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03/04/2011

Falando muito e entendendo quase nada

Por Cleber Facchi

 

Logo de cara, uma sincera surpresa: finalmente, as postagens com um visual descente, textos padronizados e tudo coerentemente encaixado. Mas aí vem um pequeno problema: qualidade nas imagens é algo que não existe ,certo? Qual é a justificativa, faltam câmeras na UEPG para os alunos baterem fotos decentes ou o servidor do WordPress está cobrando pra fazer o upload de fotos em maior qualidade? É preferível ver as editorias Na Tela eAntena sem fotos do que com aquilo que foi postado para “ilustrar” a crítica.

Já os textos contam com uma série de confusões esta semana. “CG em Destaque mescla elegância e informalidade”, “Na linha entre o belo e o exagerado” e “Entre música e merchandising” chegam carregadíssimos de informações, porém, muitas delas incoerentemente aplicadas. Na editoria “Entre Linhas”, por exemplo, o autor começa atacando o visual da revista, defende, ataca, defende, fala que todas as edições estão disponíveis no site da revista (isso ficaria melhor no espaço de Serviço), ataca e defende novamente. No final da crítica fica a dúvida sobre a real opinião do autor.

Se na última edição alguns trabalhos apresentavam uma maior desenvoltura e um melhor aproveitamento no uso das palavras, o mesmo não pode ser dito para os textos desta semana. A ideia de analisar o terminal central da cidade  – em “Aumenta a passagem, mas não a qualidade” – é excelente, porém o texto se orienta de forma muito quadrada, seca demais. A autora poderia se organizar da mesma maneira, passeando pelo espaço como faz ao longo do texto, porém inserindo alguns personagens humanos, pessoas que encontrou, enquanto fazia a crítica e consequentemente ilustrando melhor o espaço analisado.

O mesmo tipo de “prisão textual” ocorre em “Concervatório Musical acerta na combinação”. A autora diz: “A abertura do Concerto foi feita pelo coro ‘Cores’ e, para usar um trocadilho, parecia uma aquarela”, porém o simples aviso sobre a utilização do suposto trocadilho não apenas desmistifica toda a climatização construída desde o começo do texto, como tira toda a graça da expressão. E, não esqueçam, sempre que usarem termos como “tenores, barítonos e sopranos”, expliquem o significado de tais termos, ou o blog é formado apenas por pessoas ligadas à área musical?

Mas, para todos os problemas, nada que um bom texto não possa resolver, nesse caso “Hoje tem espetáculo? Tem, sim, senhor”. Além de explicar o que é “novo circo” a autora praticamente se joga dentro do espetáculo, quase como uma das personagens, detalhando cada pirueta ou ação executada. Não há apenas descrição, mas quase um repasse dos sentimentos, como se o leitor pudesse reviver o momento, sem que antes o tenha presenciado. Apenas um cuidado no uso de palavras deveras “difíceis”. Muito mais do que encaixar palavras como “indissociáveis”, um texto jornalístico (seja ele opinativo ou informativo) deve ser simples e compreensível ao leitor em sua totalidade.