Archive for ‘Marçal de Souza’

13/11/2015

A impunidade é mais dolorosa que a morte

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Grupo de teatro de rua revela passado doloroso nas terras de nosso país

Escutava-se um barulho diferente vindo da Praça do Barão de Guaraúna. Uma batida, como a de um tambor. Pessoas se aproximaram com vestimentas rústicas de costuras caseiras. Saias e calças marrons e camisetas beges.

Como num cortejo, o grupo seguia um estandarte vermelho com a foto do líder guarani assassinado nos anos 80, Marçal de Souza, e com o escrito “Tekohá – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno”. A frase é o nome da peça do grupo Teatro Imaginário.

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Foto: Matheus Pileggi

O público, que aguardava a apresentação, ficou surpreso quando os atores e atrizes começaram a caminhar em direção à Rua Balduíno Taques. Lentamente, o grupo se distanciava ao som das batidas de um tambor levado por um deles.

O movimento dos atores parecia uma marcha fúnebre e alguns deles traziam bambus nos ombros como se carregassem um caixão. O grupo parecia meio perdido, o que não era de se estranhar já que ele é originário de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Depois de dar uma volta pela quadra, eles retornaram ao ponto de encontro. “Bem vindos ao território livre que são as ruas”, começou um dos atores. Uma provocação talvez.

Primeiro revelaram o contexto histórico geral da peça, destacando a escravidão imposta aos índios. As pessoas ao redor, frequentadores da praça, catadores de lixo e entusiastas do Fenata, acompanhavam a encenação das mortes sem explicação e das injustiças sofridas pelos indígenas.

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Foto: Matheus Pileggi

“Ei, cara!”, interrompeu um dos atores. “Vai ficar reclamando? Tem que fazer alguma coisa! Igual Marçal de Souza! Esse. Sim. lutou!”. Ao mostrar a história cruel e triste do líder, a peça faz refletir sobre o poder e ganância e como eles podem destruir as pessoas.

Na praça do Barão de Guaraúna, ao lado da Igreja, os atores repetiam a frase: “a impunidade é mais dolorosa do que a morte”. Enquanto isso, uma ambulância com a sirene ligada passava à distância, como uma ironia do destino.

Terminada a apresentação, os aplausos duraram bastante tempo, mostrando que as pessoas ali reunidas se identificavam com o problema. “Abaixo o genocídio! E viva o teatro de rua!”, finalizou um dos atores.

Serviço

Autor: Fernando Cruz
Direção: Fernando Cruz
Grupo: Teatro Imaginário
Cidade: Campo Grande – MS
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

Matheus Pileggi

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