Archive for Novembro 12th, 2011

12/11/2011

Agenda Cultural

13 novembro – Domingo
Filme – ‘A meia noite levarei sua alma’, no Cine Teatro Ópera, às 17h, entrada franca
Espetáculo de dança contemporânea ‘Por vezes só’, no Cine Teatro Ópera, às 20h30, entrada franca
Concerto do Coro Cidade de Ponta Grossa “Jóias da Ópera”, na Igreja Luterana Bom Pastor, 20h, entrada franca

14 novembro – Segunda-feira
Festival de Ballet Pró Arte – Espetáculo ‘Vive la France’, no Cine Teatro Ópera, às 20h, ingressos antecipados R$ 10 e na hora R$20

16 novembro – Quarta-feira
Prática artística Professor Rony Bueno, no Conservatório Maestro Paulino, às 17h, atividade dirigida
Show com ‘She Banda’, no Centro de Cultura de Ponta Grossa, às 20h, ingresso R$ 1 mais 1kg de alimento não perecível

17 novembro – Quinta-feira
Audição de classe ‘Flauta’, no Conservatório Maestro Paulino, às 19h, atividade dirigida
Espetáculo ‘Eu vira uma Alice’, do grupo Abuso em Cena, no Conservatório Maestro Paulino, às 19h, ingresso R$3, classificação 12 anos.

12/11/2011

Impacto Frontal

Nudez, ironia e muitos efeitos marcam a peça do grupo paulista “Cia de 2”

Um barulho alto nas caixas de som assustava o público, que começava a lotar a casa, mas quando Jonas di Paula e Jean de Oliveira entraram em palco, a plateia se rendeu ao talento dos dois atores, que no final foram ovacionados de pé.
A peça, escrita e dirigida pelo próprio Jonas di Paula, contava a história de dois viajantes que haviam se perdido, mas não sabiam bem onde chegaria. O roteiro trazia pensamentos sobre diversos aspectos da sociedade, incorporados em cenas que, aparentemente, não tinham coesão, porém passavam uma mensagem para a plateia, característica do “Teatro do Absurdo”.
A construção e apresentação dos personagens criava um laço de relação entre o que acontecia e o público. Isso ajudou a atuação, pois a plateia “respondia” as cenas, como quando gargalhavam em uma cena engraçada ou batiam palmas nas cenas inesperadas. As cenas que eram tomadas pela silêncio, na qual os atores ficavam minutos sem mexer ou falar, causavam apreensão, e a quebra com um grito tornava essa tensão em susto, mas demonstrava o quão preso a obra estava o público.


O jogo de luz fora um dos maiores trunfos da peça, pois o diretor entendeu a luz não só como um método de visualização, mas sim como uma ferramenta para auxílio de envio da mensagem que ele queria passar, o uso de tons mais fortes, como vermelho, em cenas de drama, e de tons mais claros, como amarelo, em cenas de comédia tornaram a peça mais clara.
A sonoplastia da peça, apesar de muito alta para o ambiente, estava sincronizada aos atores, tornando as situações ainda mais realistas. O tom de voz, assim como as variações de acordo com a situação, foram providenciais para que o espetáculo fosse agradável e atraente.
A relação entre os atores era de uma química surpreendente, tanto quanto o tempo de fala entre os dois, como na confiança que aparentavam ter, como nas cenas de acrobacia. A forma como ambos interagiam com o cenário demonstrava que eles estavam acomodados e relaxados na apresentação.
O uso de palavrões, nudez frontal e beijo homossexual não tornaram a obra apelativa, como muitas outras são. A reação do público nas situações foi de tensão, mas logo as risadas com a situação demonstraram a aceitação das cenas. Os aplausos em pé foram um agradecimento por parte da plateia pelo espetáculo que os dois rapazes de São José dos Campos apresentaram na noite de quinta feira.

Jean Marcel

Foto: Luana Stadler

Mais Fotos: flickr.com/lentequente
Nome do Espetáculo: Pé na Curva
Grupo Teatral: Cia de Dois
Recomendação etária: 16 anos
Horário: 20:30
Data da apresentação: 10/11/2011
Direção: Jonas Di Paula
Elenco: Jonas di Paula e Jean de Oliveira

12/11/2011

Da comédia ao drama

Espetáculo adulto fala sobre travestis, misturando descontração com reflexão social

O espetáculo ‘Borboletas de Sol, de Asas Magoadas’, encerrou a categoria As Dez em Cena, do 39º Festival Nacional de Teatro – Fenata, na última quinta-feira (10/11). A peça, encenada pela atriz, autora e diretora, Evelyn Ligocki, mostra o comportamento e as dificuldades do travesti Bety, misturando humor e drama.
A apresentação, que durou uma hora, teve os ingressos esgotados ainda na tarde de quinta-feira e uma parcela do público sentou-se nas escadas do Auditório B do Cine Teatro Ópera. Logo no começo Evelyn surpreendeu quem estava no saguão do teatro. Ao invés de começar a peça no palco, como é de costume, ela começou a encenar na porta do Ópera.
A peça prometia um monólogo, porém a atriz teve grande interação da plateia, a ponto de chamar cinco pessoas para ficar em cima do palco por toda a apresentação. Além disso, ela também andou pelo meio das cadeiras e escadas da sala. A primeira parte da apresentação arrancou risos de todo o público, mas a atriz optou por dublar uma música e fazer algumas piadas, o que deixou a história menos empolgante do que poderia ser, com uma sensação de ‘enrolação’.
A atriz, que ganhou o Prêmio Açorianos de ‘atriz revelação’, não deixou a desejar quanto à interpretação. A voz grave parecia com a de um homem, caracterizando o personagem, a gesticulação também estava de acordo com o roteiro. O que prejudicou seu desempenho foram alguns gritos e expressões exageradas, que davam certo incomodo ao ouvido. Outro ponto mais extravagante da peça foi a atriz mostrar os seios e as nádegas diversas vezes, e ao fim da apresentação dançar com os seios nus, além de vários ‘palavrões’.
O roteiro foi muito bem elaborado e se mantém atual mesmo sendo escrito em 2002. A trama passa de descontração para reflexão social. Ao falar sobre o cotidiano, as gírias e o comportamento dos travestis, Evelyn revelou as características íntimas da personagem, contando a história com bom humor. Mas o ponto forte da peça foi a ida do travesti Bety para a rua onde se prostituía, e o espetáculo passou de comédia para drama. A personagem ‘sofreu’ agressão e estupro, a partir daí, a atriz mostrou as dificuldades enfrentadas pelos travestis.
A luz e o som eram simples. A iluminação apenas variou ao fim da peça, onde a atriz dança uma música. Já o som foi controlado pela própria protagonista, em um rádio portátil. O cenário era composto por algumas almofadas, uma mesinha, um banco e um urso de pelúcia. Porém, a mesa estava mal posicionada e atrapalhava quem estava à direita do palco.
Luana Stadler

SERVIÇO:
Peça: Borboletas de sol de asas magoadas
Horário: 22h
Local: Cine Teatro Ópera
Direção; Evelyn Ligocki
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$6,00 e meia entrada R$3
Data: 10/11/11
12/11/2011

Será que os jovens gostam?

     

     A abertura e o cenário do programa Estação Urbana, veiculado pela TVM, canal do sistema  a cabo de Ponta Grossa, atraem o interesse do público e dão ar descolado, atingindo a proposta de voltar-se aos jovens. O conteúdo é variado, porém a produção das matérias, às vezes, deixa a desejar, fazendo com que a pauta perca seu sentido. Como, por exemplo, a apresentadora e repórter Manu vai a um estabelecimento com a proposta de ensinar a preparar Açaí na Tigela. Porém, a única coisa que se mostra é um liquidificador batendo e, ao fim, a entrevistada dizendo que tal receita possui um segredo e ela não pode contar.

     

     Além das matérias, entrevistas ao vivo também ocorrem no decorrer do programa. A apresentadora sempre se mostra interessada e consegue manter um bom diálogo com os convidados mesmo fazendo perguntas clichês. Se uma banda vai ao programa, a perguntas como “como a banda iniciou?”, “vocês estão nessa formação desde quando?” e “quais as principais influências?” dão o ritmo da conversa.

    Talvez pensado como maneira de descontração, há uma espécie de ‘Louro José’ no programa, o Lobo Gabriel, como é chamado, é dublado pela própria apresentadora e aparece para dar recados, fazer anúncios publicitários e até para matar aquele tempinho para fechar o Estação Urbana no tempo certo. Manu parece se divertir muito com essa criaturinha que, com certeza, é atrativa para crianças e sem graça para quem se interessa no conteúdo que é/será transmitido.

     Um assunto bastante presente nas pautas do programa é a religião, algumas vezes relacionada com jovens que se sentem bem e felizes por ter “encontrado o caminho”. O problema é que a religião abordada é sempre e apenas uma, o que acaba com o caráter democrático que deveria existir. Um programa voltado aos jovens poderia pensar neste assunto, que é tão polêmico (religião), de maneira a construir debates e não mostrar apenas um lado.

Mariel Riveros

12/11/2011

O que menos interessa é a casa

Filme ‘A Casa dos Sonhos’ é um dos longas que você só assiste até o fim porque começou a ver

     Casa dos Sonhos (Dream House) é um filme classificado como suspense, porém a trama em si gira mais em torno do drama. O longa-metragem conta a história de um editor bem sucedido que sai da cidade grande e vai com sua família para um lugar mais calmo, onde as crianças possam aproveitar mais a vida. A trama não impressiona muito, já que repete um enredo amplamente explorado pelos filmes norte-americanos.

     Na primeira metade do filme parece que a estória não pretende passar algo novo para os espectadores. Os diálogos e a sequência de acontecimento são fracos. Quando o telespectador pensa que a trama apresentará algo novo vem o momento de calmaria outra vez. O filme segue a linha de tantos outros, como o ‘Amigo Oculto’ (Hide and Seek, de John Polson, 2005), pois chega a um momento que quem está assistindo não consegue distinguir o que é loucura, o que é verdade e o que é sobrenatural.

     

     Outro erro é o nome do filme que apenas faz menção a uma casa onde seria muito bom de viver. Se o nome for comparado com a imagem de divulgação lançada meses antes na internet, parece que o filme promete ser mais de terror, ou de um gênero que mescle suspense e terror. Pelo contrário o que se vê no longa são poucas menções a casa, já que o que importava mesmo na trama principal era a família que nela estava morando.

     Quem assiste ao filme pode por vezes ter vontade de desistir, inclusive algumas pessoas comentavam durante a exibição que queriam parar de assistir. O final tenta ser surpreendente, porém mesmo com algumas surpresas não supera o fracasso que toma a narrativa em quase uma hora, o que representa mais da metade do longa.

Adrian Delponte

Serviço:

Elenco: Daniel Craig, Rachel Weisz, Naomi Watts, Marton Csokas, Claire Geare, Taylor Geare, Rachel G. Fox, Mark Wilson.

Direção: Jim Sheridan

Gênero: Suspense

Duração: 92 min.

Distribuidora: Warner Bros.

Estreia:  4 de Novembro de 2011

Foto: Divulgação

12/11/2011

Aprendendo a falar ‘caipiranaense’

Médico de Ponta Grossa se inspira no jeito de falar do caipira para escrever livro sobre gírias paranaenses

     O sotaque de cada região do Brasil é diferente e facilmente perceptível. No caso do Paraná as principais características para reconhecimento são: a forma foneticamente correta de falar as vogais E e O e a pronúncia forte e puxada das consoantes R e S, o que leva o povo paranaense a pronunciar as palavras assim como são escritas.

     Quem ouviu as expressões “há de… Capaiz” ou “tá loco de bão”?

      Alguns podem nunca ter ouvido sequer falar nesses dialetos, mas se você mora, já morou ou conhece alguém do Paraná, com certeza já ouviu tais declarações.

     Lançado em dezembro de 2010, o livro ‘Caipiranaense: o dialeto paranaense’, escrito pelo obstetra Alberto Olavo de Carvalho, reúne algumas das mais conhecidas expressões do dialeto caipira do Paraná. A obra é organizada em duas partes: ‘Enfim o dialeto’ e ‘O dialeto mais antigo’. O autor transmite por meio de 427 micro-contos mais de 1000 verbetes utilizados, principalmente, no interior do estado.

   

   A obra conta a história do Paraná por meio das expressões caipiras. A apresentação inicial do livro merece louvores, porque recupera pontos importantes da vida do estado como as imigrações, influência europeia e o reconhecimento, ou o desconhecimento, de uma cultura tipicamente paranaense.

     ‘Caipiranaense’ é escrito de propósito com grafia incorreta, pois como ressalva o autor na apresentação, ele se deteve em expressar de forma mais fiel possível a fala, por isso desprezou a grafia e deu ênfase a fonética. Os pequenos causos são numerados facilitando assim a localização do leitor, além disso, o espaçamento entre um micro conto e outro agiliza a leitura. Por fim, a escolha em deixar os verbetes em negrito, destacado do restante do texto, torna fácil a procura por determinadas expressões.

     A ideia em escrever um livro retratando o jeito caipira partiu, a princípio, quando Alberto leu na internet algumas tentativas de identificar o povo paranaense pelas expressões em sua fala. O volume pode ser considerado um dicionário de gírias paranaenses que consegue trazer aos mais velhos lembrança e ao jovem conhecimento sobre uma das primeiras ações aprendidas pelo homem, falar e ter a capacidade de se expressar em um determinado dialeto.

Marina Alves

Serviço:

Livro: Caipirananense: O dialeto paranaense

Autor: Alberto Olavo de Carvalho

Número de páginas: 140

Lançamento: 8 de dezembro de 2010

Apoio: UEPG/PROEX

llustração da capa: Roque Sponholz