O Jacu Rabudo Caipiranaense

Obra de Alberto Olavo de Carvalho é bem humorada, porém peca pela falta de originalidade e pela generalização de termos nem sempre consolidados.

Olavo de Carvalho adota o formato consolidado na região por Hein Leonard Bowles em “Jacú Rabudo: linguagem coloquial em Ponta Grossa”. O livro “Caipiranaense – o dialeto paranaense” traz ao longo de suas páginas centenas de exemplos sobre o modo de falar típico do paranaense (Opa, do paranaense ou do habitante do Primeiro Planalto do Paraná?). A construção segue o seguinte formato: “No Paraná não se diz tal coisa, se diz tal coisa”, ou “Para o paranaense, tal coisa se torna tal coisa”, seguidos por um exemplo, normalmente citando algum nome próprio como personagem. Nomes próprios reais, inclusive.

O escritor faz questão de fazer algumas ressalvas na apresentação de sua obra, o que é muito apropriado. Explica que tal dialeto é mais comum no campo e nas pequenas cidades, já que nas grandes cidades do interior e na capital o “caipiranaense” sofre mesclas de sotaques de outras regiões do país. Ainda na apresentação do livro, Carvalho defende o dialeto comum no Paraná, quando este é vítima de gozação dos outros brasileiros. Sejam os cariocas, que falam “SHHH” e “RHHH”, ou os paulistas, que falam “cinqueinta”. Mas aí entra a generalização inadequada. Não é todo paranaense que fala “leiTE quenTE”, ou que pronuncia corretamente os “O”s e “E”s das palavras, sem transformá-los em “U” e “I”, como defende o autor.

O estranho é que dentre as ressalvas feitas pelo escritor na sua apresentação, ele deixa claro que o Paraná é uma colcha de retalhos étnico-cultural. Sendo assim, se torna uma incoerência afirmar que “para o paranaense não existe salsicha, existe vina”. Existe salsicha sim, meu caro Carvalho. Aliás, para alguns paranaenses, existe apenas salsicha. Se você disser à minha avó, que vive no distrito de São Roque do Pinhal, entre as cidades de Joaquim Távora e Carlópolis, no Norte do Estado, que quer uma vina, ela certamente questionará: “Mas o que diabos é isso?”

Porém, nem tudo é generalizado erroneamente. A mesma mulher (minha avó) que não sabe o que é vina, provavelmente vai “campear” alguma forma de descobrir o que significa aquela palavra. Sim, campear, e não procurar. Um exemplo feliz citado por Alberto Olavo de Carvalho. Mas fica o recado: Quando um escritor quiser fazer esse tipo de compilado, ou ele considera que o Paraná está além do Primeiro Planalto, ou ele faz um asterisco em cada palavra exclusivamente Ponta-grossense ou Curitibana.

Com acertos e erros, Caipiranaense é um livro gostoso de ler. Os exemplos são simples, curtos e estruturados de uma forma hilária. Carvalho teve boa imaginação para imaginar as situações cotidianas em que aparece cada expressão. Até palavrões tiveram seu lugar no livro, e não há nada de errado nisso. O livro foi editado em Ponta Grossa, com auxílio do Rotary Club e da PROEX/UEPG. O preço é salgado – R$ 30,00 – visto que está em oferta na Flicampos 2014, e que, pelo menos esperava-se, um preço mais acessível.

            Matheus Dias

SERVIÇO

“Caipiranaense – o dialeto paranaense”, por Alberto Olavo de Carvalho está a venda no estande da Flicampos “Livraria do Chain”, pelo preço de R$ 30,00.

Possui 140 páginas e foi editada na cidade de Ponta Grossa em 2010 com auxílio do Rotary Club e da PROEX/UEPG.

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