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26/09/2011

Crítica é mais do que ‘gostei e não gostei’

A crítica, seja ela qual, for não pode em nenhum momento ser apenas um amontoado de idéias e gostos pessoais. Um simples relato de “gostei e não gostei”. Não que a crítica não seja uma opinião, mas é uma argumentação fundamentada em tópicos técnicos e bem específicos, analisados por pessoas que realmente sabem do que falam. Cada pessoa tem o direito de expressar suas preferências, mas quando  se escreve uma crítica literária, cinematográfica ou sobre qualquer tema, os gostos pessoais devem ser deixados de lado. Assume-se um papel de porta-voz, de analíticos e, pois, deve-se estruturar um texto baseado em conceitos mais pragmáticos do que ideológicos.

Essa é a grande dificuldade de todos os alunos que passam pelo laboratório do blog ‘Crítica de Ponta’. É raro ver um texto que seja uma crítica aceitável. O que mais se ve são descrições de eventos e programas de televisão. O interessante é que as pautas são ótimas, criativas e o leitor fica esperando uma nova abordagem durante a leitura, mas o ponto final aparece e o que o leitor fica sabendo é “aconteceu” e “como foi”.

O texto “E ééé touchdown! Olinda Esporte Clube é a casa do Ponta Grossa Phantoms, clube local de futebol americano não consegue apresentar nenhuma crítica. O autor critica a estrutura de uma arquibancada e da situação higiênica do banheiro. Não que isso não possa, de maneira sutil, aparecer no texto. Mas a abordagem poderia ser feita falando de como é o treinamento do time, como é a rotina dos jogadores.  Uma simples conversa durante o intervalo bastaria para que o texto ficasse mais atrativo e mostrasse as dificuldades do esporte na cidade. Um tema tão criativo, mas que ainda ficou na descrição, como a maioria.

Outra dificuldade encontrada pelos estudantes do 2º ano  (Jornalismo da UEPG) é a coesão, como já ressaltado pelo Ombudsman passado. Na editoria “Na Tela” o leitor encontra um primeiro parágrafo confuso, com frases cheias de números, que dão a impressão de serem jogadas no texto simplesmente para fazer uma introdução e aumentar o número de caracteres.

Mesmo com tantos erros, normais, pois é para isso que existe o laboratório e a disciplina de Crítica de Mídia, alguns alunos conseguem encontrar o caminho e fazer um texto crítico, de fato. Um exemplo é o texto “Ironicamente reflexivo”, onde a autora resgata um documentário antigo e dá uma nova abordagem. O tema é válido, já que o vídeo relembra a tragédia do 11 de setembro, em uma semana que se comemorou 10 anos do atentado as Torres Gêmeas do World Trade Center.

O exercício da critica é complexo. Livrar-se dos clichês e das preferências pessoais ao redigir um texto analítico sobre eventos e obras culturais e artísticas não é uma tarefa fácil. E só é aprimorado com a prática, com os erros. A crítica deve contribuir para que o público, que não compreende de termos técnicos e ontológicos, tenha a possibilidade de enxergar os deslizes cometidos pelos artistas.

Juliana Spinardi