Archive for Maio, 2009

23/05/2009

Palco alternativo e teatro em sala de aula



Oito alunas “encrenqueiras” e uma professora ‘zangada’ discutem sobre seus futuros. O palco da história é a sala de aula da Universidade Aberta para a Terceira Idade (UATI), que funcionao Campus Centro da UEPG, em Ponta Grossa. A disciplina de Teatro é optativa e tem uma taxa R$ 5 o semestre, sob a coordenação dos professores Rafaela Prestes e Nelson Silva Júnior. Os ensaios acontecem às terças e quintas, das 10h às 12h.



O curso se destaca por permitir que os alunos da ‘terceira idade’ participem não apenas atuando, mas também na elaboração do roteiro a ser interpretado. A linguagem simples dá um caráter autêntico à trama interpretada, motivo pelo qual os coordenadores renegaram Shakespeare e outros dramaturgos de discurso rebuscado.

Mesmo sendo o primeiro contato com o texto, as alunas demonstraram empenho e foram convincentes na representação dos papéis. Os jogos dramáticos, realizados dois meses antes do início dos ensaios para aprimorar a dicção e desenvoltura dos alunos, contribuíram para a naturalidade da cena.





Apesar das apresentações já agendadas, a única contribuição financeira vem da mensalidade paga pelas alunas. O dinheiro é utilizado para a produção de cenários e figurinos. O espetáculo será apresentado nos meses de outubro e novembro deste ano na mostra paralela do ‘Festival Nacional de Teatro Amador (FENATA), promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, na cidade.



Leticia Scheifer



Serviço:

Aulas de teatro da Universidade Aberta para Terceira Idade (UATI), no Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Praça Santos Andrade, número 1, sala 101-B. Todas as terças e quintas-feiras, das 10 horas às 12 horas.

Valor da inscrição para o semestre: R$5,00.

Responsáveis: professor Nelson Silva Júnior e professora Rafaela Prestes

Telefone: (42) 3220-3000

Fotos: Giovana Celinski

23/05/2009

Uma rádio diferente





A ‘Rádio Resistência’, produção dos estudantes de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, se tornou uma das atrações da ‘VI Semana de Integração da Resistência’ (Seintre). O evento, que neste ano aconteceu entre 18 e 22 de maio, é uma iniciativa dos próprios alunos, a partir do Centro Acadêmico João do Rio (CAJOR), e a programação conta com palestras, oficinas e mostra de documentários. ‘A Rádio que você vê’, slogan do programa, é produzida ao vivo em frente ao Departamento de Comunicação, no pátio interno do Campus Central da UEPG.





O programa apresenta entrevistas, cardápio diário do Restaurante Universitário (RU), apresentações culturais, lembretes de eventos paralelos à ‘Semana de Integração’, horóscopo e música ambiente.

De acordo com a programação da Seintre, a ‘Rádio Resistência’ começa 12h00min. Mas o programa de quinta-feira, 21, atrasou o informe sobre o cardápio do RU. Um dos princípios básicos do Jornalismo é a informação como perecível, sendo o cardápio do RU descartável após o horário limite de consumo, 12:30 horas, quando encerra o acesso ao serviço.

Alguns problemas técnicos ainda marcam o projeto ‘Rádio Resistência’, como as microfonias, som da música ambiente alto demais ao ponto de atrapalhar os locutores, além da demora entre um quadro e outro. Os erros da própria equipe são os atrasos que acarretam na baixa participação de alunos de outros cursos e a fala rápida dos locutores também pode confundir o ouvinte.





Por outro lado, as entrevistas com os palestrantes do dia no quadro “Falando Sério” são pertinentes, pois retomam assuntos discutidos previamente, contextualizando ouvintes não-participantes dos debates. Assim, apesar das dificuldades, a iniciativa é uma boa idéia para praticar os conhecimentos de radiojornalismo e descontrair o público que circula ou se encontra no pátio interno do Campus Central da UEPG.



Jennifer Ann Thomas



Serviço:

Rádio Resistência

Data: entre 18 e 22 de Maio

Horário: 12h00min

Endereço: Universidade Estadual de Ponta Grossa, Campus Central, em frente ao Departamento de Comunicação.

Área de Abrangência: Campus central da UEPG

Fotos: divulgação

23/05/2009

Um exercício da arte perdida

Com o advento de novas tecnologias, o exercício da profissão de repórter caiu no sedentarismo. Os jornalistas agora não precisam sair da redação para tudo, podem resolver a maior parte dos problemas de lá mesmo. Contudo, há ainda alguns profissionais dispostos a realizar grandes reportagens, a mergulhar no tema e buscar o máximo de informações possíveis.





Esse é o caso de ‘Em Domínio Russo’, livro de Diego Antonelli, resultado de um trabalho de conclusão de Curso de graduação em Jornalismo, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, em 2007. O autor descreve o que viu em visitas à Santa Cruz, Witmarsum e Mariental, comunidades localizadas nos Campos Gerais, formadas por grupos étnicos da colonização russa e alemã.

Antonelli apresenta as informações em uma narrativa leve e descontraída. A descrição de como entrou em uma igreja ortodoxa (o que é proibido para quem não é de tal religião) é feita de forma minuciosa, fazendo com que cada imagem apareça nítida na mente do leitor. A primeira experiência do autor com braska, bebida alcoólica russa, não comercializada e produzida numa fermentação de frutas como pêra e framboesa, é contada com humor, trazendo uma das principais características do autor: a comparação, presente em todo o livro.





Alguns erros de digitação ainda são vistos – sol a pico, no lugar de sol a pino, por exemplo. Porém, isso não tira o mérito do autor, que conseguiu trazer ao público ponta-grossense um mundo distante do que a maioria da população conhece, mas geograficamente muito próximo.



Gabriel Sartini



Serviço:

Em Domínio Russo – Diego Antonelli

84 páginas

À venda no SESC Ponta Grossa, a R$ 10,00

Foto Diego: Hugo Harada

23/05/2009

Religião e ficção científica no Cinema



Em cartaz no cinema do Shopping Palladium, ‘Anjos e Demônios’ é baseado no livro, escrito por Dan Brown, autor também de o ‘Código da Vinci’. O filme mostra um pouco de ficção científica e religião e se passa quase todo no Vaticano. Robert Langdon interpretado por Tom Hanks, é o mesmo personagem de o ‘Código da Vinci’ e o protagonista da obra.





A história começa com o assassinato de um físico na Suíça, com uma marca deixada em seu peito. Robert Langdon é, então, chamado para resolver o caso e com algumas investigações descobre que a marca é dos ‘Illuminati’, uma seita que ressurgiu para se vingar da Igreja Católica. O filme, mesmo com mais de duas horas de duração, deixa de lado aspectos importantes contidos no livro, e alguns acontecimentos foram adaptados e terminam de forma diferente. Isso pode ser explicado pelo fato de o livro ser muito extenso.





A parte de ficção científica presente é sobre a criação de antimatéria, uma energia que quando construída, pode revelar o segredo da criação do universo. Na parte de religião o filme é interessante, pois mostra a estrutura da Igreja Católica, como, por exemplo, a forma como é feita a escolha do Papa. Aspectos históricos da Igreja também são revelados. O filme se torna mais interessante para quem não leu o livro, pelo fato de alguns acontecimentos serem diferentes da obra original. O roteiro é bem adaptado, fazendo com que o espectador realmente entenda a proposta do filme.



Cristhian Teixeira





Serviço:

Em cartaz no Multiplex Palladium (Rua Ermelino de Leão, 703, Ponta Grossa/PR)

Anjos e Demônios

Classificacao: 16 anos

Sala: 1 E 4

sala 1 legendado

diariamente as 21:30

sala 4 legendado

segunda/terça/quinta – 16:00 20:00

sexta/sábado/domingo/quarta – 14:45 17:30 20:00

Preços:

Sexta, sábado, domingo e feriados (Matinê) – inteira R$ 12,00 e meia R$ 6,00

Sexta, sábado, domingo e feriados (Noite) – inteira R$ 14,00 e meia R$ 7,00

Quarta – Preço único R$5,00

Segunda, terça e quinta (Matinê) – inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00

Segunda, terça e quinta (Noite) – inteira R$12,00 e meia R$ 6,00

Idosos, estudantes e portadores de deficiência pagam meia entrada.

23/05/2009

Um semanário com notícias ‘sensacionalistas’





A cidade de Telêmaco Borba conta com o jornal semanal ‘Expresso Notícias’, que circula também nos municípios de Imbaú, Ortigueira, Curiúva e Tibagi. O impresso, que tem a tiragem de três mil exemplares, é produzido e editado por apenas uma jornalista, Tatiana Leite.





Uma pequena parte do jornal geralmente é dedicada à cobertura de eventos religiosos na cidade, principalmente da Igreja Católica. O impresso também conta com artigos de opinião dos leitores na segunda página, notícias políticas na terceira e uma lista com as empresas assinantes do jornal na penúltima página. Toda a última página traz apenas anúncios, sem nenhuma notícia.

A maior parte das 16 páginas do jornal, porém, apresentam um caráter sensacionalista, com destaque para reportagens e matérias sobre casos de assassinato, suicídio, assaltos e prisões, sobretudo de traficantes. As fotografias que acompanham tais matérias causam tanta repulsa quanto o conteúdo nela publicado.





Em uma simples olhada nas páginas do jornal, o leitor encontra desde imagens de uma garota que cometeu suicídio enforcando-se, até um homem morto no meio da rua com um tiro na cabeça. As fotografias mostram explicitamente o corpo dos mortos, sem nenhuma censura. Mas, apesar de ser um daqueles veículos de comunicação que “se torcer sai sangue”, os anúncios enchem as páginas, revelando que o jornal é popular, pelo menos entre os anunciantes.





Nataniel Zanferrari



Serviço:

Jornal “Expresso Notícias: Diante dos Fatos”

Circulação: Telêmaco Borba, Imbaú, Ortigueira, Curiúva e Tibagi

Preço: R$ 2,00

Tiragem: 3.000 exemplares

Frequência: Semanal

Av. Chanceler Horácio Laffer, 412, fundos – Centro

CEP 84261-000 – Telêmaco Borba/PR

Telefone: (42) 3273-1003

Diretora e Jornalista responsável: Tatiana Leite, MTB 5471

redacao@expressonoticias.com.br

23/05/2009

Um telejornal (educativo) sem muita pluralidade



O ‘Jornal da Educativa’ é produzido pela TV Educativa de Ponta Grossa (TVE PG) em parceria com a emissora Paraná Educativa. O programa vai ao ar de segunda à sexta, das 19h30 às 20h, e aos sábados das 12h30 às 13h00. O jornal é exibido desde 2000, e conta com seis jornalistas que trabalham na elaboração das matérias e na apresentação do jornal.





O programa atrai por tratar apenas de temas dos Campos Gerais, o que não acontece com o Jornal da RPC (Rede Paranaense de Comunicação), que abrange o Estado inteiro. Porém, o estúdio da TVE PG possui poucos recursos e conta com três cenários.

O comentário político é algo que chama a atenção, pois se diferencia dos demais jornais da região, ao expor a opinião do jornalista sobre o que ocorre no âmbito político atual. O mesmo recurso (editorial) também é utilizado por vários programas de TVs comerciais, como é o caso do ‘Jornal do Almoço’, exibido pela RBS em Santa Catarina, onde um jornalista (Luiz Carlos Prates) comenta e opina sobre a realidade catarinense. Já os comentários esportivos do ‘Jornal da Educativa’ dão ênfase principalmente ao esporte local e do Estado.





As matérias do ‘Jornal da Educativa’ retratam fatos da região dos Campos Gerais. Além de poucas fontes (informativas), algumas notícias apresentam apenas imagens e nenhuma fonte para explicar o acontecimento. Fato que não proporciona ao telespectador a pluralidade defendida no jornalismo, prejudicando a credibilidade do jornal. Nota-se também a ausência da “previsão do tempo”, recurso comum utilizado em noticiários (televisivos) diários.



Juliana Cardoso



Serviço:

TV Cultura em parceria com a Paraná Educativa

TVEducativa Ponta Grossa – Canal 58 (sem parabólica)

Segunda a sexta: 19: 30 horas

Sábado: 12:30 horas

Contato: jornalismo@tvepg.tv.br

Fone: (42) 3901 7001

(42) 3901 7002

Endereço: Rua Augusto Ribas, 722 – 84100-000

16/05/2009

O leitor pede explicações

É repetitivo, mas merece ser ressaltado. O ‘Crítica de Ponta’ chega à sua oitava semana de publicações e a estrutura dos textos apresentados no blog é cada vez melhor. O exercício semanal melhora nos alunos o potencial de analisar e interpretar os eventos da mídia dos Campos Gerais. Assim, as críticas produzidas tornaram-se menos generalizantes e bem direcionadas aos assuntos pautados.

Na semana, algumas seções pecaram na falta de esclarecimentos ao leitor. ‘Vitrola’ apresenta uma boa crítica da banda T.H.G.T., porém utiliza termos como rock ‘garageiro’ e ‘indie rock’, que mereceriam pequenas explicações de seus significados. O ‘Crítica de Ponta’ não aborda a temática específica de música, o que torna nosso leitor aberto a não compreender as expressões citadas. O autor teria o recurso dos parênteses para isso, como no caso da explicação do nome da banda. No texto, há a menção às composições próprias da banda, que são interpretadas como excelentes pelo crítico, caberia esclarecer os motivos que fazem delas “excelentes” no ponto de vista do autor.

Em contrapartida, a seção ‘Livro Aberto’ sintetiza bem a temática de ‘Ponta Grossa – Um século de vida (1823-1923)’, há informações suficientes para dar ao leitor do blog a ideia dos assuntos abordados pelo livro e de como ele pode se sentir ao ler a obra. As críticas apresentadas são pontuais e bem direcionadas. Porém, há dois momentos de confusão textual: “A partir daí, o livro destaca o porquê de se tornar um ponto de parada obrigatória para as tropas do extremo sul do País transportarem seus produtos para São Paulo e, especialmente, Minas Gerais”, o leitor entende o trecho como se o livro fosse o ponto de parada obrigatória para as tropas. Outro momento são as afirmações: “[…] para o município mais importante do interior do Paraná, em 1923” e “[…] fizeram com que Ponta Grossa se tornasse a cidade mais importante do Paraná em 1923”. Se fosse a cidade mais importante do Paraná em 1923, não precisaria dizer anteriormente que era a mais importante do interior. Em outra interpretação, o segundo trecho pode passar uma informação equivocada ao leitor do blog.

Destaca-se na semana a pauta escolhida para a seção ‘Em cena’, que inovou ao não criticar uma peça e sim, a estrutura de um teatro. O assunto também se encaixaria em ‘Outros Giros’, mas é válido pela criatividade de seleção, algo que buscamos nas pautas do ‘Crítica de Ponta’. O texto é bem estruturado e preza pela informação. As críticas são apresentadas de um ponto de vista interessante, mas a autora também deveria abordar os problemas ou melhorias da nova estrutura do Cine-Teatro Pax. Falta um esclarecimento ao leitor: quando o teatro foi vendido à Prefeitura de Ponta Grossa?


Felipe Liedmann

15/05/2009

Uma ‘pancada’ sonora nos Campos Gerais





A banda ponta grossense T.H.G.T. (Tiny Hearts Great Think’s) mostra que o rock (pelo menos em Ponta Grossa) ainda tem salvação. A música do THGT mistura o peso do rock ‘garageiro’ e do pós punk do final dos anos 1970, mais a energia do ‘indie rock’ no início da década de 1990.





Criada em 2008, e com uma formação alterada no inicio de 2009, a Tiny Hearts Great Think’s (algo como pequenos corações, grandes pensamentos) conta com Cezar (bateria), Go (Baixo), Felipe (Guitarra) e Teco (Vocal e Guitarra), em sua formação atual.

A banda que tem suas músicas cantadas somente em inglês, conta em suas apresentações com versões de músicas de outros artistas do rock underground e possui composições próprias, tais como as excelentes Running Away e Mary Anne. Músicas essas que poderiam ser facilmente encontradas em discos de grandes bandas do rock alternativo, como Pixies ou Joy Division.

Se nas canções de estúdio o grupo esbanja competência, e mostra o quanto é preparado, ao vivo o resultado é muito maior. Nas diversas apresentações que a banda faz no município pode-se ver um público entusiasmado que, mesmo desconhecendo algumas músicas tocadas, se deixa levar pela sonoridade explosiva do grupo e pelo seu ritmo acelerado.





Um detalhe: não tente ouvir a banda buscando uma sonoridade radiofônica, letras pegajosas ou o velho estilo de uma banda pop. A T.H.G.T. não é acessível e nem pretende ser. Sua sonoridade é expressa em um universo barulhento onde a textura de guitarras distorcidas e uma bateria pesada é que ditam as regras.





Cleber Facchi



Serviço:

Banda T.H.G.T. (Tiny Hearts Great Think’s)

Membros: Cezar, Go, Felipe e Teco.

Ponta Grossa – Paraná

Site: http://www.myspace.com/thgtrockmusic

No orkut busque pela comunidade “T.H.G.T.” ou “Coletivo ALL MUSIC”

Fotos: Divulgação

15/05/2009

O desleixo (público) de um Parque Municipal





A Chácara Dantas, como é conhecida pela população, ou Parque Municipal Margherita Sannini Masini, localiza-se próximo ao Hospital da Criança de Ponta Grossa, cerca de 1km do centro da cidade. No início do século XX o local era explorado por uma pedreira que foi desativada e, aos poucos, possibilitou o surgimento de uma grande vegetação.





O Parque, inaugurado no final de 1999, está completamente abandonado. Os sanitários foram depredados e não há condições de uso. As trilhas estão mal cuidadas e há troncos impedindo a passagem, com lixo espalhado pelo chão e nas nascentes, além da total ausência de policiamento e preservação do local.

Um lugar com exuberante vegetação, nascentes de águas subterrâneas, lagos e uma rica fauna, em um meio urbano, deveria ser um ótimo local de lazer, exercícios e educação ambiental. Mas o sentimento é de frustração pelo abandono e de receio, devido à inexistência de segurança pública.





O visitante que, hoje, chega ao local fica com algumas dúvidas sobre os motivos e justificativas que levam ao descaso público com a manutenção de um importante patrimônio (ambiental e cultural) ponta-grossense. Iniciativas de revitalização do Parque com certeza são muito bem-vindas e beneficiariam toda a população, promovendo mais lazer e educação, como projetos de integração das escolas com o parque ambiental, por exemplo.



Camila Engelbrecht



Serviços:

Localização do Parque: Final da Rua Nicolau Pierkarski Vila Estrela

Telefone do Parque: (42) 3901-1581

Horário de visitação: diariamente das 8h às 18h

Fotos: Camila Montagner

15/05/2009

Uma história além da ‘frieza’ dos fatos



Ao ler “Ponta Grossa – Um século de vida(1823-1923)” a sensação é a mesma de passear pelo centro da cidade e avistar casas com arquitetura clássica. Sensação de estar caminhando no século passado.

O livro da professora Elisabete Alves Pinto, em parceria com a professora Maria Aparecida Cezar Gonçalves, mostra como Ponta Grossa passou rapidamente de Freguesia e Paróquia, então pertencente a Vila de Castro, para o município mais importante do interior do Paraná, em 1923.





Através de um estudo baseado em documentos oficiais, religiosos e civis, a obra ilustra uma cidade que se desenvolveu devido fundamentalmente ao seu potencial produtivo. O primeiro capítulo do livro destaca as condições do Bairro ponta-grossense, situado no Caminho do Viamão. A partir daí, o livro destaca o porquê de se tornar um ponto de parada obrigatória para as tropas do extremo sul do País transportarem seus produtos para São Paulo e, especialmente, Minas Gerais.

No segundo capítulo as autoras dedicam-se ao estudo das atividades econômicas da época. O trabalho aponta a pecuária como a primeira fonte de renda dos habitantes. Porém, com o crescimento populacional, logo a erva mate se torna a principal fonte de lucros do município. Oportuno observar, na época, a forma como a construção das estradas de ferro Paraná e São Paulo–Rio Grande do Sul afeta o desenvolvimento da cidade.

Contudo, a obra apresenta uma singularidade no modo de narrar os fatos. Ao contrário de muitos livros de história, ‘Ponta Grossa – Um século de Vida’ faz uma narração quente ao destacar os pioneiros do município, indicando as famílias que, por meio de empreendimentos comerciais e culturais, fizeram com que Ponta Grossa se tornasse a cidade mais importante do Paraná em 1923. Destaca-se, aí, o momento em que o livro dá voz a Epaminondas Holzmann, grande incentivador da música em Ponta Grossa.





No entanto, a última parte, dividida em 3 tópicos (População, Movimento Populacional e Imigrantes), carece da mesma narração “quente” (que marca boa parte do livro) e, com um excesso de tabelas, acaba caindo na frieza da indicadores e dados demográficos. O leitor encontra, ainda, alguns erros ortográficos na edição, mas nada que comprometa o conteúdo do texto.





Stiven de Souza



Serviços:

Título: Ponta Grossa – Um Século de Vida (1823 – 1923)

Autoras: Elizabete Alves Pinto e Maria Aparecida Cezar Gonçalves

Editora: Kugler Artes Gráficas Ltda

Ano: 1983

Onde encontrar: Biblioteca Central (UEPG), código: 981.62, P659

Fotos: Stiven de Souza