Archive for Novembro 6th, 2011

06/11/2011

Fato e ficção no 39° FENATA

‘Equal’ é o tipo de obra que utiliza de acontecimento para formar ou deformar uma narrativa teatral

 

A partir de fatos nascem às histórias. No teatro isso pode ser colocado como uma verdade. A peça, ‘Equal’, apresentada no sábado (05/11) pela Cia da Theatro Fase 3 de Londrina, mostra como a ficção também tem seus fundamentos na realidade. A peça foi encenada na mostra “Às Dez em Cena” e o público que estava na apresentação era composto por várias faixas etárias. A peça tinha expressão pessoal, o que ressslta um pouco o individualismo do autor e diretor, João Henrique Bernardi. ‘Equal’ é o tipo de teatro formado apenas por gestos, e deixa o dialogo de lado para destacar a interpretação dos personagens.

‘Equal’ baseia-se na história da primeira separação de gêmeas siamesas no Brasil, feita pelo médico Chapot Prévost. A história das irmãs Maria e Rosalina compõe a trama a partir da dor e do sofrimento que as irmãs tiveram exposta como objeto científico é que inspira a história de ‘Equal’.  A obra mostra-se intimista e condena a todos a solidão e a volta ao passado. No entanto, a peça não segue uma ordem cronológica linear, isso faz com que a maior parte do público esteja em um caminho de volta ao passado.

A concepção de um relato transforma as relações das irmãs, pois um pequeno gesto como descascar uma laranja toma um toque afetivo. A peça é apresentada por duas mulheres idosas, mas não por uma escolha do diretor e o próprio roteiro e que pede os atores. No caso de ‘Equal’ as escolhas do atores foi seletiva para tornar a interpretação mais natural ao público.

É comum no final da trama ver parte do público chorando pela morte de uma das irmãs. A interpretação consegue atingir o objetivo de encantar parte do público. A emoção das atrizes também comove o público. O dialogo da peça é pouco impactante, pois o exercício da encenação sustenta a trama a partir de gestos e expressões, e a sonoplastia ocorre de forma secundária, mas é interessante porque parte do sentimento vem das músicas escolhidas na apresentação. Apesar de que o público, que não teve acesso à sinopse da peça, provavelmente teve dificuldade em entender a história.

A iluminação da peça foi muito pouco explorada, deixando apenas a sustentação da interpretação para os atores. Ao fim da apresentação o diretor, João Henrique, esteve em um bate-papo com o público e em uma de suas respostas destacou que “o melhor ator é aquele que não tem máscaras”.  Talvez, a afirmação não deixe claro o objetivo da interpretação, pensando que o teatro deveria utilizar o real como fundamento.

Gildo Antonio    

Peça ‘Equal’
Apresentação: Cine TEatro Ópera (Auditório B)
Horário: 22h
Duração: 30 minutos
Cia Theatro Fase 3 – Londrina – PR

Mais Fotos: flickr.com/lentequente

06/11/2011

Arquivos corrompidos

Mesmo com atraso, Grupo Farroupilha animou o público e foi aplaudido em pé

Na noite de sábado (05/11), a peça ‘O arquivo vivo’, do Grupo de Teatro Farroupilha, de Minas Gerais, se apresentou no Cine Teatro Ópera, no auditório A. Marcada para começar as 20h30, a peça atrasou em meia hora, o que deixou o público muito irritado, pois nem um dos organizadores do evento deu alguma justificativa para tanta demora.

A peça traz à tona a política brasileira, discutindo o tema da corrupção, disputa de poderes e infidelidade. A história se passa em uma cidade de Minas Gerais, em que o Prefeito tem um caso extraconjugal com Antônia, uma moça que é dona de uma quitanda. Antônia fica grávida e morre no parto e seus amigos não sabem o que fazer com o filho que ela deixou. E, então, resolvem levá-lo à Prefeitura da cidade. Lá começa umas das cenas típicas que acontecem em algumas prefeituras do país, em que as pessoas são encaminhadas para vários setores, pegando diversas senhas e não conseguem encontrar o lugar certo para resolver o problema. Para não acontecer um escândalo em época de campanha, o assessor do prefeito, Inominável, fica com a criança e ‘contrata’ Maria, a moça que sabia de toda a história, para cuidar da criança, que é chamada por todos de ‘arquivo’.

Toda a trama fica evidente de como o sistema político é satirizado. Mostrando como as pessoas burlam as regras, como a corrupção é algo considerado normal neste meio e a primeira palavra que o ‘arquivo’ fala é: propina, o que causou inúmeros risos no público. Com jogos de interesses, quem se dá bem no final da história é o assessor do prefeito.

A peça arrancou várias gargalhadas da plateia. Com personagens engraçados, com um figurino que os caracteriza de acordo com a função representada, desde Antonia, que era pobre e tinha uma caixa de frutas no cenário, até o Prefeito, sempre com terno e um palanque para fazer sua propaganda. Em alguns momentos, os atores falavam em tom baixo o que deixava o público perdido, já que não se entendia o contexto da fala. As luzes foram bem usadas, fazendo vários efeitos durante a peça. Já o palco não foi totalmente usado, deixando os atores longe do público.

Até mesmo alguns erros involuntários se tornaram pontos positivos na peça. Uma das atrizes enroscou o salto no vestido e não conseguia soltar sozinha, o público correspondeu ao erro aplaudindo com a improvisação dos atores, e terminando a peça os personagens quase caíram do palanque, mas resolveram os descuidos com naturalidade, sem demonstrar preocupação. Após uma hora de apresentação, o Grupo de Teatro Farroupilha foi aplaudido de pé pelo público. A peça trouxe à tona um tema bastante polêmico no país, pois o jogo político, muitas vezes criticado pela população, é representado com simplicidade e humor crítico.

Melissa Eichelbaun

Foto: Gildo Antonio

Mais Fotos: flickr.com/lentequente

SERVIÇO:

Espetáculo: O arquivo vivo

Grupo Farroupilha: www.grupofarroupilha.com.br

Autor: Eduardo Moreira e Sinésio Bina

Direção: Júlio Maciel

Cidade: Ipatinga – Minas Gerais

Duração: 60 minutos

Classificação: 12 anos

06/11/2011

O Poeta Sobrenatural

“Pratativando” consegue cativar o público ponta-grossense na abertura do módulo Teatro de Rua

O palco improvisado no meio do Calçadão da Coronel Cláudio, Centro de Ponta Grossa, despertava a curiosidade daqueles que passavam pelo local, antes mesmo da peça começar. Algumas pessoas já se aglomeravam ao redor do espaço, outras esperavam dentro dos estabelecimentos comerciais ou na sombra. O cenário do palco era simples, apenas revestido de um pano amarelo florido que, por sua vez, chamava ainda mais atenção. Porém, antes do Teatro de Rua, houve a participação de Edimilson Santini, que contou histórias em forma de cordel.

O público teve que esperar ainda alguns minutos para que a peça “Pratativando”, do grupo Cia. Mais Caras de Teatro, ganhasse o palco. “Pratativando” é uma peça em homenagem ao escritor e poeta Antônio Gonçalves da Silva, que ficou conhecido como Patativa do Assaré. A peça conta a história de um “cantador” que está fazendo um show prestando uma homenagem ao poeta “Patativa do Assaré” e, de repente, é interrompido por Matheus (Claúdio Ivo) uma figura um tanto peculiar que dizia estar procurando por Zuleide.

Os atores, ao contrário de outras peças, não esperavam no palco, mas surgem no meio do público.  “Pratativando” conseguiu deixar os espectadores tão à vontade ao ponto que a maioria sentou-se no chão em torno do palco improvisado. E mesmo com o tempo ensolarado, poucos se importaram com o calor, permanecendo durante os 50 minutos de peça.

Outro aspecto marcante foi que os atores não se restringiram apenas ao palco, mas andaram no meio do público. Além disso, foi difícil quem não resistiu às gargalhadas com as brincadeiras e piadas de Cláudio Ivo. O ator não se limitou a brincar com os que acompanhavam a peça, como também brincou com aqueles que apenas passavam pelo local. O grupo procurou homenagear Patativa do Assaré não se prendendo a sua história, mas aos seus feitos. Durante o espetáculo também não faltou a declamação de uma poesia intitulada O Poeta Sobrenatural.

A música foi outra aliada para a interação com o público, pois os atores interpretaram os versos de Patativa como A Triste Partida e Vaca Estrela e Boi Fubá. E também relembraram artistas nordestinos como Fagner e Luiz Gonzaga. Além do violão, os atores também utilizaram o pandeiro, e uma rabeca (violino de madeira). Até mesmo quando o público não sabia a letra que era cantada, os atores começaram a ensinar a letra. E, assim, na manhã de sábado, 05/11, o grupo Cia. Mais de Teatro conseguiu trazer um pedacinho do nordeste ao Centro da Cidadede Ponta Grossa.

Diandra Nunes

 Foto: Gildo Antonio

Mais Fotos: flickr.com/lentequente

Autor: Cláudio Ivo

Direção: Cláudio Ivo

Grupo: Cia. Mais Caras de Teatro

Cidade: Fortaleza – CE

Local: Calçadão

Duração: 50 minutos

Classificação Livre