Patinação entre fantasmas

Como já sugerido, aqui neste espaço, só mesmo a prática pode resolver alguns problemas apresentados pela turma produtora do Crítica de Ponta 2013, posto que o projeto é uma produção laboratorial, focado na aprendizagem. Contudo, já seria de se esperar que, depois de dois meses e sete edições do blog, alguns ‘fantasmas’ já tivessem sido superados.

O fantasma da edição incompetente, apontado pelo último Ombudsman, não foi deixado para trás. O problema aparece em diversas críticas e se evidencia no excesso de vírgulas inadequadas no texto “Aposta excelente, estrutura precária”, no uso dispensável de gerúndios na postagem”Para rever a cultura da Princesa dos Campos” e no mau uso do plural nas frases “O trio de música caipira Zé Garcia, Sereninho e André da Sanfona se apresentaram(…)” e “A última apresentação foi do Coro Cidade de Ponta Grossa, que apresentaram(…)” do texto “Música para todos os gostos e estilos”.

Outro problema é a adjetivação. Na maioria dos casos, os adjetivos são dispensáveis e acabam enfraquecendo os argumentos da crítica. O texto “Aposta excelente, estrutura precária” traz dois adjetivos no título e continua a usá-los no texto inteiro, o “Prato oriental conquista adeptos no Brasil” afirma que o yakissoba é “muito saboroso” e o “E se ficar insosso, vai servir para variar o gosto” afirma que sertanejo universitário é “modinha”. Sem entrar em discussão de valor aqui, mas a afirmação é, além de adjetivação, um clichê dispensável para a construção da crítica.

Quanto às pautas, essa edição pode se orgulhar da seleção. As editorias de Vitrola Em Cena tratam de eventos culturais importantes para a cidade. Outros Giros fala de um espaço de relevância nos arredores da UEPG Central, Entre Linhas Livro Aberto comentam um material cultural geralmente esquecido pela grande mídia, e Pratos e Drinks consegue fugir do estigma de descrever espaços e trata realmente de um prato. Entretanto, os textos “Prato oriental conquista adeptos no Brasil”, “Notícias literárias em rascunho” e “Histórias de sexo e violência”, apesar de claros e coesos, fizeram críticas rasas e primam pela descrição. Além disso, a maioria dos ‘serviços” fica superficial e alguns falham em divulgar preços.

Alguns textos merecem destaque, como o “Jaqueta de couro não é mais ‘o bicho’”, que faz uma retomada histórica, debate com argumentos a ‘migração’ para o couro sintético e faz um trocadilho relacionado com o tema no título. O texto “Sucesso com pouco conteúdo” acaba não criticando com propriedade o filme G.I. Joe: Retaliação, por dar atenção demais ao modelo hollywoodiano em que ele se insere. A produção mereceria uma citação ao primeiro filme, G.I. Joe: A Origem do Cobra, e ao conceito que deu a ideia para o filme, os bonecos Comandos em Ação, que fizeram parte da infância de muita gente.

A editoria Em Cena trata da Conferência de Cultura, mas de uma maneira confusa. Não dá para entender se o foco é a Conferência como um todo ou a reunião setorial das artes cênicas, e a construção do texto embaralha a cabeça do leitor, de modo que fica difícil entender o que se está lendo. Além disso, o título “Para rever a cultura da Princesa dos Campos” remete inapropriadamente a uma certa companhia de viação da região. Por fim, o texto “Música para todos os gostos e estilos” afirma que o Coro Cidade de Ponta Grossa apresenta música celta, enquanto a apresentação era de músicas africanas.

Rubens Anater

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