Archive for Novembro 14th, 2015

14/11/2015

A bizarra normalidade

fenata_logo_reduz_1

Peça “Esse Corpo Meu?” desconstrói o papel do homem e da mulher no palco do 43º Fenata.

Dois grandes biombos cobertos por um pano preto e um jogo de luzes fracas tendo ao fundo uma trilha sonora simples. Esse é o cenário que o grupo Téspis, de Santa Catarina, prepara para os dois personagens principais do espetáculo. Seres que, a princípio são um homem e uma mulher, se constroem e se desconstroem durante toda a peça.

 IMG_7203-2-1

Foto: Divulgação

Os atores provocam a reflexão do público através de uma história não linear. As cenas acontecem a partir da troca e junção dos papéis, abordando influências midiáticas impostas aos seres. Todo o espetáculo é feito com textos em off, seguidos por trilha sonora composta de música pop.

Os próprios personagens não possuem algo de fato construído. Quando não estão nos papéis de homem e mulher, comportam-se de forma inconsciente, rindo de forma exagerada e abusando de movimentos extremos do corpo. Durante toda a peça, eles se transformam e transportam o público para cenas retiradas do nosso cotidiano, mas transmitidas com um toque bizarro e perturbador.

Esse Corpo Meu - Foto Emanuele Mattiello 19

Foto: Divulgação

Ao abordar esses papéis, a peça esbarra nitidamente em um tema atual que tem gerado debate na sociedade, a ideologia de gênero. Focando não apenas o lado sexual, a montagem trata também da formação da personalidade, da possibilidade das novas experiências e da massificação do pensamento das pessoas.

No final da peça, o público pareceu tímido nas palmas. Todos aplaudiram, mas pareciam não entender de fato o que haviam assistido. Quando aqueles, que pegaram a essência reflexiva da peça, levantaram e gritaram “Bravo!”, o restante da plateia, ainda pensativa, se deixou levar.

_MG_6697-1-1

Foto: Divulgação

O debate surpreendeu. Grande parte do público esperou para ouvir a visão dos atores sobre a peça, que construíram e compartilharam grandes ideias durante o bate-papo.

Adolescentes, que atualmente são privados da discussão sobre gênero nas escolas, sentiram-se contemplados ao ter a oportunidade de ver o assunto por meio da arte, expressando alguns de seus pensamentos e ideias.

Serviço

Autor: Processo colaborativo entre a Téspis Cia. de Teatro
Direção: Diego Cazabat
Grupo: Téspis Cia. de Teatro
Cidade: Itajaí – SC
Local: Cine Teatro Ópera – A
Duração: 53 minutos
Classificação: 16 anos

Leonardo Camargo

14/11/2015

Histórias da cultura popular brasileira

fenata_logo_reduz_1

Teatro de fantoches da Cia Manipuladora, de Santa Catarina, traz boi de mamão para o Fenata

Na peça “Alevanta Boi”, o autor Cidval Batista resgata histórias e cantorias da cultura folclórica brasileira, como boi-bumbá, boi de mamão e bumba meu boi. O espetáculo, uma montagem da Cia Manipuladora, de Santa Catarina, integrou a mostra de teatro de bonecos do Fenata.

Os personagens são pequenos fantoches. O espetáculo começa com a chegada de Matheus em uma antiga carroça puxada por um boi de mamão. A carroça se transforma em palco abrindo espaço para mais uma das histórias do velho viajante.

alevanta_boi

Foto: Divulgação

Pai Chico e a esposa Catirina vivem nas terras do Coronel. Pai Chico cuida das criações do fazendeiro, mas especialmente do boi predileto do Coronel, o Mimoso.

Na fazenda, o casal participa de algumas confusões. Catirina, ao descobrir que está grávida, começa a ter alguns desejos. Para convencer seu marido a realizá-los, ela justifica que o filho nascerá com o rosto dos desejos, caso eles não sejam realizados.

Para satisfazer as vontades da esposa, Pai Chico mata, primeiramente, uma galinha e, logo após, um cabrito. Por fim, Catirina deseja a língua do boi Mimoso.

Com muito pesar, Pai Chico atende ao pedido da esposa. Mimoso morre e o Coronel, inconformado, pede ajuda ao Pajé, mas este diz que apenas uma mulher grávida poderia fazer a simpatia.

E, por fim, tudo se resolve retomando uma tradição folclórica brasileira. O espetáculo termina com a roda de boi de mamão e os cantores, bonecos mecanizados, começam a tocar para que todos entrem na dança.

O espetáculo conquista a atenção do público, em sua maior parte composto por crianças, que saem extremamente satisfeitas com a apresentação.

Serviço

Autor: Cidval Batista
Direção: Max Reinert
Local: Cine-Teatro Ópera, auditório B
Duração de 40 min
Classificação: livre

Larissa Salvi

14/11/2015

Partindo para um “novo Lá”

fenata_logo_reduz_1

Montagem de grupo teatral nordestino trata a dicotomia entre a felicidade e a tristeza

A peça ‘Esconderijo dos Gigantes’, da Inquieta Companhia de Teatro, de Fortaleza, encheu o teatro Pax. O clima era de muita expectativa entre as crianças quando o apresentador apareceu e pediu ao público: “jogue energias para o palco”. Esse já era um indicativo de que, em seguida, a apresentação prenderia a atenção de todos.

A história trata de duas personagens totalmente diferentes que se encontram e falam sobre as próprias culturas. Bonjongo, um gigante, veio de uma terra onde um gigante maior havia acabado com todas as coisas, o que o fez partir e andar sem parar.

A outra personagem, Ranabi, vive no lugar onde eles se encontram. Ela fala sobre como é a vida ali. Menciona ainda outras duas vilas que existem além daquela onde a peça acontece.

Uma delas fica para o alto. Nela, moram as pessoas que ainda não nasceram. Todas elas são felizes tocando o céu com os pés. Ranabi tenta crescer e “gigantuar” para chegar até lá.

esconderijo_gigantes

Foto: Divulgação

A outra vila fica para baixo. Nela vivem as pessoas tristes que fizeram uma grande lagoa com as próprias lágrimas. Após a peça, várias pessoas do público comentaram que o “para o alto” e o “para baixo” remetiam ao céu e ao inferno, respectivamente.

Ranabi expressa a vontade de ir para outro lugar. A personagem idealiza um “lá” onde todas as pessoas e coisas fossem do jeito que elas bem quisessem.

A personagem insiste em ensinar, durante toda a peça, a Bonjongo, uma lição: “nunca partir, sempre ficar; nunca para frente, sempre para o alto”. É isso o que os faz partir para o próprio “novo Lá”, ao fim da peça.

Com uma trilha sonora marcante e alguns movimentos de dança, Bonjongo e Ranabi contagiaram as crianças. Apesar de alguns diálogos parecerem confusos, o público, ao fim do espetáculo, demonstrou ter gostado muito do que presenciou.

Serviço

Autor: Andrei Bessa, Gyl Giffony e Andréia Pires
Direção: Andrei Bessa
Grupo: Inquieta Cia de Teatros
Cidade: Fortaleza – CE
Local: Teatro Pax
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

Thalita Mainardes