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23/04/2011

Saber crítico em desenvolvimento

Por: Isadora Camargo

Ao ler os textos do Crítica de Ponta nesta semana ‘curta’, devido ao feriado, percebe-se um avanço: titulações mais atraentes, deixando o abstrato de lado e conteúdos mais trabalhados, mostrando características positivas e negativas dos produtos analisados. Avanço, também, nas designações dos produtos midiáticos e argumentações para defender os pontos de vista dos críticos.

Desta vez, a edição conta com hiperlinks, ainda que concentrados no texto ‘Um pouco de blog, um pouco de site e muito pouco de imparcialidade’, Na editoria Entre linhas, já que por ser uma análise de um blog jornalístico da cidade, necessariamente, precisaria indicar o endereço eletrônico do objeto de crítica.

Aos poucos o padrão do Crítica de Ponta também vai se constituindo. Vale destacar o uso das linhas de apoio, que contribuem bastante para situar e atrair o leitor a adentrar-se por entre as linhas sutilmente criticas dos autores. Apenas o texto ‘Para o almoço, outra opção é a saúde’, da editoria Antena, que não apresenta linha de apoio, e sai fora do padrão.

Uma outra falha que merece reflexão é quanto a escolha do objeto crítico. Os autores precisam pensar se os produtos que vão analisar estão dentro da proposta do veículo aonde serão publicados, no caso, o blog Crítica de Ponta, além do público alvo e da linha editorial do mesmo. Tais características são importantes para sustentar o motivo da crítica.

Isso não acontece na crítica ‘Pavor para alguns, entretenimento para outros’, da editoria Projetor. O filme escolhido pode até deixar o leitor do Crítica meio confuso, já que não apresenta nenhum gancho, isto é, nenhum aspecto que mantenha as características da linha seguida pelo blog, em que aspectos regionais e atualidade ajudam na seleção dos produtos: o filme é de 1999 e por mais que a autora indique que está disponível na internet, o texto sequer apresenta um endereço para o download. Tudo bem que o blog está disponível para qualquer internauta nesse vasto mundo, no entanto ele é pensado e voltado para uma região específica do Paraná, e isso,deve ser fator decisivo na escolha dos produtos midiáticos. E, lembrem-se também, nosso trabalho é dirigido a um público eclético e os leitores querem saber onde podem encontrar e assistir a produção cinematográfica.

Pequenos problemas que ainda precisam ser resolvidos são as repetições de termos e excesso de adjetivos, o que tem empobrecido as produções textuais. Vamos tentar substituir tais palavras para fortalecer os textos com explicações, indicações, sugestões e, principalmente, pontos de vistas mais abusados. Explorem maneiras de coletivizar opiniões provenientes das análises dos produtos.

As descrições, nesta edição, melhoram na concretude e permitem que o leitor consiga imaginar como foi o show do Ed Mota, mesmo sem ter ido ao espetáculo. Mas vale destacar que quando se fala em estilos musicais, de dança ou vertentes do cinema é preciso contextualizar o significado dessas informações e no que elas interferem no entendimento do produto em questão.

Por fim, o destaque do Crítica de Ponta é a editoria Livro Aberto, com a crítica ‘Onde estão os botequins da Belle Époque ponta-grossense?’. A autora sintetiza o livro analisado e apresenta ao leitor alguns motivos do porquê o livro deixa a desejar. Isso mostra o desenvolvimento do saber crítico que, aos poucos, vai se formando entre os jovens produtores do Crítica de Ponta, que diminuem aos poucos, mas não mais a conta gotas, as abstrações e apresentam características textuais que fortalecem as críticas, como comparações com outros produtos ou sugestões para melhora do objeto analisado. Só, ainda, permanecem os excessos em adjetivos (sem referenciar o porquê daquela valoração). Tanto os elogios quanto apreciações negativas precisam de embasamento…crítico!