Vagas promessas de um romance sem emoções

livro-abertoLivro apresenta sobreposições de vozes e deixa leitor confuso, desafiando-a desmontar sozinho o romance

     Relatos de decepções com amores e amigos decorridas de suas escolhas, questionando a própria existência. Estes são os temas que encabeçam o livro Vastas Emoções, Vagas Promessas, da escritora e especialista em Literatura e Língua Portuguesa, graduada na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Michele Pupo.

     A autora tenta se aventurar em descrever a historia de uma personagem, mas foca sua própria história, através de interpretações que caracterizam uma autobiografia, o que deixa o leitor confuso. Michele tenta trazer o que era muito usado nos romances do século 18, em que histórias eram escritas em cima de relatos de experiências (romance epistolar), quebrando a expectativa do leitor, já que começa de uma forma e segue outro caminho.

      O livro traz pontos de vista que afirmam quem realmente está relatando as próprias experiências, como “Tenho medo de palavras. Elas têm o poder de nos erguer ou afundar. Contudo ainda assim, machucam menos que o silencio” (p.43), e já fala de Mariana: “Hoje Mariana acordou infeliz, fraca, cansada.” (p.43) no mesmo capítulo, não deixando claro sua principal mensagem.

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Foto: Kauana Mendes

       A obra traz também pontos positivos, como uma leitura fácil, já que os capítulos são curtos, mas peca no ultimo capítulo, deixando perguntas aos leitores sem respostas, já que as mesmas ficam a cargo do público descobrir. Os leitores não estão atrás de serem questionados, mas sim terem respostas prontas para aquilo que questionam. Outro deslize aparece quando o questionamento central do livro é a própria existência, pergunta que, em geral, muitas pessoas fogem da discussão.

Kauana Mendes

Serviço:

Livro: Vagas emoções e vagas promessas

Autor: Michele Pupo

Editora: Penalux. Edição: n° 1. ano 2012.

Valor: R$ 28,00 – www.editorapenalux.com.br/loja

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5 comentários to “Vagas promessas de um romance sem emoções”

  1. Não li o livro, mas não gostei da crítica. Talvez o livro não seja um bom livro, mas a crítica precisa ser boa para dizer isso, se não, perde a credibilidade. Considero, por exemplo, um equivoco da crítica em dizer que os leitores não estão atrás de serem questionados e que só procuram respostas prontas… quem disse isso? Será que essa não é a opinião de um leitor que se desgostou com o livro ao invés de uma crítica? Quanto a questão de o livro ser um questionador da própria existência, me deixou curioso em ler o livro, pois livros que colocam a existência em evidência, ou em cheque, normalmente são bons livros. Quase sempre esse aspecto representa qualidade em um livro, e não um defeito como a crítica sinaliza (basta uma leitura de Joyce, Kafka ou Wolff para constatar isso). Quem lê literatura quase sempre procura efeitos catárticos, não repostas e acomodamentos existenciais. Quanto a questão é a do romance epistolar, é preciso esclarecer que ele se diferencia de uma ficcionalização do eu, algo que está bastante em voga atualmente. Romance epistolar do século 18 é outra coisa. São duas estratégias diferentes, diferença que a crítica não reconhece.

  2. Não li uma resenha crítica. Apenas um comentário de uma leitora despreparada e, ao que parece, com uma certa dor de cotovelo pelo fato de a Michele ser uma autora bonita, jovem e talentosa, já que ela está em seu segundo livro, (li e apreciei os dois: a moça tem futuro). Destaque também para o trabalho da editora Penalux, que soube vestir as palavras da autora com requinte artístico, algo não muito recorrente no mercado editorial. Abraços. Carlos.

  3. Kauana

    Agradeço pela atenção dada ao livro. Mas gostaria de compartilhar o posicionamento de uma outra leitora, cujos apontamentos traduzem o que pretendi com “Vastas emoções, vagas promessas”:

    “Fiquei imensamente fascinada pela Mariana e por seus conflitos, por sua humanidade. Também me encantei com a construção do texto, o desmembramento da ordem cronológica, prevalecendo o tempo íntimo da personagem, seus temores, seus pensamentos, a vida. Devo dizer que é exatamente por se tratar de situações possíveis que a leitura se faz tão prazerosa. Todas nós, um dia, já sentimos como a Mariana: a alegria, a dor, a intensidade, o vazio… Parabéns, você é um talento! E o livro é maravilhoso!” (Inai de Souza)

    Em minha página no facebook é possível encontrar outras resenhas: https://www.facebook.com/Pupoescritora

    Um abraço

  4. “Os leitores não estão atrás de serem questionados, mas sim terem respostas prontas para aquilo que questionam.”

    Discordo completamente da sua opinião, não só por ter lido o livro e compreendido que o tempo do eu-lírico é psicológico e subjetivo, mas por acreditar também que uma das funções da literatura é nos levar a questionar, a pensar mais e melhor e não simplesmente buscar respostas prontas como você sugeriu. Se assim fosse, ela não nos daria a chance de promover a catarse e de encontrar, em meio a narrativas – ficcionais ou não – um ponto comum que aproxima personagem, autor e leitor.
    Creio que o que a autora fez foi unir temas possíveis a cada um de nós, em um livro que não segue a sequência cronológica, mas nos torna próximos da Mariana e seus conflitos, exatamente por suas características e dúvidas humanas. Afinal, viver repleto de certezas deve ser uma catástrofe.

  5. Talvez minha opinião seja questionada por se tratar do livro da minha noiva – para o qual, inclusive, escrevi o texto de “orelha”. Portanto, não defenderei o livro do ponto de vista literário – os comentários anteriores cumprem bem essa função.
    Gostaria de ressaltar, entretanto, o quanto é equivocado pensar que um texto deve trazer respostas prontas. Parece-me uma ideia bastante imatura. Penso que um texto que provoca o leitor, incitando-o a refletir e construir suas próprias respostas, seja muito mais rico do que uma mera transmissão de informação, um “implante de opinião”.
    Por ser um blog do segundo ano de jornalismo, tenho esperança de que a autora possa repensar esse posicionamento e amadurecer sua leitura crítica no decorrer do curso.

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