Archive for Maio 20th, 2014

20/05/2014

Um remake em forma de justificativa

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Nova versão de Godzilla traz um drama que envolve o apocalipse e uma ação patriota

Engenheiro responsável por uma usina nuclear em Janjira no Japão, Joe Brody (Bryan Cranston) cria seu filho sozinho após sua esposa (Juliette Binoche) morrer em um acidente nuclear na empresa onde ambos trabalhavam. Passados 15 anos, Joe nunca aceitou o acontecido e se dedicou inteiramente a desvendar a causa da morte de sua mulher. Seu filho Ford (Aaron Taylor-Johnson) é agora tenente e especialista em bombas do exército norte americano e se envolve no passado que voltou a tona o que o leva a lutar para salvar a humanidade e sua família, que enfrentam a ameaça de monstros aterrorizantes.

O primeiro Godzilla foi lançado em 1954 por Ishirô Honda com o nome original de “Gojira” e seu enredo era diferente do lançado no dia oito de maio de 2014, ao invés da história se passar nos Estados Unidos, o gigantesco réptil destruía através de seu rastro a cidade de Tóquio no Japão e surgiu como uma lembrança dos mortos por bombas atômicas em 1945. Imagem

Abusando das cenas de ação e detalhes que compunham o cenário, o diretor Gareth Edwards traz ao remake de Godzilla um clima de apocalipse e fim do mundo, que pode ser percebido principalmente na cena em que alguns militares descem de paraquedas em São Francisco.

Apesar das cenas de ação envolver a atenção do público, a apologia ao patriotismo americano é forte. Uma das últimas cenas, onde o Godzilla se mostra do bem e é igualmente retratado como herói ao cair no mesmo momento em que o personagem principal, Ford Brody, tende a mostrar que a maior fonte de poder da natureza “desistiu” ao mesmo tempo que o governo americano. Uma relação interessante é que algumas cenas remetem ao atentado feito pelos Estados Unidos a Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945, explicando que as bombas na verdade não eram testes e sim uma forma de matar o réptil para que ele não destruísse a humanidade.

Karin Del Nóbile

20/05/2014

O terceiro lobo na matilha

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Apesar de uma jornada turbulenta banda australiana se consolida como uma das referências no cenário do rock

O Wolfmother lançou em 23 de março desse ano seu novo álbum, ‘New Crown’. Com 14 anos de estrada e três álbuns, a banda liderada por Andrew Stockdale já teve muitas formações diferentes, chegando perto do fim na segunda metade da década. No entanto, mais uma vez, uma das principais representantes do rock no século 21 decepciona àqueles que dizem que não se faz mais rock como antigamente ou que o rock está “morrendo”.

O som do Wolfmother pode ser caracterizado como uma mistura entre a “era doom” do Black Sabbath, os arranjos de teclado presentes nas composições do DeepPurple e uma pitada de Blue Cheer, banda britânica considerada por muitos a primeira banda de heavy metal do mundo.

As semelhanças do ‘New Crown’ com as bandas clássicas ficam evidentes logo de cara, em faixas como ‘Enemyis in yourmind’ e ‘Heavy Weight’. No entanto, os australianos distanciam-se dessas referências em alguns momentos por brindar o público com solos de guitarra ‘sujos’ e outros elementos que lembram o rock de garagem.Imagem

Em relação aos trabalhos anteriores da banda, ‘Wolfmother’ e ‘CosmicEgg’, de 2005 e 2009 respectivamente, ‘New Crown’ não oferece ao público a mesma variação rítmica e de estilos. O lançamento concentra-se no “stoner rock”, que combina elementos dos outros subgêneros já citados, enquanto os trabalhos anteriores contam, inclusive,com músicas mais tranquilas e melódicas.

O potencial de Stockdale para criar riffs marcantes ficou evidente durante toda sua caminhada com o Wolfmother, e se New Crown pode ser considerado um ressurgimento depois do fim iminente, então os fãs podem esperar muito mais da banda daqui pra frente.

Enrique Bayer

Serviço: a banda disponibilizou o álbum para compra em formato digital:http://wolfmother.bandcamp.com/album/new-crown /
https://itunes.apple.com/album/new-crown/id847987208

20/05/2014

O cinema que parou em 2003

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Porque o Multiplex Palladium e sua simples existência não é mais suficiente para nenhum de nós

Para uma cidade que no início do século XXI já havia fechado todos os seus cinemas de rua e os transformado em igrejas, a chegada do Shopping Palladium e seus cinema interno era motivo de comemoração. Um novo ponto de encontro, uma novo lugar para se levar as crianças e, principalmente, uma atração cultural para Ponta Grossa que crescia a passos largos. Por muito tempo só o fato de termos um cinema na cidade era suficiente, no entanto, onze anos após sua inauguração, não é mais.

Há vários motivos para que o Multiplex Palladium não seja mais agraciado pela sua simples existência. Claro que não é pelos preços exorbitantes das guloseimas da bomboniere, nem pelo precioso atendimento dos funcionários com cara de tédio todo o expediente, muito menos pelos horários disponíveis para exibição dos filmes e sua organização aleatória.

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O motivo pelo qual a franquia do Cine Araújo não é mais elogiada pela sua presença em uma cidade de interior sem porque se interessar por manifestações culturais não tem haver com a ausência de sessões legendadas, nem com a falta de variedade de filmes. Também não se deve ao trabalho meia boca do projetista que já chegou a deixar mais de 40 minutos de filme rolando em completo desfoque.

O cinema do Shopping Palladium não deve mais ser maravilhoso apenas por estar em Ponta Grossa devido ao seu destrato com a sujeira da sessão anterior que apenas é varrida para de baixo dos bancos. Muito menos tem relação com o corte do filme antes mesmo que os créditos comecem para que os clientes vão embora logo.

Há vários motivos para que o Multiplex Palladium em sua monopolizadora existência não seja mais suficiente para essa cidade. Mas provavelmente nenhum deles está tão na cara assim.

Mariana Fraga

Serviço: Multiplex Palladium, da rede Cine Araújo. 4 salas de cinema, sendo 2 com tecnologia 3D. Shopping Palladium –  Rua Ermelino Leão, 703 – Olarias – Ponta Grossa.

20/05/2014

O mundo visto pelo gosto

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Escritor discorre sobre o modo que o raciocínio se constrói e vagueia

As estradas sempre foram sinônimo para o estado de contemplação. Aquele momento em que se pode pensar nas coisas de uma maneira mais simples e pura, assim como as imagens que surgem em torno do asfalto, avaliando o passado no percorrer do caminho. Se fosse para resumir o livro Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas em poucas palavras, seria mais ou menos isso que viria na cabeça. Pode-se até imaginar que seja um manual de mecânico, – lógico que há o complemento do título “uma investigação de valores” – porém Robert Pirsig, escritor e filósofo, vai muito além do materialismo que rodeia a rotina de quem concluiu isso.

Nas estradas do norte dos Estados Unidos, o autor viaja em sua moto, junto com seu pequeno filho e alguns amigos, esclarecendo certos pontos que ficaram para trás na sua conturbada vida. Ele conta como foi o processo de “cristalização” de sua mente, até a lavagem cerebral quando foi considerado louco. A impressão de que foi um desabafo fica para aqueles que gostam de especular.

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O leitor mais sensível pode ter se chocado com o termo lavagem cerebral, mas a verdade é que Pirsig admite ter ido além da lucidez e ter chego em um estado onde ficou socialmente inativo. Tudo começa quando ele inicia o questionamento do verdadeiro significado do termo “qualidade”. Algo que para muitos é simples e básico – ou algo é ruim, bom ou meia boca – mas muitos estudos indicam que o termo foi realmente um divisor de águas. Desde os tempos dos primórdios pensadores, da escola de Frankfurt, dos monges tibetanos, muitos tentam compreender como o ser humano pode se relacionar com tudo ao seu redor e criar nisso um ambiente em que o relacione consigo mesmo. Difícil entender? É, acho que o livro explica melhor.

A principal dúvida que fica é: mas o que manutenção de motos tem a ver com tudo isso? Foi nela que Pirsig se adaptou à sua visão de qualidade. Afinal a qualidade não move apenas os gostos e preferências, mas também influência diversas virtudes que estruturam o dia a dia. Na narração do autor sobre as belas paisagens da estrada, o relacionamento com seu filho, e seu passado obscuro, ele estimula o leitor a repensar certos fundamentos do viver e do que é a vida.

Matheus Pileggi

20/05/2014

Doce alemão com gostinho ponta-grossensse

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O bahnhof da Lanchonete Balduíno agrada aos mais diversos paladares

            De complicado a torta Bahnhof só tem o nome. De confecção simples, o doce é feito com uma massa de bolacha Maria, recheio de bananas picotadas envoltas em doce de leite e cobertura que varia de chocolate branco a creme batido, em geral polvilhado com canela.

            O bahnhof não é tão popular quanto outras tortas, como a holandesa ou cheesecake, mas é bem conhecida pelas famílias de origem alemã, de onde vem o doce. Várias lanchonetes da cidade têm o bahnhof em seu cardápio, incluindo a lanchonete Balduíno.

           Lá, a torta pode ser servida no local ou levada para casa. Caso o cliente escolha comer na lanchonete, a torta é servida de forma bem caseira, em pratos de porcelana. O cliente pode optar por comer a torta acompanhada de um dos cafés ofertados pela lanchonete.

            As bananas usadas são bem frescas e o doce de leite usado é nitidamente caseiro, com um gosto forte, deixando a torta com um recheio bem abundante. A massa é bem amanteigada e macia e a cobertura de creme chantilly é bem generosa, contudo, um pouco gordurosa demais.

           Os que têm estômago fraco devem evitar, assim como intolerantes à lactose, uma vez que a torta conta com chantilly e doce de leite. Para quem gosta de creme batido, porém, o bahnhof da Lanchonete Balduíno é uma excelente pedida, principalmente se acompanhada por uma xícara quente de café.

Gabriela Gambassi

Serviço: A Lanchonete Balduíno fica na rua Balduíno Taques, em frente à faculdade Cescage. O preço do pedaço de bahnhof fica em torno de R$4,00.