Archive for Novembro 13th, 2013

13/11/2013

Balé de marionete, tragédia humana

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Na penúltima noite do Festival , teatro de bonecos ousa, intriga o público e provoca reflexão

O Auditório B do Cine Teatro Opera, local das apresentações de ‘Às Dez Em Cena’, é o reduto dos grupos mais experimentais do Fenata. O clima intimista do palco menor favorece quem deseja inovar. Não foi diferente com a Cia. Fios de Sombra, de Campinas/SP, que se apresentou na noite de terça-feira, 12. Os paulistas brindaram os cerca de 150 presentes com um espetáculo minimalista e monocromático: “Cinza”.
A única atriz, Paloma Faria Quintas, não abre a boca. Coberta por capa e chapéu, ela se camufla no cenário composto por caixas e jornais empilhados. Quem rouba a cena é a marionete que ela comanda.
O boneco, também feito de jornais, desfila pelo palco e representa uma história comum e realista. Guiado pelos movimentos dançantes de Paloma que, além de atriz, tem formação de bailarina, o títere vive as desventuras de muitos moleques: pobreza, drogas, violência.

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Foto: Divulgação

A riqueza do teatro experimental é a inquietação que provoca. Os campinenses sabem disso e deixam a narrativa intencionalmente vaga. As linhas gerais ficam claras, mas não faltam momentos ambíguos.
O que, nas mãos de um grupo menos competente, poderia resultar em distração da plateia, revela-se um trunfo. A peça atrai o espectador por forçá-lo a questionar-se constantemente. Os corpos inclinados para frente e os cenhos franzidos do público atestavam a atenção conquistada.
Com trilha sonora marcante e ares oníricos, “Cinza” parece uma alegoria da miséria, pois retrata a incapacidade dos marginalizados de deixar uma existência de cores lúgubres. No final, a história sempre se repete. Mas vá saber! É provável que cada um dos presentes tenha saído do Opera com uma interpretação diferente.

Rodrigo Menegat

Serviço:
Grupo: Cia. Fios de Sombra, de Campinas/SP
Duração: 50 min. Direção: Rafael Mario Curci Carbonell
Iluminação: Lucas Rodrigues dos Santos. Sonoplastia: Eduardo Conegundes de Souza
Maquiagem: Paloma Faria Quintas. Operador de som: Elaine Vilela Rezendo
Elenco: Paloma Faria Quintas

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13/11/2013

Três Marias contadoras de histórias

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O último espetáculo para crianças, no Fenata 2013, foi encenado pelo grupo carioca ‘Crias da Casa’, no Teatro Marista

Três vidas, três diferentes situações, três amigos. Os contadores de histórias Zé Maria, Antonio Maria e Maria Aparecida vivem e inventam histórias para contar pelo mundo. A trupe conta, nesse espetáculo de muita de música e desdobramentos inesperados, a história do Anjo Gabriel, que se apaixona por sua primeira tutelada, a menina Janaina. Centenas de crianças de diversas escolas de Ponta Grossa lotaram o Teatro Marista para a peça do grupo carioca.

Os atores do grupo ‘Crias da Casa’ ocuparam todo o espaço cênico durante a apresentação. A troca dos acessórios, que identificam as personagens, acontece de forma discreta durante a própria encenação. Isso permite ao público infantil reconhecer facilmente qual personagem entrará em cena. No entanto, algo que complica o entendimento por parte das crianças menores é a forma como o texto foi escrito. O uso frequente de frases em ordem indireta e palavras refinadas e raras aos ouvidos do pequeno público requer maior atenção e concentração e um vocabulário ainda em formação nessa idade.

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Foto: Luiz Siqueira

As crianças interagiram durante todo o espetáculo, devido a presença de muitas canções. Palmas compassadas marcaram a apresentação, assim como as gargalhadas infantis, que ecoavam por todo o teatro. As graças simples e fáceis, por tropeços e tonturas forçadas, ganharam os sorrisos do público.

O auge do espetáculo foi durante a morte da personagem Janaína, em que as crianças não identificaram no primeiro momento o que o que acontecia no palco, gerando um burburinho de vozes e questionamentos. Mas os sussurros cessaram quando Janaína reaparece no palco, como um anjo. Suspiro e risos tímidos foram soltos durante o rápido beijo entre o anjo e sua antiga protegida. As crianças aplaudiram e gritaram ao fim do espetáculo, mostrando empolgação após o contato com a última apresentação infantil do Fenata 2013.

Rafaela Oliveira

Serviço:

Espetáculo: Três Marias

Grupo: Crias da Casa Produções Artisticas Ltda – Me – Rio de Janeiro – RJ

Autor: Gabriel Naegele

Direção Geral e Artística: Gabriel Py Damacena Naegele, Maria Cristina de Souza

Local/data: Apresentado no Teatro Marista no dia 12 de novembro às 14h

Duração do espetáculo: 55 minutos

Recomendação: Livre

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13/11/2013

Histórias de velhos. Velhos, não! idosos

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Sétima apresentação da mostra competitiva do teatro adulto no Fenata aposta em uma narração psicológica e abstrata 

As luzes se apagam e a plateia, que lota o auditório A do Cine-Teatro Ópera, na noite do dia 12 de novembro, para assistir à sétima peça do Fenata, “Entardecer”, pode apenas observar no palco uma instalação, num tablado, em meio a duas banquetas, que remete a um ambiente comum: com uma vassoura, duas cadeiras, uma sanfona, uma mesa e dois vasos com flores.
Três personagens idosos compõem a peça. Apesar de se esperar que eles se relacionem entre si, cada um traz ao palco lembranças particulares de suas vidas, tendo nenhuma relação um com o outro. A cada troca de protagonista, em que dois sentam nas banquetas periféricas, enquanto o outro sobe ao tablado que simula a casa, toca uma música que indica o ato. O que é incompreensível, a princípio, ganha significado ao decorrer do espetáculo.

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Foto: Divulgação FENATA

O humor, que acontece principalmente a partir da forma de falar de cada personagem, é sutil e, apesar de fazer o público rir, não é suficiente para caracterizar a peça como uma comédia, uma vez que os dramas de cada relato se sobressaem às piadas empregadas. O cenário, mesmo simples, é eficiente para ilustrar o que se pretende e contribui para o desenvolvimento da apresentação sem desviar a atenção de quem acompanha a peça.
Apesar de citar conteúdos como relações de gênero e raciais, nenhum dos atores, em suas devidas interpretações, aprofunda o assunto. A mescla entre a sátira e o sério torna-se confusa. A proposta de abstração é evidente na composição, talvez até demais. O final da obra não é claro, quando os atores se retiram, e não se sabe ao certo se o espetáculo acabou ou se trata apenas mais um ato, sugerindo que a ausência de ligação entre uma cena e outra pode dificultar a composição final de “Entardecer”.

Crys Kühl

Serviço:
A peça é apresentada pelo grupo Dionísio Teatro LTDA, de Joinville/SC. Duração do espetáculo: 60 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. O elenco é composto por três atores (Clarice Steil Siewer, Andréia Melana Rocha e Eduardo Campos), que vivem Maria Felicidade, Seu Ubert e Seu Nino, respectivamente.

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13/11/2013

Menos complexidade, mais imaginação

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Grupo Cia. Fios de Sombra leva a magia dos bonecos ao 41° Festival Nacional de Teatro, com a peça Maresias

Não havia falas dos personagens no teatro de bonecas “Maresias”, apresentado no 41° FENATA. Todas as emoções eram transmitidas via efeitos sonoros e movimentos do ator Lucas Rodrigues, responsável por interpretar um homem que brincava na praia e dava vida a um boneco de areia. A falta de palavras não prejudicou a compreensão do público, formado por uma maioria infantil. Aliás, talvez tenha sido a ausência de explicações que ajudou a platéia a entender o mundo imaginário do autor Rafael Curci.
O espetáculo trabalha com a ideia de cumplicidade entre o homem e o boneco de areia. Porém, em um certo momento, surge uma sereia na trama, com a insinuação de um par romântico para o boneco. Mas justamente por tratar-se de uma peça voltada para crianças, o romance não se desenvolve e tudo é bastante inocente.
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Foto: André Jonsson
As sacadas mais simples da apresentação foram responsáveis por arrancar as maiores gargalhadas das crianças, a exemplo da situação em que o homem tem o braço preso nos tentáculos de um caranguejo. Outros momentos mais elaborados não geraram tanto alvoroço, mas certamente chamaram atenção, como um temporal interpretado no palco.
O principal trunfo da peça foi criar o clima de uma tempestade, com o jogo de luzes que piscavam aceleradamente, sons altos e com o homem atuando enquanto segurava um tecido azul que representava as águas do oceano. Tudo foi realista o suficiente para levar o público a acreditar que o boneco de areia corria risco com o temporal. Por essa razão, “Maresias” é um espetáculo com efeitos especiais pouco sofisticados, mas capazes de fazer a imaginação fluir.

Rafaelly do Nascimento

Serviço:
Grupo: Cia. Fios de Sobra – Campinas/SP
Duração: 40 minutos. Classificação: A partir de 04 anos
Autor/Direção geral/ Direção Artística/ Cenografia: Rafael Curci
Figurinos/ Operador de Luz: Paloma Faria Quintas. Sonoplastia: Gustavo Daniel Spatocco
Iluminação: Lucas Rodrigues dos Santos. Operador de Som: Elaine Vilela Rezende
Elenco: Lucas Rodrigues