Archive for Novembro 9th, 2013

09/11/2013

Um culto nada religioso

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Adaptação do conto de Machado de Assis lotou o Teatro Ópera no terceiro dia do Fenata

Pela segunda vez, marcou presença no Fenata o grupo “Cia. Teatral Boccaccione” de Ribeirão Preto, encantou, cantou, e chocou a plateia. O conto “A igreja do diabo”, de Machado de Assis foi adaptado pelos atores com o uso de muita criatividade. Na peça que leva o mesmo nome do conto, o Diabo tenta fundar uma igreja só para ele com o intuito de combater e destruir outras religiões. O complemento dos instrumentos musicais durante o desenrolar da trama dá dinamismo e provocação.
A sátira tem a intenção de criticar a contradição humana. Mesmo depois que os antigos fieis das outras religiões se converteram à religião do Diabo, com a permissão de ir contra os mandamentos de Deus e viver na libertinagem, eles começam a desobedecer ao próprio Diabo, praticando as virtudes, o que era contra as regras da igreja.

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Foto: Lente Quente

A nudez utilizada  na cena em que o Diabo conquista os fieis e torna pecados, como luxúria e gula, em mandamentos foi uma das cenas marcantes e transgressoras da peça. Ao mesmo tempo, chocou o público, tanto que, no mesmo instante, alguns se levantaram e retiraram-se do recinto, enquanto outros riram e se divertiram com o ato.
Além da interação dos atores com a plateia, outro diferencial da peça foi o jornal “Demonews”, o jornal da igreja do Diabo, que fazia referência a algumas instituições religiosas que espalham jornais informativos sobre características da religião e outras particularidades. Quando as luzes se acenderam, os atores foram recebidos em pé pelo público com salva de palmas.

Mariana Tozetto

Serviço:
A peça “A igreja do diabo” do grupo Cia. Teatral Boccaccione de Ribeirão Preto/SP, foi apresenta no Cine Teatro Ópera no dia 09/11.

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09/11/2013

A história do nascimento de Cristo em Lá menor

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Canções populares brasileiras dão ritmo e emoção à história da formação da Sagrada Família

A peça ‘Auto da Anunciação’, apresentada pelo grupo Cia Cênica, na praça da Igreja Catedral, levou ao público a história do nascimento de Cristo com uma roupagem marcada de brasilidade e musicalidade.  A apresentação de caráter regionalista retrata a vida de sertanejos retirantes do momento em que Maria conhece José até o nascimento de Jesus.
A peça, que inicialmente foi escrita para ser um auto de Natal, sofreu alterações, tornando-se um espetáculo atemporal.  Além da atuação, alguns aspectos comoveram o público como as músicas tocadas e cantadas por José Maria Guirado. Canções populares como “Cuitelinho”, “Calix Bento”, “Chalana” e “Romaria” fazem parte da trilha-sonora, cada uma encaixada em determinados momentos da história.

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Foto: Gildo Antonio – Foradefocopg

A simplicidade dos trajes utilizados, feitos por atores do próprio grupo, combinam com a maneira como o cenário é montado. Tons em bege e marrom, objetos e ferramentas utilizadas no sertão e a linguagem, que evidenciava os sotaques, reforçam a característica regionalista do auto. Outro aspecto que chama a atenção é o de efeitos sonoros, feitos sem auxílio de equipamentos, a não ser os instrumentos musicais tocados durante a apresentação
A escolha do local para a realização do ‘Auto da Anunciação’, uma praça, no centro da cidade, favoreceu o livre acesso do público interessado em apreciar a obra, o que reforçou o caráter popular da apresentação. Foi a primeira vez que a Praça Marechal Floriano Peixoto foi utilizada para uma apresentação teatral.

João Henrique Santos Souza

Serviço:
Grupo: Cia Cênica – São José do Rio Preto – SP
Duração: 60 min.
Classificação: livre
A apresentação ocorreu no dia 8 de novembro, às 10h, na Praça da Catedral, centro de Ponta Grossa

09/11/2013

Aventuras possíveis, entendimentos complicados

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Com três personagens e três histórias distintas a apresentação de bonecos deixou o público confuso no Fenata 2013

O grupo de teatro Auto-Peças é da capital paranaense e se apresentou na categoria de mostras não competitivas. Com 40 minutos de duração, a peça “Aventuras Possíveis” foi assistida por alunos dos colégios Estaduais Profº Becker e Silva, José Elias da Rocha e o particular, Tales de Mileto, que na escuridão, minutos antes da peça, se mostraram ansiosos.
A peça é encenada por bonecos feitos de pano. Três atores dão vida aos fantoches com maestria, realizando todos os tipos de movimentos, desde os mais comuns até os mais difíceis e delicados, executando passos de dança.  Toda a apresentação é narrada, mas em paralelo há o diálogo entre os personagens e também trilha sonora, que juntamente com a iluminação dá ênfase aos sentimentos demonstrados nas cenas.

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Foto: João Henrique Souza

Em síntese, o espetáculo trazia à tona o devaneio e a fantasia, questões que ressaltavam a dualidade entre sonho e realidade. Composta por três protagonistas, a peça deixa o espectador confuso, pois não há conexão entre esses personagens. Com somente o uso central do palco e um palanque, a troca de histórias foi rápida e brusca, gerando dúvidas para quem assistia.
Mesmo sem o total entendimento a respeito dos personagens, a plateia interagiu com a apresentação. A peça continha momentos de drama e comédia, nesta os espectadores riram e acompanharam as músicas com palmas. A peça se encerra com uma música do cantor Raul Seixas – “Você ainda pode sonhar”, e ao final da apresentação os atores agradeceram o público e deixaram um recado: “Bons sonhos!”.

Rafaella Feola

Serviço:

Peça: Aventuras Possíveis

Classificação: 12 anos

Duração: 40 min

Grupo: Auto-Peças – Curitiba PR
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09/11/2013

Quem disse que para chamar atenção precisa falar?

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Trio de palhaças cariocas prende atenção de crianças usando movimentos do corpo e muita luz

“O que eu mais gostei foi as palhaças na água”. Ao escutar essa frase da pequena Valentina, de 5 anos de idade, aqueles que não assistiram à peça teatral infantil “A fantástica baleia engolidora de circos” imaginam que realmente havia água no palco. Porém, as atrizes do grupo de teatro carioca Cia Frita usaram apenas de mímicas, movimentos corporais e iluminação diferenciada para atrair a atenção do público infantil.
A história era simples para quem leu a sinopse: uma baleia que engoliu um circo e as aventuras das 3 palhaças, que foram lançadas goela a baixo e precisam sobreviver nessa nova moradia. A simplicidade ficou na sinopse, já que no palco as atrizes mostraram que não precisam da fala para tornar uma peça interessante para quem a vê.

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Foto: Lente Quente

Conter a atenção de um público composto por cerca de 600 crianças não é tarefa fácil. Por não usar microfones e emitir apenas sons de risadas, resmungos e do corpo, a exaltação das crianças em determinados momentos da peça acaba atingindo e prejudicando a mesma. Mas isso passa despercebido, já que com um jogo de cintura as palhaças conseguem o silêncio absoluto novamente.
A iluminação, já antes citada, merece uma atenção a mais. O jogo de luzes durante toda a peça aproxima o público da história, dos lugares, dos momentos. É possível detectar quando se esta vendo o interior da baleia, quando ela se mexe e gera um transtorno dentro de si; jogando as palhaças de um lado para o outro. Iluminação com cores vivas e fortes é ponto positivo para tornar a peça ainda mais interessante e divertida.

Larissa Rosa

Serviço:

Peça teatral infantil “A Fantástica baleia engolidora de circos”, apresentada no dia 8 de novembro, às 14h10, no Teatro Marista.

Grupo: Cia Frita – Rio de Janeiro-RJ

Duração: 60 minutos

Recomendação: acima de 6 anos

Direção Geral/Autor/Roteiro: Alvaro Assad

Desenho de luz: Aurélio Oliosi

Coreografia: Cleyde de Souza

Concepção de cenário/Preparação mímica: Alvaro Assad

Elenco: Mariana Rabelo, Érika Freitas e Raquel Theo

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