A fé sobe no palco

O grupo ‘Artenhação’, da Paróquia São Pedro Apóstolo, apresentou sábado dia 18 de setembro o espetáculo “Redenção”. A peça faz parte do Festival Ecumênico de Teatro e usa a arte teatral para evangelizar. As cenas reproduzem a criação do Universo segundo a crença dos cristãos e usam o pecado para exaltar a sociedade contemporânea. A trama é pantomima, ou seja, isenta de diálogos.O público era composto por famílias, pessoas de todas as idades, aproximadamente 100 expectadores. Porém, no desenrolar da trama, percebe-se que a peça não devia ser indicada para crianças. Há cenas fortes ao retratar a promiscuidade, a prostituição e, principalmente, a caracterização do inferno.

Por ser uma peça sem falas, a gesticulação, a maquiagem, a música e a expressão facial eram fatores cruciais para uma boa apresentação. Porém, nem todas as músicas cabiam ao momento que estava sendo interpretado. A maquiagem não foi explorada e o diretor não soube dosar partes do espetáculo, pois houve exageros em cenas do inferno e extrema calma, beirando a sonolência, em cenas mais tranqüilas. O que dá um aspecto assustador para o público e prejudica a continuidade do espetáculo. O jogo de luz é harmônico e acompanha cada cena muito bem. A multimídia utilizada falhou várias vezes durante a peça, o que prejudicou um pouco a concentração dos atores.

Janaina Lellis

Serviço:
Festival Ecumênico de teatro “Palco da Fé”
Grupo Artenhação – Paróquia São Pedro Apóstolo
Peça: Redenção – Adaptação de Jhony Skeika
Horário: 20h
Local: Cine-teatro Ópera
Entrada franca

3 comentários to “A fé sobe no palco”

  1. Olá Janaína

    Fico feliz que você tenha se dedicado a escrever um texto sobre a apresentação “Redenção” do nosso grupo teatral e, por isso, agradeço sua atenção. Porém, gostaria de me posicionar em relação a algumas questões analisadas.
    Primeiramente, a organização do “Palco da fé” não fez concessões em relação à faixa etária do público. Isso nos possibilitou uma abordagem mais ampla, mesmo sabendo que as cenas lá representadas nada diferem, por exemplo, das cenas de violência e sexo apresentadas, muitas vezes sem pudor, pelos meios de comunicação e interação, como a internet. Pelo contrário, a peça procurou estilizar os problemas de drogas e violência, trazendo uma representação artística, talvez alegórica, das consequências negativas de algumas práticas. Por sua vez, nas duas únicas cenas em que a prostituição é representada cuidamos para que a abordagem não tivesse explícito apelo, mas, como as demais imagens, figurasse a ideia de que a promiscuidade pode ser negativa (uma proposta talvez interessante para o público jovem, não acha?).
    Como era o objetivo da peça, o inferno foi representado não de forma ideológica, entendido como um lugar pós-morte de suplícios e tormentos, mas como um estado criado de “não-vida”, e nisso as maquiagens todas colaboraram para tal ideia, pois as máscaras, tons de preto nos olhos e boca, apáticas cores e sombras distribuídas entre corpo, rosto e palco, corroboram a proposta de que os vícios podem levar o ser humano à morte.
    As músicas dos atos “Criação” e “Pecado”, representações do texto bíblico de Gênesis, foram escolhidas devido a suas intensidades, já que deveriam expressar, como as cenas nas quais estavam inseridas, as ideias de paz e tormentos, respectivamente. O mesmo objetivo pode ser atribuído à quarta faixa musical empregada ao terceiro ato. Porém, as outras duas canções que compõem as cenas de “Redenção” são partes de pequenas peças, ao estilo pantomina, criadas por grupos de teatro norte-americanos. São elas: Everything (Lifehouse) e Set me free (Casting Crowns). Procuramos ser fiéis aos seus autores e por isso não alteramos as músicas originais, mesmo adaptando, aos nossos objetivos, as cenas.
    As partes do espetáculo foram divididas de modo a criar uma pequena gradação. A cena inicial que sugere a criação das coisas e do ser humano é, talvez, a única que representa “paz”, por isso foi representada com calmaria, música de piano, muita luz e poucos movimentos. Porém, não acredito que tenha gerado “sonolência” esta ÚNICA parte, visto que, como já afirmei e você deve se lembrar, é o primeiro ato em cena, o qual, como em toda peça teatral, sempre está envolto em expectativas do público.
    Entretanto, o objetivo geral era mesmo representar os extremos, acredito que você tenha percebido isso. Dessa forma justificam-se alguns exageros, tanto na interpretação dos atores, como no figurino, maquiagem e sonoplastia.
    Por fim, não entendi a que você se refere com “A multimídia utilizada falhou várias vezes durante a peça”, por isso não tenho como argumentar. Apenas pediria que você alterasse alguns dados sobre a peça, visto que o cartaz utilizado refere-se à última versão do evento em 2010. Como acredito que você estava lá, apenas gostaria de relembrá-la que a peça aconteceu dia 03 de setembro no Centro de Cultura.
    Obrigado novamente pela “apreciação”, mas gostaria que você pudesse repensar alguns aspectos de sua análise embasando-se em informações relevantes do contexto do festival e da composição e objetivos da peça, agora conhecidos de você. Não sei qual é o intuito primeiro do blog, se é por em prática efetivamente conceitos teóricos ou, como o subtítulo do sítio sugere, ‘experimentar’ apenas o que é ser jornalista. Ambos os objetivos me parecessem “louváveis”, porém o último pode gerar certo desconforto se não tratado com cuidado.

    Atenciosamente.

    Jhony Skeika
    (Diretor da Peça REDENÇÃO)

  2. Corrigindo o último parágrafo: “Ambos os objetivos me parecem “louváveis”, porém o último pode gerar certo desconforto se não tratado com cuidado.”

  3. Peço desculpas por não perceber que este post é do ano passado. Por isso, desconsidere meu pedido para arrumar os dados da apresentação. Em relação à afirmação que não entendi, concordo que houve alguns problemas técnicos em relação ao vídeo que acompanhou as cenas e isso prejudicou um pouco a concentração dos atores.

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