Archive for Novembro 23rd, 2015

23/11/2015

A tristeza do Jeca

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Os impactos da vida urbana na cultura caipira é tema de peça paulista que retoma o estereótipo do homem do campo

‘Os Jecas’, montagem da Cia da Palavra de São Paulo, conta a vida do caipira a partir de uma perspectiva singela. A peça começa criando laços entre os atores e a plateia. A conexão foi imediata, pois quem na região de Ponta Grossa não teve uma avó ou um avô com uma horta cheia de plantinhas com poderes curativos ou mesmo com um conselho sempre a mão?

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Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

Seis atores realizam essa impressionante conexão inicial que, no desenrolar da peça, interpretam clássicos como Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, Nuvem de Lágrimas, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, bem como algumas músicas de autoria de Almir Sater.

Todas as modas de viola foram interpretadas com a delicadeza própria da moda de viola. Instrumentos de percussão, violão, gaita e efeitos sonoros produzidos pelos próprios atores complementam o tom que a peça adota ao focar a cultura caipira.

Numa mescla de romantismo e nostalgia, há um esforço para que o ritmo suave se mantenha ao longo de toda a peça. O comprometimento com a sonoridade típica música de raiz dá o tom do afeto, o amor, que o jeca sente pela terra de origem que se choca à atração pela sedutora vida na cidade.

É interessante ver a transição dos Jecas em homens mais urbanos marcando as consequentes subversões resultantes da transformação pela experiência da vida urbana.

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Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

A peça é inspirada nos caipiras paranaenses, paulistanos e do Sul de Minas. Apesar de não existir esse determinismo quanto à localidade, é possível identificar esses três estereótipos. Além disso, existe a forte marca do Jeca Tatu, personagem do escritor Monteiro Lobato. O Jeca da peça torna-se um jeca universal levando à identificação imediata pelo público.

É interessante ver a reação positiva das crianças na plateia diante das canções e da interpretação dos atores, comprovando que a temática da peça atrai pessoas de idades muito variadas. A interação é constante, sobretudo, porque os atores se aproximam do público e incentivam o canto coletivo.

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Divulgação: Lauro Alexandre Thomaz

A peça não explora apenas o clima de felicidade. Há também muita tristeza, obscuridade e nostalgia, principalmente nos trechos narrados com os dois microfones posicionados na lateral do palco.

A iluminação é simples. No entanto, ela traz um aconchego que remete à luz do lampião. Tules, que em determinados momentos envolvem os personagens como um casulo, têm um papel determinante na peça, pois ao final alguns saem desse casulo e o verdadeiro Jeca continua envolto em seu aconchego, luta e revolta.

Anna Cuimachowicz

Serviço

Autor: Helder Mariani
Direção: Helder Mariani
Grupo: Cia da Palavra
Cidade: São Paulo – SP
Duração: 65 minutos
Classificação: 12 anos

 

23/11/2015

Uma história vinda do interior de Minas Gerais

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Última peça da mostra de rua traz questões sociais, a religião, as cantigas e o próprio sotaque da região

A última apresentação da mostra de rua do Festival Nacional de Teatro (Fenata) trouxe um espetáculo de Ouro Preto, Minas Gerais. O grupo teatral 2×2 apresentou a história de Laura, uma lavadeira que já era casada, e de Tenório, um homem simples e trabalhador, que vive sozinho há muito tempo.

O nome da personagem dá origem ao título da peça “Laura e a incrível história da porca que tinha ataques de vontade”. O texto foi baseado no conto “Laura” de Tânia Cristina Dias.

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Foto: Divulgação

O espetáculo teve como palco a praça Barão do Rio Branco, em Ponta Grossa. O público observou o desenrolar da narrativa em uma montagem marcada pelo dinamismo teatral e pelo humor. A todo instante, os atores mudavam de figurino e conquistaram o público, adultos e crianças, embora o cenário fosse pouco sofisticado e os diálogos simples.

Tenório busca conquistar o coração de Laura. Não consegue e, então, ele compra uma porca para resolver seus problemas financeiros. Laura, mulher casada, é disputada pelo marido e pelo apaixonado rapaz.

A porca, por sua vez, só causa dor de cabeça para ambos devido ao comportamento temperamental. No decorrer da trama, Laura chega a ser negociada por Tenório, que oferece em troca, ao marido da amada, o animal. No final, a lavadeira se revolta e cansa da disputa decidindo seguir sozinha e levando com ela a porca.

Uma história que traz elementos típicos do interior de Minas, como o grupo enfatiza na hora de debate. Para os atores, a questão do machismo é ainda muito forte. Outros aspectos da região também foram apresentados, como a religião, as cantigas e próprio sotaque.

A crítica apresentada pelo grupo 2×2 foi uma grande oportunidade de conhecer outras culturas com um enredo que tem um final bem interessante. Laura se torna uma mulher totalmente independente e feliz.

André da Luz

Serviço

Autor: Tânia Cristina
Direção: Carlos Renatto
Grupo: Grupo Teatral 2×2
Cidade: Ouro Preto – MG
Local: Praça Barão do Rio Branco
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre