Posts tagged ‘Rubens Anater’

01/05/2013

Patinação entre fantasmas

Como já sugerido, aqui neste espaço, só mesmo a prática pode resolver alguns problemas apresentados pela turma produtora do Crítica de Ponta 2013, posto que o projeto é uma produção laboratorial, focado na aprendizagem. Contudo, já seria de se esperar que, depois de dois meses e sete edições do blog, alguns ‘fantasmas’ já tivessem sido superados.

O fantasma da edição incompetente, apontado pelo último Ombudsman, não foi deixado para trás. O problema aparece em diversas críticas e se evidencia no excesso de vírgulas inadequadas no texto “Aposta excelente, estrutura precária”, no uso dispensável de gerúndios na postagem”Para rever a cultura da Princesa dos Campos” e no mau uso do plural nas frases “O trio de música caipira Zé Garcia, Sereninho e André da Sanfona se apresentaram(…)” e “A última apresentação foi do Coro Cidade de Ponta Grossa, que apresentaram(…)” do texto “Música para todos os gostos e estilos”.

Outro problema é a adjetivação. Na maioria dos casos, os adjetivos são dispensáveis e acabam enfraquecendo os argumentos da crítica. O texto “Aposta excelente, estrutura precária” traz dois adjetivos no título e continua a usá-los no texto inteiro, o “Prato oriental conquista adeptos no Brasil” afirma que o yakissoba é “muito saboroso” e o “E se ficar insosso, vai servir para variar o gosto” afirma que sertanejo universitário é “modinha”. Sem entrar em discussão de valor aqui, mas a afirmação é, além de adjetivação, um clichê dispensável para a construção da crítica.

Quanto às pautas, essa edição pode se orgulhar da seleção. As editorias de Vitrola Em Cena tratam de eventos culturais importantes para a cidade. Outros Giros fala de um espaço de relevância nos arredores da UEPG Central, Entre Linhas Livro Aberto comentam um material cultural geralmente esquecido pela grande mídia, e Pratos e Drinks consegue fugir do estigma de descrever espaços e trata realmente de um prato. Entretanto, os textos “Prato oriental conquista adeptos no Brasil”, “Notícias literárias em rascunho” e “Histórias de sexo e violência”, apesar de claros e coesos, fizeram críticas rasas e primam pela descrição. Além disso, a maioria dos ‘serviços” fica superficial e alguns falham em divulgar preços.

Alguns textos merecem destaque, como o “Jaqueta de couro não é mais ‘o bicho’”, que faz uma retomada histórica, debate com argumentos a ‘migração’ para o couro sintético e faz um trocadilho relacionado com o tema no título. O texto “Sucesso com pouco conteúdo” acaba não criticando com propriedade o filme G.I. Joe: Retaliação, por dar atenção demais ao modelo hollywoodiano em que ele se insere. A produção mereceria uma citação ao primeiro filme, G.I. Joe: A Origem do Cobra, e ao conceito que deu a ideia para o filme, os bonecos Comandos em Ação, que fizeram parte da infância de muita gente.

A editoria Em Cena trata da Conferência de Cultura, mas de uma maneira confusa. Não dá para entender se o foco é a Conferência como um todo ou a reunião setorial das artes cênicas, e a construção do texto embaralha a cabeça do leitor, de modo que fica difícil entender o que se está lendo. Além disso, o título “Para rever a cultura da Princesa dos Campos” remete inapropriadamente a uma certa companhia de viação da região. Por fim, o texto “Música para todos os gostos e estilos” afirma que o Coro Cidade de Ponta Grossa apresenta música celta, enquanto a apresentação era de músicas africanas.

Rubens Anater

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09/11/2012

Quem é o rei? Pode ser eu, você, o João ou o melão

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Peça do grupo acreano GPT causa riso, mas falha na promessa de provocar reflexão

A sinopse da peça Quem é o Rei?, apresentada pelo Grupo Palhaço Tenorino, de Rio Branco, no Acre, na categoria adulto do terceiro dia do Fenata, apresenta-a como uma comédia com o “intuito de conduzir o público a refletir”. O elenco conta com um rei e uma conselheira, cujo figurino lembra mais o de uma faxineira, assim como personagens “oficiais”, além da diretora da peça e uma vendedora de melão.

O espetáculo apresenta o rei e conselheira lidando com um problema do reino, interrompidos ocasionalmente pela vendedora de melão, que surge no fundo da plateia, gritando suas ofertas, e pela diretora, que tenta fazer a peça continuar. Os “invasores”, que vão e voltam, causam confusão, envolvem o público e motivam os momentos de mais gargalhadas de toda a peça.  Além disso, rei e conselheira impressionam quando deixam de interpretar seus personagens para “interpretar a si mesmos”, ao fingir que a vendedora realmente atrapalhou a apresentação.

Foto: Rafaela Serrato / Lente Quente

Nota-se grande potencial dos atores, principalmente na vendedora e no rei, que possui a expressão de um palhaço levemente insano, que ri alto, grita e lança imprecações em diversas línguas. A peça continua com boas sacadas, uma movimentação descontraída e interrupções da vendedora, que arrancam risos e palmas da plateia.

Contudo, o rei aparece pouco e não possui muita ação. Já a conselheira, que conduz boa parte da peça, parece tentar enrolar, com cenas vagarosas, como quando apresenta o monumento e fica pedindo palmas ao público, ou quando desce do palco para medir as pessoas e decidir qual serviria melhor para ter a cabeça “pescada” em uma forca amarrada a uma vara de anzol, usada para execuções.

Aliás, alguns pontos da história são incoerentes. Mesmo sendo uma metáfora, definir um culpado pelo seu tamanho não faz muito sentido e, em certo momento, os atores simulam uma revolta do povo, por um motivo pelo qual povo algum se revoltaria. Além disso, a reflexão e o lado político da peça se resumem ao rei, em manifestações de tirania e arrogância, e a cenas como a que os personagens param a revolta jogando pão ao povo.

Por fim, pode-se dizer que a peça consegue divertir de verdade, gerando algumas gargalhadas, mas peca quando tenta aprofundar o pensamento e apresentar crítica política. Também não  se verifica muita força de impacto, se arrasta e se mostra incapaz de estagnar o público pela arte da execução, característica necessária a um bom teatro. As únicas cenas que cativam são as da vendedora e momentos explosivos do rei.

Rubens Anater

Serviço:

Peça: Quem é o Rei?

Autor: Marília Bonfim

Direção: Dinho Gonçalves

Grupo Palhaço Tenorino – GPT

Cidade: Rio Branco – AC

Duração: 55 minutos

Classificação: 12 anos

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28/09/2012

Som e Fúria no teatro de Ponta Grossa

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Livro editado pela Secretaria de Cultura da Cidade e Núcleo de Dramaturgia do SESI/PR traz coletânea de textos teatrais

 A Secretaria de Cultura e Turismo de Ponta Grossa, em parceria com o Núcleo de Dramaturgia do SESI/PR, promoveu em 2010 oficinas regulares de teatro, orientadas pelo ator, dramaturgo e produtor de teatro, Paulo Zwolinski. Deste trabalho resultou uma coletânea, publicada em livro, em 2011, composta por três peças selecionadas por Zwolinski entre as produzidas pelos participantes das oficinas.

O livro começa com duas “cartas”. A primeira do diretor superintendente do SESI/PR, José Antonio Fares, que enaltece o trabalho do SESI, sem citar, em momento algum, a cidade de Ponta Grossa. A outra, da Secretária de Cultura e Turismo de Ponta Grossa, Elizabeth Silveira Schmidt, fala em nome da cultura da cidade. O texto é direcionado ao próprio livro e aponta a necessidade de uma “revolução” no teatro de Ponta Grossa.

A emoção e a dinâmica contidas nos textos das duas primeiras peças –  “A Três” de Carlos Alexandre de Andrade e “Entre Corpos” de João Agner – remetem a uma das máximas do teatro, a frase do personagem Macbeth, de Shakespeare: “a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, e que não significa nada”.

Já a terceira peça, “Quimera”, de Rosana de Oliveira Martins, falta com o “som e fúria”. Duas meninas encontram um livro mágico, vão parar em um país fantástico e tem de combater uma bruxa malvada com o apoio de um mago bondoso. A peça não causa impacto, os sentimentos parecem superficiais e a luta final contra a bruxa se resolve com um pedido para que o amor cure o país do mal que o domina. A única surpresa fica na identidade do mago e da bruxa.

 Rubens Anater

Serviço:
Livro: Coletânea de textos teatrais

Local: Se encontra no Centro de Cultura de Ponta Grossa

Número de Páginas: 135

20/04/2012

Titanic voltou, para afundar de novo

Filme, dirigido por James Cameron, volta aos cinemas para repetir a mesma história, mas desta vez, em 3D

   Exibido pela primeira vez em 1997, o filme Titanic retorna às telonas em 2012, ano em que se completa o centenário da viagem inaugural do transatlântico que deu nome à produção, e ao consequente naufrágio. O filme conta a história de amor entre Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um passageiro de terceira classe, e Rose Dewitt (Kate Winslet), moça prometida em casamento pelos pais, por interesse, e que viajava na primeira classe, junto ao noivo.

   O enredo é simples. Uma história de amor proibido – formula repetida à exaustão desde os tempos de Romeu e Julieta. Mas, por contar com uma produção cuidadosa e humanizar a catástrofe do navio que era ostentado como um símbolo da capacidade do homem, essa história rendeu, em bilheteria, US$ 1,9 bilhões.

  O filme, dirigido por James Cameron, ocupou o posto de maior bilheteria da história até 2009, quando o próprio Cameron lançou aquele que ficaria marcado para sempre como o principal precursor do cinema 3D, o filme Avatar, que ocupa a posição até hoje.

Foto: divulgação

  Seguindo a ideia de George Lucas, que relançou o episódio 1 de Guerra nas Estrelas em 3D, que alcançou a quarta maior bilheteria dos Estados Unidos, Cameron leva o Titanic de volta para as telonas.

   No caso de Lucas, relançar o Guerra nas Estrelas em 3D, parece ir além de uma estratégia financeira, pois o filme, com suas naves, lutas de sabres de luz e explosões, pôde explorar o recurso ao máximo. O Titanic, por sua vez, prima por cenas românticas entre os protagonistas e grandes enquadramentos no navio, nada que justifique afundá-lo em 3D. Nada além do fator financeiro, é claro.

                                                                                                                                                                                                                                   
  Rubens Anater

Serviço:

Local: Cine Araújo (Shopping Palladium, Rua Ermelino Leão, 703 – Olarias)

Horário: Diariamente, às 20 horas

Classificação: 12 anos