Archive for Novembro 13th, 2015

13/11/2015

Uma princesa, um piolho e um casamento indesejado

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Fenata traz peça infantil inspirada em conto de Câmara Cascudo e em versos de Sílvio Romero

Para trazer alegria à criançada, o grupo Pasárgada, de São Paulo, apresentou o espetáculo “Que bicho é esse?”. A montagem, inspirada na cultura popular brasileira, retoma o conto ‘Couro de Piolho’, do folclorista de Luís da Câmara Cascudo, e versos de Sílvio Romero.

No gênero infantil, a peça integra a categoria de mostra competitiva do festival. Com duração de 50 minutos, o teatro ficou lotado com crianças de escolas de Ponta Grossa.

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Foto: Divulgação

A história gira em torno de uma princesa que, no início da peça, acha um piolho e resolve criá-lo como animal de estimação. O pai ordena que se faça uma almofada com o couro do animal. E, mesmo contrariando o desejo da filha, o pai ordena que ela se case, para suprir a falta do estranho bicho.

O pretendente que adivinhasse do que a almofada era feita, poderia se casar com a princesa. O clímax da história é, quando o pretendente mais determinado a se casar com a princesa, faz de tudo para surpreendê-la.

Ao final do espetáculo, não acontece o casamento, mas a princesa e o pretendente vencedor seguem a vida juntos tocando e cantando essa divertida história.

A história acontece ao clima de diversão dos atores e à musicalidade presente numa mistura de instrumento que prende a atenção do público a cada nova ação.

Serviço

Autor: Angela Lyra e José Geraldo Rocha
Direção: José Geraldo Rocha
Grupo: Pasárgada
Cidade: São Paulo – SP
Local: Teatro Pax
Duração: 50 minutos
Classificação: a partir de 05 anos

Mariele Zanin

13/11/2015

A impunidade é mais dolorosa que a morte

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Grupo de teatro de rua revela passado doloroso nas terras de nosso país

Escutava-se um barulho diferente vindo da Praça do Barão de Guaraúna. Uma batida, como a de um tambor. Pessoas se aproximaram com vestimentas rústicas de costuras caseiras. Saias e calças marrons e camisetas beges.

Como num cortejo, o grupo seguia um estandarte vermelho com a foto do líder guarani assassinado nos anos 80, Marçal de Souza, e com o escrito “Tekohá – Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno”. A frase é o nome da peça do grupo Teatro Imaginário.

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Foto: Matheus Pileggi

O público, que aguardava a apresentação, ficou surpreso quando os atores e atrizes começaram a caminhar em direção à Rua Balduíno Taques. Lentamente, o grupo se distanciava ao som das batidas de um tambor levado por um deles.

O movimento dos atores parecia uma marcha fúnebre e alguns deles traziam bambus nos ombros como se carregassem um caixão. O grupo parecia meio perdido, o que não era de se estranhar já que ele é originário de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Depois de dar uma volta pela quadra, eles retornaram ao ponto de encontro. “Bem vindos ao território livre que são as ruas”, começou um dos atores. Uma provocação talvez.

Primeiro revelaram o contexto histórico geral da peça, destacando a escravidão imposta aos índios. As pessoas ao redor, frequentadores da praça, catadores de lixo e entusiastas do Fenata, acompanhavam a encenação das mortes sem explicação e das injustiças sofridas pelos indígenas.

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Foto: Matheus Pileggi

“Ei, cara!”, interrompeu um dos atores. “Vai ficar reclamando? Tem que fazer alguma coisa! Igual Marçal de Souza! Esse. Sim. lutou!”. Ao mostrar a história cruel e triste do líder, a peça faz refletir sobre o poder e ganância e como eles podem destruir as pessoas.

Na praça do Barão de Guaraúna, ao lado da Igreja, os atores repetiam a frase: “a impunidade é mais dolorosa do que a morte”. Enquanto isso, uma ambulância com a sirene ligada passava à distância, como uma ironia do destino.

Terminada a apresentação, os aplausos duraram bastante tempo, mostrando que as pessoas ali reunidas se identificavam com o problema. “Abaixo o genocídio! E viva o teatro de rua!”, finalizou um dos atores.

Serviço

Autor: Fernando Cruz
Direção: Fernando Cruz
Grupo: Teatro Imaginário
Cidade: Campo Grande – MS
Duração: 45 minutos
Classificação: Livre

Matheus Pileggi

13/11/2015

Terra à vista!

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Grupo de teatro paulista abusa da improvisação e de linguagem ousada arrancando muita risada da plateia

A UEPG Central se encheu de luz com a apresentação da Cia de 2. O grupo formado por homens se apresentou na mostra do Fenata. E deixou aquele gostinho de quero mais.

Rodeado de pessoas e tochas acessas, os artistas encenaram uma aventura de pirata. Improvisaram, ao som ambiente, e interagiram com a plateia, praticamente, em toda a peça.

Com o humor ácido, eles cantavam e arrancavam gargalhadas. A linguagem é marcada pelo uso de dialeto diverso e de várias gírias. As piadas eram tantas que os atores gargalhavam.

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Foto: Divulgação

Em alguns momentos, os atores simulavam movimentos que lembravam remadas em um barco em movimento nas ondas do mar. E o grupo acaba por atracar na ‘Ilha de Ponta Grossa’. O nome da localidade gerou piadas e muitos risos.

Dois dos cinco participantes estiveram, a maior parte do espetáculo, cuidando da trilha sonora da peça. Alguns sons vinham da caixa de som, outros, de instrumento de percussão.

Ao final, os piratas arrecadaram dinheiro e ainda participaram de uma roda de conversa.  Os atores abusam da improvisação e da interação com o público.

A peça “A nau dos desenterrados” provocou muitas palmas, durante vários momentos, do espetáculo. Afinal, como eles próprios repetiram várias vezes, ‘pirata sem país, rum e mulher nos faz feliz’.

Autor: Jonas di Paula
Direção: Marcio Douglas
Grupo: Cia de 2
Cidade: São José dos Campos – SP
Duração: 60 minutos
Classificação: 18 anos

Gabriela Bulhões

13/11/2015

E então, bom Natal

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Ao apostar em temática política, “Isso não é um grupo” rouba a cena na mostra de teatro adulto do 43º Fenata

‘Dezembro’ é a primeira adaptação brasileira da obra do dramaturgo chileno Guillermo Calderón, O texto integra uma trilogia que trata a história política do Chile.

Dirigida por Diego Moschkovich, a peça foi apresentada pela companhia  “Isso não é um grupo” de São Paulo. A trama gira em torno de Jorge, um soldado que está em dúvida se retorna ou não à guerra.

A história traz ainda as gêmeas Paula e Trinidad, irmãs mais velhas do personagem. Após retornar da guerra, Jorge é recebido, por elas, na noite de Natal,.

De forma tragicômica, vemos a divergência de opiniões desta, quase, família sobre a guerra travada entre o Chile e o Peru.

Paula se mostra uma patriota e, sendo a favor da guerra, quer ver o país vencedor e os peruanos conquistados. Desejando ver o fim da guerra, Trinidad quer ajudar o irmão a fugir e, dessa forma, a trair a pátria.

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Foto: Renato Mangolin (Divulgação)

Em cena, vemos as desavenças e percebemos questões mal resolvidas entre elas. Suas questões íntimas, seus medos e desafios sociais são aflorados em meio à guerra. Todas as questões familiares nos aproximam da história.

No final, após tantas brigas, Jorge dá um basta e temos a visão dele sobre a guerra. O personagem se opõe às posições assumidas pelas irmãs, deixando implícito que ninguém sabe como é estar no fronte da batalha até que esteja lá.

No relato sobre a experiência da guerra, Jorge descreve a união dele com os outros soldados, a solidão e da saudade, bem como a falta não somente do sexo, mas também do amor.

Com duração de uma hora e quinze minutos, a peça tem a presença de muitas metáforas e de um humor sutil, embora a linguagem seja simples e direta.

Quando o público entrou no Auditório A do Cine Teatro Ópera, os atores já estavam encenando no palco. Com isso, eles prenderam, desde o início, a atenção da plateia que, ao final do espetáculo, aplaudiu em pé.

Serviço

Autor: Guillermo Calderón
Direção: DiegoMoschkovich
Grupo: Isso não é um grupo
Cidade: São Paulo – SP
Local: Cine Teatro Ópera – A
Duração: 1h15
Classificação: 12 anos

Alessandra Delgobo

13/11/2015

Um passado nem tão distante

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Grupo de teatro de Ponta Grossa traz para o Fenata a história da “Santinha dos Campos Gerais”

A peça ‘Súplicas’, do grupo Paré de Teatro, é uma peça baseada na história real de Corina Portugal, uma mulher que foi assassinada pelo marido, motivado pelo ciúme. A história data do século XIX, o que foi muito bem caracterizado pelas vestes e falas dos personagens.

‘Súplicas’ foi inspirada em livro e cordel que contam a história de Corina e seu marido, Alfredo. A personagem é conhecida como a “Santinha dos Campos Gerais”, a quem fiéis católicos, ainda hoje, atribuem milagres.

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Foto: Nicolas Pedroso Salazar (Divulgação)

Com algumas adaptações, como a inclusão de uma empregada no enredo, a peça tem início em clima de tensão. Poucas luzes, cenário simplificado e atuação de somente quatro atores foram suficientes para cativar a atenção do público.

Logo na entrada do público no Auditório da Reitoria do Campus Central da UEPG, o ator, que faz o papel de Alfredo, já estava posicionado no centro do palco. Uma nuvem de fumaça produzia uma atmosfera sombria, reforçada pela música.

A trama é envolvente. A fé e amor de Corina pelo marido, por sua recuperação e ascensão é mostrada constantemente. O caráter bipolar e dominador de Alfredo também se mostra ao longo de toda a peça.

A empregada, Adelaide, que não faz parte da história, serviu como uma ponte da história com o presente. Adelaide falava frases que, notadamente, fazem mais referência aos tempos de hoje – em especial à luta das mulheres – do que ao cenário da época.

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Foto: Nicolas Pedroso Salazar (Divulgação)

A trilha sonora que acompanhou a peça também agradou. O momento mais emocionante, quando Alfredo mata Corina, teve ao fundo a música ‘Contentesa’. Essa foi a  campeã do Festival Universitário da Canção (FUC) de 2015.

Embora desse para ouvir, o som não chegava claro para quem estava ao fundo do auditório pela acústica inadequada. Já a postura dos atores foi correta, com alguns deslizes ao passarem muito tempo de costas para público, dificultando ainda mais o entendimento do que falavam.

Outro ponto a salientar é relativo à linguagem. Por ser uma peça de época, o uso verbal deveria ser diferente da língua padrão atual. Entretanto, isso escapou, em alguns momentos, como quando um dos personagens disse “a gente” e não “nós”.

Ao focar a violência de que foi vítima Corina Portugal, o enredo mostra que a história, infelizmente, é um passado que não está tão distante assim da realidade vivenciada, ainda hoje, por muitas mulheres.

Serviço

Adaptação baseada no livro “Histórias de sangue e luz”, de Josué Corrêa Fernandes, e no cordel literário “A santinha dos Campos Gerais”, de Eno Teodoro Wanke.
Texto: Roberto Siemieniaco
Direção coletiva
Elenco: Ana Baldani, Amanda Oliveira, Eduardo Godoy e Roberto Siemieniaco.
Trilha sonora: Gabriela Gambassi.
Duração: 70 minutos.
Classificação: 16 anos.

Thanile Ratti

13/11/2015

Do imaginário sem palavras se faz a história

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Teatro mudo prende atenção de crianças, adolescente e adultos no Fenata

A primeira peça da mostra composta por espetáculos de bonecos trouxe uma proposta diferente para o Fenata. Apostando no teatro mudo, a peça ‘Z – As imagens são palavras que sumiram’ mesclou, em todo o enredo, a atuação da única atriz, Luciane Figueiredo, um boneco e projeções animadas feitas no barco-cama.

Luciane Figueiredo também é a autora e diretora da peça. A história se passa no imaginário de uma menina, que cria o próprio príncipe-herói com aventuras contadas apenas através de sombras, imagens e sons ambientes. O barco-cama é onde todo o enredo acontece.

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Foto: André Bida

Em uma história envolvente, vemos o príncipe encontrar uma donzela, que hora assume a imagem de princesa, hora, de sereia e, por vezes, é carranca de seu barco. Em face da paixão, o personagem se coloca à prova diante da amada. Para isso, ele oferece o próprio coração que é lançado, ao mar, para ela.

Embora boa parte público tenha se mantido atenta, algumas pessoas acabaram se perdendo pela natureza subjetiva da peça. Alguns chegaram a dormir, sobretudo, nos momentos em que a trilha sonora era mais calma.

A peça deixa, em aberto, o desfecho da história, ficando a cargo da imaginação do público essa interpretação. Em função disso, o que mais se ouvia, ao fim da apresentação, era “você entendeu o que aconteceu no fim?”.

Para alguns, o herói morreu por sua amada. Para outros, a menina apenas acordou do sonho. E, segundo a autora, a sensação de dúvida é o efeito que ela gostaria de provocar nas pessoas ao propor um final aberto à interpretação.

Serviço

Autora: Luciane Figueiredo
Direção: Luciane Figueiredo
Grupo: CórtexArte
Cidade: Curitiba-PR
Local: Cine-Teatro Ópera- B
Duração: 40 minutos
Classificação: Livre

Danilo Schleder

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13/11/2015

O imigrante da história de cada um

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Espetáculo afetivo conta histórias da imigração no início do século XX e desperta a imaginação e memória da plateia

O monólogo ‘Cartas Libanesas’ foi apresentado, pela primeira vez fora do estado de São Paulo, na Mostra de Teatro Adulto do 43º Fenata. A montagem começou a ser feita em 2009 e teve sua estreia em 2015. Está indicada, como melhor texto do ano, aos prêmios Shell, APCA e Aplauso Brasil 2015.

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Foto: Ághata Ferraz

O autor do texto é José Vendramini, que foi professor do ator da peça, Eduardo Mossri, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA – USP). Ambos têm descendência libanesa. A direção é de Marcelo Lazzaratto.

Mossri interpreta um simpático libanês, chamado Miguel, que deixa, na terra natal, a esposa grávida e vem para o Brasil em busca de prosperidade financeira. A ideia inicial de Miguel era de logo retornar ao Líbano, mas conforme o tempo passa, ele acaba reconhecendo o Brasil como um novo lar e chama a esposa Adib para também vir morar junto a ele.

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Foto: Ághata Ferraz

Elementos típicos de um mascate são utilizados em cena: uma grande mala (armarinho), microfone e caderneta que, no geral, funcionam muito bem. O microfone incomoda um pouco por ser usado quase que o tempo todo. Há momentos em que ele esconde a expressão facial do ator. A caixa de som estava com problema e, de vez em quando, chiava, mas nada que pudesse comprometer o espetáculo.

O ator começou já dialogando com o público no hall do Teatro, antes mesmo de dar início ao espetáculo. Ele conquista e consegue prender a atenção das pessoas por um longo tempo. Desce do palco algumas vezes, conversa e brinca diretamente com a plateia.

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Foto: Ághata Ferraz

O trabalho foi inspirado em cartas da avó de Mossri e em relatos encontrados num livro sírio-libanês. Percebe-se que há grande pesquisa histórica. A musicalidade e iluminação, que compõem a montagem, estão perfeitamente adequadas.

Serviço

Autor: José Eduardo Vendramini
Direção: Marcelo Lazzaratto
Atuação: Eduardo Mossri
Cidade: São Paulo – SP
Duração: 80 minutos
Classificação etária: 12 anos

Ághata Ferraz

13/11/2015

Qual vai ser a solução de hoje?

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Economia sustentável e empreendedorismo são temas de espetáculo que aborda o dilema da escolha profissional de um jovem

A peça teatral ‘Qual vai ser?’ do grupo gaúcho Dran / Sicredi traz um cenário móvel. O elenco é composto por seis atores. A história é contada a partir do ponto de vista do protagonista Daniel. O jovem, que tem uma família muito singular, tenta decidir o que fazer no futuro.

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Foto: Lauro Alexandre Thomaz

Ao descobrir que o pai comprou um armazém com o dinheiro fruto do lucro a própria propriedade rural, Daniel se vê diante de um dilema. O jovem tem que decidir se vai para a faculdade ou se trabalha no armazém, como é a vontade do pai.

O protagonista ainda tem que lidar com uma irmã, que é consumidora compulsiva e gasta tudo que a família ganha em compras banais. Para saber o que fazer, o protagonista consulta uma vidente paraguaia.

A vidente o ajuda a encontrar Leila, vendedora de uma loja de shopping que sonha em ter o próprio negócio e que ensina o jovem a ter controle sobre os gastos excessivos e fazer economia.

Os dois personagens se apaixonam e começam a trabalhar juntos para realizar o sonho de Daniel: fazer uma faculdade e, ao mesmo tempo, ajudar no armazém.

Juntos, eles decidem fazer do negócio algo diferenciado. O armazém passa a vender apenas produtos de pequenos produtores. Ao final, a família se torna microempreendedora.

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Foto: Lauro Alexandre Thomaz

Apesar de a ideia de interação com a plateia ser bastante interessante. ela não rendeu muitos resultados devido ao tamanho do teatro, que tinha vários espaços vazios.

A temática sobre economia solidária e empreendedorismo trazida pelo grupo é atual e pertinente, tendo em vista o cenário de crise que o país atravessa. A qualidade da produção arrancou não só aplausos, mas também muitos elogios da plateia.

No fim da apresentação, a própria plateia escolheu um nome para ser dado ao armazém. O estabelecimento passou a se chamar ‘Armazém Raio de Sol Colorido’.

Serviço:

Peça Teatral: Qual Vai Ser?
Local: Auditório da reitoria (UEPG- centro)
Grupo: Dran/ Sicredi
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos

Lauro Alexandre Thomaz

13/11/2015

Madame deve morrer

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Trama baseada na sexualidade e música dá ritmo à peça dos Ciclomáticos, grupo do Rio de Janeiro

Atenção. Isso é o mais necessário para assistir à peça ‘Genet – Os anjos devem morrer’, da Companhia de Teatro Os Ciclomáticos, do Rio de Janeiro. Qualquer distração pode fazer com que o restante da história não seja compreendido.

A história acontece em um cabaré, de propriedade de Madame. Do começo ao fim da peça, todos a rodeiam, pois querem ocupar a sua posição. Um suspense se constrói com base nos dramas pessoais dos personagens e na relação destes com a protagonista.

A música acompanha todo o enredo: tanto na trilha forte que embala as cenas, quanto na voz dos atores. Um espetáculo à parte todas as vezes em que canta o intérprete de Nossa Senhora das Flores. A dança coreografada traz ritmo à narrativa.

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Foto: Divulgação

A peça trata da beleza do que não é visto como belo. E, como uma biografia ficcional, ainda leva para o palco um personagem que representa o escritor, poeta e dramaturgo francês, Jean Genet, morto nos anos 80.

O espetáculo prende a atenção desde o início. No entanto, a mistura de fatos da vida de Genet ao enredo faz com que trechos da peça se tornem, em alguns momentos, confusos.

O cenário é composto por quatro banquetas estampadas, um sofá de metal e um balcão com uma máquina de escrever. Painéis metálicos servem, em alguns momentos, como janelas, em outros, como espelhos e, até mesmo, como simples fundo.

O sofá tem vários usos. Quando desmontado, serve de palco. Quando virado, serve para encenar nuvens aos pés de um anjo. Algumas vezes, a luz bate no sofá produzindo um reflexo que não chega a incomodar.

A todo instante, é mostrado que, no palco, não há anjos, mas na hipótese de haver algum, ele deverá morrer.

Serviço:

Autor: Ribamar Ribeiro, inspirado na vida e na obra de Jean Genet
Direção: Ribamar Ribeiro
Grupo: Os Ciclomáticos
Cidade: Rio de Janeiro – RJ
Duração: 80 minutos
Classificação: 18 anos

Clara Ribeiro

13/11/2015

Eu vi Einstein na UEPG

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Curiosidades da vida do físico e bate-papo de qualidade marcam peça paulista

O monólogo ‘Einstein’ trouxe ciência, história e dramaturgia de qualidade aos palcos do 43º. Festival Nacional de Teatro. O texto, do autor canadense Gabriel Emanuel, é interpretado por Carlos Palma.

O ator, há 18 anos encarnando o papel, impressiona pela semelhança com o cientista. O tom intimista da conversa prende a atenção da plateia. E leva o público para perto do mito da ciência.

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Foto: Divulgação

A proposta do Núcleo Arte Ciência no Palco, de São Paulo, é mostrar a relação entre a arte e a ciência. A peça se desenrola em uma conversa simples, enquanto Einstein se arruma para um jantar.

Durante toda a peça, são mesclados momentos da vida do gênio, frases de sua autoria e o contexto do período no qual o cientista viveu.

O bate-papo, após o encerramento da peça, promoveu a discussão de temas variados.  Trouxe curiosidades ligadas à vida do cientista, como as dificuldades escolares e posicionamento do físico face à violência dos tempos de guerra.

O cenário é simples, mas as presenças da lousa e da mesa de trabalho dão o tom intimista da peça.

Para uma peça que se destaca pela qualidade do texto e da interpretação, o início, às dez e meia da noite, num domingo chuvoso, foi sacrificante para o publico.

O horário tardio também acabou por prejudicar o bate-papo, após a peça, com o ator, que demonstra talento não somente no palco, mas também na discussão sobre o teatro.

Serviço

Autor: Gabriel Emanuel
Direção: Sylvio Zilber
Grupo: Núcleo Arte Ciência no Palco da Cooperativa Paulista de Teatro
Cidade: São Paulo – SP
Local: Auditório da Reitoria – Campus Central UEPG
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos

Pedro Estevam