ e ‘Antena’

‘Projetor’ traz um interessante comentário sobre uma animação que foge dos padrões tradicionais de desenhos no cinema. Ao apostar no discurso simbólico do longa, a autora do texto acerta em um ponto crucial da crítica de mídia: analisar separadamente diferentes aspectos do produto, em detrimento do produto como algo final e amplo, dá profundidade ao comentário analítico. É possível comprovar a efetividade da dica no último parágrafo do texto de ‘Projetor’, quando a autora resolve falar da parte técnica do filme e o texto (como um produto final e amplo) se desintegra.

O irônico texto da editoria ‘Moda & Estilo’ traz na boa pauta a discussão sobre ideologias, futilidades e modernidade (muito pertinente na nova editoria), e as informações de contextualização que o autor traz em ¾ do texto sustentam o desfecho. Acompanhada de uma boa foto, é uma agradável crônica sem personagens específicos. Mas, como crítica, peca em não entrar (criticamente) no tópico em que o autor mais insiste: por que o corte moicano deveria, afinal, ainda hoje, ser feito para seguir alguma ideologia?

O texto de ‘Antena’ começa bem ao falar sobre a cobertura regional do programa analisado, e as implicações que a cobertura desordenada tem gerado, um ótimo ponto a ser questionado em um meio de comunicação que, cada vez mais, tende a apostar em realidades regionais. Porém, o autor tropeça ao tentar analisar aspectos adicionais do programa, e o texto se torna mediano e um pouco vazio em análises críticas.

 

Descuidos perigosos: ‘Pratos & Drinks’ e ‘Em Cena’

A crítica da editoria “Pratos & Drinks” peca em muita coisa. Antes de tudo, quase nada do que tem no texto traz análises. A exceção foi o autor ter trazido o comparativo do preço da cerveja em outros bares. O uso de comparação, aliás, é um recurso essencial para fortalecer argumentos ou provocar interpretações, e foi bem utilizado pelo autor. Fora isso, o texto cai na descrição, que prevalece sobre comentários críticos. O erro mais grave da editoria, entretanto, se deve ao fato de que a crítica que deveria focar o aspecto gastronômico do local acaba caindo em rápidas descrições de ambiente/atendimento/opções, a santíssima trindade para análise de espaços… Aí o leitor que entra no blog para ler apenas críticas gastronômicas em ‘Pratos e Drinks’ vai embora, e com toda razão.

A crítica da editoria ‘Em Cena’ é cruel com o leitor. A atenta descrição, suficientemente analítica, da autora, se perde na ausência de definição de tempo verbal. O uso do presente e do pretérito do indicativo é intercalado, em alguns casos até na mesma linha, e confunde bastante quem lê o texto. Se a ideia da autora foi fazer o leitor se sentir no meio da apresentação, no momento em que ela acontecia, faltou, antes de tudo, a própria autora se definir sobre como faria isso.

Foco, clareza e posição: os acertos da semana

Crítica bem feita não é aquela que analisa todos os incontáveis aspectos do produto analisado, e o texto de ‘Vitrola’ prova isso. Os comentários sobre a banda são aprofundados e entram em problemáticas que vão além do palco, num exercício crítico relacional entre o produto a ser analisado e as implicações e relações do produto com a sociedade que o consome. Os comentários em ‘Vitrola’, e também nas editorias ‘Na Tela’ e ‘Outros Giros’, conseguem ser descritivos e analíticos numa dosagem muito bem equilibrada.

Corajosa a crítica de ‘Entrelinhas’ da semana que, ao invés de analisar o conteúdo de um blog com forte carga opinativa, se detém à forma, e justamente por isso merece destaque entre as críticas da semana.

Matheus Lara

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25/03/2013

Tipo montanha-russa

ombudsman12-1

   Depois das experiências apreendidas com os erros, dizem que estes não se repetem. Nesta terceira de semana de março/2013, o Crítica de Ponta prova o contrário. Observações feitas sobre as edições anteriores parecem ter sido completamente deixadas de lado à medida que erros repetidos se mostram em excesso.

   A revisão, por exemplo. Já havia sido comentado sobre a milagrosa propriedade da simples releitura. Houve melhoras, mas lá estão, outra vez: palavras faltando, comprometendo o entendimento do texto; substituição de letras; repetição de um mesmo termo várias vezes no período; equívocos simples, perdoáveis se já não se houvesse alertado sobre como evitá-los.

   Sobre a predominância da descrição em detrimento da argumentação, mesmo cenário. Em algumas críticas quase não se nota a crítica propriamente dita. Há que ler com atenção redobrada e na correria dos tempos modernos, difícil é encontrar leitor que o faça. Aliás, conquistar o leitor a partir de argumentos bem escritos e respaldados em informações relevantes deveria ser o “ingrediente” principal dos textos no blog. No entanto, poucos conseguiram fazê-lo até o momento. Felicitações às editorias Pratos & DrinksEm Cena e Entre Linhas que representam essa minoria nesta edição.

   O que parece ilógico é a melhora percebida em alguns aspectos antes mencionados (como a ausência das fotos que já não ocorre), e piora em outros tratados da mesma maneira (como os títulos mais criativos, argumentação e a bendita revisão).

   Claro que por estar no início do ano, há tempo para errar e aprender, mas vale a ressalva: o blog é um espaço de experimentação e não uma montanha-russa, que ora está lá no alto, com textos bem estruturados, revisados e bons, ora lá embaixo, com falhas primárias que beiram o desrespeito com quem se dispõe a ler.

Hellen Bizerra

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05/10/2012

Agora é só manter o ritmo…

Ao iniciar o texto desta semana, que na verdade se refere às críticas da semana passada, fica um pedido desculpas pela demora na produção do mesmo. Nesta leva de críticas nota-se um grande amadurecimento por parte dos autores, mesmo sem a presença de duas editorias, os textos trazem aberturas mais sedutoras e as pautas estão cada vez mais criativas.

Os autores deixaram que a campanha eleitoral tomasse conta do blog e fizeram dois textos baseados em material da campanha política dos Prefeituráveis em Ponta Grossa. Na editoria ‘Livro Aberto’ é interessante notar que o autor traz, na prática, duas críticas: uma reflete sobre um livro, como sugere o nome da editoria, e outra sobre teatro, intrínseca a obra analisada.

Ao começar a leitura da editoria ‘Outros Giros’ surgiu uma predisposição para uma ‘ferrenha’. Dizer que parecia mais um texto para um impresso informativo de circulação diária do que de um blog de críticas. Contudo, ao fim, a surpresa. A intenção da autora foi mostrar um local pouco visitado, mas com grande potencial para futuramente se tornar uma área de lazer e, afinal, quem foi que disse que ‘Outros Giros’ é uma editoria que deve conter só locais para passeio, lazer e entretenimento?

A crítica ‘Projetor’ se esforça, mas fica muito parecida com os resumos de internet que se encontra aos montes por aí. A autora poderia ter explorado melhor comentários sobre o enredo, o diálogo dos personagens e também os efeitos especiais. Parece que ela não disse muito mais do que qualquer um possa notar por si só. Mesmo com este percalço, destaca-se a uma melhora contínua que os autores vêm tendo ao longo das semanas.

O exercício semanal da crítica acaba se tornando uma dificuldade quando o jornalista não encontra boas pautas. Contudo, os autores do Crítica de Ponta tem se mostrado atentos e interessados em buscar novos olhares, muitas vezes sobre assuntos simples e impensáveis de ser analisados por meio de uma crítica.

Observa-se que a descrição está sendo uma técnica muito bem empregada nas últimas semanas. Vale repetir: “escrever bem não é apenas requisito!”. Assim como no texto Ombudsman anterior, confirma-se que as pautas estão muito boas e que os argumentos estão amadurecendo. A partir de agora, é manter o ritmo e não deixar o ‘leitor fiel’ se surpreender no pior sentido.

Marina Alves

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