Archive for Novembro 8th, 2011

08/11/2011

“Esse menino careca e banguela é tudo pra ela”

“Esse menino careca e banguela é tudo pra ela”

A peça A Cão Fusão – uma aventura legal pra cachorro conta a história de Lady, a cachorrinha de estimação de uma mulher que acaba de ter um filho. Sentindo-se abandonada pela dona, Lady é proibida de chegar perto do berço do bebê, o que causa grande indignação para ela. Certo dia, a dona lembra da existência do bicho de estimação e  o convida para passear. Durante o passeio, o bebê novamente atrapalha os planos de Lady de passar um tempo só com a dona. Aí a história começa a se desenrolar. A cadelinha conhece o cão Malandro, um morador do mundo. Apesar de ser uma peça para crianças, é digna de ser apresentada aos adultos também, pois os atores dão show de interpretação, mostrando que ator que é ator canta, dança, dá cambalhota e rola no chão.

Em paralelo com a história de amor dos dois cães, rola a história de um perverso rato de rua, grande apreciador de ossos grandes e engordurados, como os cachorros gostam. O malvado rato tenta roubar a comida de Paco, um chiuhauha mexicano, e Bóris, um cachorro gordo que acha que o dono não sabe que os cães são os melhores amigos do homem.

A peça é contada também através de músicas feitas pelo autor Marcelo Adams. Entre as danças e cantorias a história de amor de Lady e Malandro se desenrola. Na primeira canção do rato, as crianças da platéia gritavam de medo, e algumas sairam correndo para os braços das professoras. Talvez, o que seja mais interessante de o público ser composto praticamente por crianças, é que as reações são muito sinceras, sendo assim, elas acabam participando da peça também.

Outro fator que colaborou muito para o desenvolvimento da história foi a iluminação. O esquema de luz era basicamente frontal, feita de cima para baixo. A luz, bastante suave, dava os tons do dia e da noite, ou de um ambiente mais hostil, geralmente quando o rato aparecia. No quesito música o grupo Teatro ao Quadrado está de parabéns. Sem exceção, os atores cantavam muito bem.

A Cão Fusão – uma aventura legal pra cachorro é do autor Marcelo Adams dirigida por Lúcia Bendati e foi encenada pelo grupo Teatro ao Quadrado, de Porto Alegre. Todos os lugares da platéia estavam ocupados por crianças de escolas públicas e particulares de Ponta Grossa, e o balcão foi ocupado pelo público geral.

Luiza Slaviero

Foto: Camila Gasparini

Mais Fotos: flickr.com/lentequente

Serviço:

Autor: Marcelo Adams

Direção: Lúcia Bendati

Grupo: Teatro ao Quadrado

Cidade: Porto Alegre – RS

08/11/2011

Para apaixonado tomar vergonha e deixar de ser brega

No 4º dia do FENATA, Peça “Hay Amor!” mostra como dá para ser ridículo quando se ama e diverte o público

O palco do Cine-Teatro Ópera recebeu a peça “Hay Amor!” na segunda-feira (07/11). Cenas curtas, músicas bregas e risos do público marcaram o espetáculo que durou cerca de 80 minutos. Seis jovens encenaram e provaram em situações breves o quanto a pessoa apaixonada se torna ridícula, mas sincera.
Atores e públicos jovens entraram em sintonia ao longo de toda a apresentação. Além das três ou quatro sessões de aplausos durante a encenação, a platéia bateu palmas incansavelmente ao fim da peça. O elenco conseguiu traduzir comicamente situações que muitas pessoas enfrentam em relação aos sentimentos, principalmente quando se é mais jovem. O drama da mulher abandonada que bebe desinfetante e as cantadas absurdas dos cafajestes fazem quem assiste pensar que “é (ridículo), assim mesmo!”. E rir. É difícil não se identificar com algum dos episódios encenados.


A boa atuação dispensou cenários e figurinos complexos. Um banco de praça permaneceu no palco durante toda a apresentação. Eventualmente, o telão foi utilizado para passar imagens ou vídeos que tinham a ver com o momento. No espetáculo “Hay Amor!”, as cenas acontecem rapidamente e não há ligação entre elas. Os atores representam situações diversas, como a do cara que nunca liga no dia seguinte e da famosa desculpa “não estou preparada” dada pelas mulheres. As expressões, gestos e linguagem fiéis à brega realidade fizeram com que a platéia se identificasse com os episódios e se divertisse ainda mais.
A música apareceu como elemento constante na peça. Seja por meio da interpretação do elenco ou como background. A trilha sonora se baseia em músicas bregas, passando por Roberto Carlos, Daniel e Sampa Crew. A escolha do repertório se encaixou perfeitamente com as situações representadas. O público se rendeu e cantou em coro com os atores a música “Estou apaixonado”, do cantor Daniel.
O final da apresentação se desprendeu totalmente do resto da peça, causando uma pequena frustração. O pequeno monólogo de uma das atrizes marca a última cena, dando tom mais triste e sério ao espetáculo. A peça finaliza deixando dilemas no ar, como “dois enamorados sempre se perdem”, “o mundo é tão seco” e “o amor dura?”. Mas a principal dúvida que fica é “Será que não agradaria mais se a peça finalizasse com cenas engraçadas?”.

Alana Fonseca
Foto: Camila Gasparini

Mais Fotos: flickr.com/lentequente

Serviço:
Autor: Os Geraldos
Direção: Verônica Fabrini
Grupo: Os Geraldos
Cidade: Campinas – SP
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos