“Do primeiríssimo caco até a última deixa”

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40ª edição do Festival Nacional de Teatro (Fenata) tem abertura com cordel, homenagens e espetáculo inovador

Edmilson Santini, às 20h e 10 minutos, deu início à quadragésima edição do Fenata. O auditório principal do Cine Teatro Ópera ainda não se silenciava quando o ator, vestido em trajes nordestinos, declamou o cordel que conta a história do Festival. Com as luzes acesas, Edmilson que, em alguns momentos derrapou no texto, interagia com o público, que ocupava boa parte dos lugares. Apesar de o evento ter caráter nacional, o questionamento fica por conta da não utilização de aspectos da cultura local, além, dos breves versos que tratam o cenário princesino, como em “Paraná pra UEPEGÊ… UEPEGÊ-Paraná!”.

Após o cordel, que durou cerca de 10 minutos, deu-se início aos discursos da organização, agradecimentos aos patrocinadores e homenagens às pessoas que foram importantes na efetivação do evento. Com certos exageros e delongas, o público fora deixado de lado e permanecia inquieto à espera do espetáculo.

A peça, de Cleide Piasecki, intitulada Blow Elliot Benjamin, começou com 30 minutos de atraso, algo costumeiro na cidade e que não deveria se repetir.  Em uma narrativa não-linear, 10 atores/dançarinos retratam seis histórias baseadas em acontecimentos do cotidiano e, que ao longo do enredo, estabelecem uma ligação. Alternando momentos de drama com comédia, é possível perceber junção entre texto e música. Muito por conta da variedade na composição do repertório, que intercalava canções famosas, versões instrumentais e de diversos ritmos, com a narração da obra.

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Foto: Maria Luisa Cerri / Lente Quente

Mesmo com pequenos erros de sincronia, os atores demonstravam maturidade e segurança. O palco era bem aproveitado, pois enquanto desenrolava-se a cena principal, outros atores criavam um ambiente secundário ao espetáculo.

O cenário, que remontava Londres, variara durante toda a apresentação e era substituído pelos próprios atores, principalmente, em cenas com música. A troca de figurino também era feita no tablado e em alguns momentos podiam-se observar peças de outras cenas. Além disso, o jogo de luzes colaborou com a essência da trama.

Após pouco mais de 70 minutos de peça, a plateia aplaudiu em pé e revelou não estar ‘fechada’ no que diz respeito a uma nova maneira de fazer teatro. Vale destacar a adesão de poltronas numeradas ao Festival. A novidade proporciona maior comodidade e, ao que tudo indica, contribuirá para a diminuição das filas e dinamizará o acesso ao Cine Teatro Ópera.

Edgar Ribas

Serviço:

Peça: Espetáculo Blow Elliot Benjamin

Direção: Cleide Piasecki

Grupo: G2 Cia de Dança – Centro Cultural Teatro Guaíra

Cidade: Curitiba – PR

Duração: 70 minutos

Classificação: Livre

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3 comentários to ““Do primeiríssimo caco até a última deixa””

  1. Por ser espetáculo convidado, fiquei curioso por saber da trajetória da peça pelos palcos (sugestão apenas). O cordel estava à venda também, confere? E concordo que as homenagens, até aqui, não envolveram…

  2. Alguém tem que avisar aos PATROCINADORES, que 99% das pessoas não está nenhum pouco interessa na vaidade deles em fazer questão de mostrar que colaboram. Eles fizeram do primeiro dia de espetáculo um tédio quase que mortal enquanto faziam seus discursos que ninguém presta atenção. Fui ansiosa para ver a peça, mas quando o espetáculo começou, eu já estava exausta por conta de tanto blablabla e babação de ovo que, repito, ninguém tava interessado. Ano que vem, provavelmente eu falte ao primeiro dia, pra evitar a fadiga.

  3. Tenho grandes expectativas com essa cobertura especial do FENATA. Gostaria de ver o quanto os alunos evoluíram desde meu último acompanhamento sistemático (Festival Universitário da Canção). Porém, já recebi meu primeiro balde de água fria. O texto acima começa de maneira confusa. O leitor fica por três parágrafos sem saber ao certo o verdadeiro objeto da crítica (o cordelista, a organização do evento e suas infindáveis homenagens ou a peça Blow Elliot Benjamin). Quando o autor finalmente começa a falar da apresentação em si, não passa da mera descrição. Por fim, gostaria muito de saber qual é essa “nova maneira de fazer teatro” que o público aplaudiu de pé. A peça é bacana, mas não creio que apresente algo, de fato, inovador.

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