Sobre bombas e imprecisões

ombudsman12-1Só a prática do Crítica de Ponta há de resolver problemas como a superficialidade dos comentários críticos. A sexta edição do ano mostra fortemente essa fragilidade. Os curtos textos não deveriam ser encarados como um espaço onde o autor precisa ‘falar tudo’, de tudo um pouco e assim mapear um produto geral, sem nenhuma peculiaridade ou algo que o diferencie das outras coisas da área. Uma dica é projetar o curto espaço de caracteres como um desafio ao potencial de síntese e objetividade dos participantes do projeto. A crítica como um exercício de cidadania encontra dificuldades, sim, desde a operacionalização do processo até a apresentação do resultado, mas não pode, como um espaço democrático, cair em generalizações vazias ou descrições simplistas.

 Foi muito bem trabalhada a descrição na editoria ‘Pratos & Drinks’ da semana. Apesar disso, o erro grave da quinta edição do Crítica se repetiu: o texto é sobre espaços, e se esse tipo de confusão continuar acontecendo, a organização impecável do blog no que se refere a separação de editorias, dias de postagem e diagramação não vai servir para nada; o leitor vai continuar confuso.

Na editoria ‘Em cena’, a autora consegue ser repetitiva ao ponto de destacar em quatro parágrafos a participação do público. Os comentários também são amplos e não se aprofundam na ideia da importância sobre a interação. Um dos caminhos que a autora poderia ter escolhido para se aprofundar, por exemplo, é na história de que essa interação supostamente incentiva a ida a apresentações musicais, como dito no final da crítica. Por que, afinal, isso acontece?

Bastante objetiva a parte técnica da crítica de ‘Projetor’ da semana. O conhecimento na área parece ter ajudado a autora do texto, que consegue descrever cenas e explicar porque elas se destacam utilizando a prática da filmagem. Exemplo disso é quando a autora destaca que um take longo dificulta a atuação, exigindo mais dos atores. Ao colocar o filme no patamar de ‘ótimo’, entretanto, a autora seleciona quem o considera assim: os amantes do cinema francês. Um pouco vago se pensar que o lento desenrolar do enredo (apesar de ser uma característica frequente) não é uma exclusividade do cinema daquele país. O costarriquenho Del amor y otros demónios e o italiano Nosthalgia exemplificam isso muito bem. E pensar que o desenrolar lento do enredo de um filme é o que determina se ele é ‘ótimo’ ou não, a partir da ótica das preferências subjetivas, é perder em consistência crítica; e tratando o blog como uma atividade pedagógica, a utilização de adjetivos poderia ser evitada. A prática precisa dar conta disso.

Toda a crítica de ‘Vitrola’ se resume a um parágrafo e o texto bem redigido poderia distrair o leitor, só que não. O texto traz um formato ‘descrição-descrição-descrição-crítica’, como se toda a descrição anterior tivesse sido colocada como preparação para o comentário crítico final, como se fosse ‘munição-munição-munição-bomba’. O aparente domínio de assunto por parte da autora poderia fazer a crítica alçar voos mais altos quanto à forma e conteúdo da apresentação.

A boa pauta de ‘Moda & Estilo’ se perdeu numa crítica onde a inconsistência prevaleceu pela falta de informações. Pensando na crítica também como um exercício de apuração, a autora poderia ter trazido informações sobre o comércio de Ponta Grossa. Quanto, em quantidade ou valores, a venda de “cintos da Dona Helô” cresceu depois que a novela estabeleceu um padrão regular de audiência? Uma consulta rápida em pelo menos cinco estabelecimentos deve sanar essa dúvida.

Das sete matérias de destaque na homepage do Diário dos Campos da manhã de segunda-feira, dia 15, cinco delas trazem “Leia mais na versão impressa”. Editoria de geral e de política: todas as matérias em destaque chamam para a versão impressa. A crítica da editoria ‘Entrelinhas’ faz parecer que isso não acontece no site, o que é uma mentira, a não ser que a autora estivesse querendo falar apenas sobre a editoria de esportes, mas não parece ser o caso. Quem escreve críticas pode até valer-se de generalizações consistentes e utilizá-las inclusive para simplificar e exemplificar argumentações. Como estratégia textual ou de criatividade, tudo bem; mas pensando em crítica como um produto jornalístico que deve trazer também informação, generalizações imprecisas de um produto tão acessível se tornam inaceitáveis.

O texto da editoria ‘Outros Giros’ (a de verdade) traz um interessante texto que soube trabalhar bem a questão da descrição. Abstendo-se de comentários críticos tradicionais, do tipo que explica as características e as justifica sob a áurea da dualidade ‘bom ou ruim’, a autora consegue descrever o local observado a partir de suas marcas principais como espaço, que dizem muito sobre o bar e sobre quem o frequenta.

‘Na Tela’ traz a boa e velha mistura entre descrição e crítica, fundamental para a credibilidade e para o sucesso do blog. O texto sobre ‘Vivendo e Aprendendo’ consegue transpor para o texto o aspecto insosso do programa e intercala impressões, com críticas e informações precisas.

 Matheus Lara

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