O mundo visto pelo gosto

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Escritor discorre sobre o modo que o raciocínio se constrói e vagueia

As estradas sempre foram sinônimo para o estado de contemplação. Aquele momento em que se pode pensar nas coisas de uma maneira mais simples e pura, assim como as imagens que surgem em torno do asfalto, avaliando o passado no percorrer do caminho. Se fosse para resumir o livro Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas em poucas palavras, seria mais ou menos isso que viria na cabeça. Pode-se até imaginar que seja um manual de mecânico, – lógico que há o complemento do título “uma investigação de valores” – porém Robert Pirsig, escritor e filósofo, vai muito além do materialismo que rodeia a rotina de quem concluiu isso.

Nas estradas do norte dos Estados Unidos, o autor viaja em sua moto, junto com seu pequeno filho e alguns amigos, esclarecendo certos pontos que ficaram para trás na sua conturbada vida. Ele conta como foi o processo de “cristalização” de sua mente, até a lavagem cerebral quando foi considerado louco. A impressão de que foi um desabafo fica para aqueles que gostam de especular.

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O leitor mais sensível pode ter se chocado com o termo lavagem cerebral, mas a verdade é que Pirsig admite ter ido além da lucidez e ter chego em um estado onde ficou socialmente inativo. Tudo começa quando ele inicia o questionamento do verdadeiro significado do termo “qualidade”. Algo que para muitos é simples e básico – ou algo é ruim, bom ou meia boca – mas muitos estudos indicam que o termo foi realmente um divisor de águas. Desde os tempos dos primórdios pensadores, da escola de Frankfurt, dos monges tibetanos, muitos tentam compreender como o ser humano pode se relacionar com tudo ao seu redor e criar nisso um ambiente em que o relacione consigo mesmo. Difícil entender? É, acho que o livro explica melhor.

A principal dúvida que fica é: mas o que manutenção de motos tem a ver com tudo isso? Foi nela que Pirsig se adaptou à sua visão de qualidade. Afinal a qualidade não move apenas os gostos e preferências, mas também influência diversas virtudes que estruturam o dia a dia. Na narração do autor sobre as belas paisagens da estrada, o relacionamento com seu filho, e seu passado obscuro, ele estimula o leitor a repensar certos fundamentos do viver e do que é a vida.

Matheus Pileggi

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